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Política

Após a ocupação

Sob protestos, bombeiros seguem presos no Rio

por Redação Carta Capital — publicado 03/06/2011 19h10, última modificação 06/06/2011 11h42
Bope e Choque levaram à prisão manifestantes que entraram no quartel em protestos por melhores salários. Episódio derruba comandante da corporação

A ocupação, na noite de sexta-feira 3, do quartel geral do Corpo de Bombeiros promovida por militares e guarda-vidas que reivindicavam aumento salarial resultou na prisão de 439 pessoas e na demissão do comandante da corporação, Pedro Marco Cruz Machado - que será substituído pelo atual secretário de Defesa Civil do município do Rio, Sérgio Simões.

A decisão foi tomada após reunião convocada na madrugada deste sábado pelo governador Sérgio Cabral e a cúpula do governo e da segurança pública fluminense, que durou quatro duras. Os bombeiros que ocuparam o pátio do quartel em meio às manifestações organizadas na véspera vão responder administrativamente e criminalmente pelo ato. O processo deverá ser aberto pelo Ministério Público. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os militares amotinados podem ser expulsos.

Em entrevista coletiva após o encontro, o governador chamou os militares de “vândalos”, mas admitiu que os salários pagos à corporação são baixos. Cabral afirmou que já investiu mais de R$ 120 milhões para modernizar o Corpo de Bombeiros e que o plano de recuperação salarial para os bombeiros já está sendo aplicado. Ele atribuiu a ocupação a movimentos políticos contrários ao seu governo. Já o novo comandante-geral disse que sua primeira medida será tranqüilizar a população. Simões considerou a invasão ao quartel central da corporação um ato irresponsável.

A prisão dos bombeiros que ocuparam o pátio do quartel por mais de 13 horas aconteceu após a convocação da Tropa de Choque e de homens do Bope. De dentro, líderes do movimento, usando megafones, pediam que os manifestantes não reagissem e permanecessem sentados. Mesmo assim, os bombeiros foram levados em 14 ônibus para o Batalhão de Choque da PM e transferidos, ainda pela manhã, para a Corregedoria Interna da Polícia Militar, em Niterói. Antes, eles foram identificados e revistados. Das janelas dos ônibus, eles gritavam palavras de ordem; alguns exibiam a bandeira do Brasil. Apesar da medida, apenas o coronel do Batalhão de Choque, que quebrou a mão e feriu o joelho, ficou ferida durante a ação.

No início da tarde, o Comando Geral do Corpo de Bombeiros divulgou nota dizendo que a rotina de atendimento à população está mantida. "Postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, assim como quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências (SAMU/GSE) e serviços de socorro (combate a incêndios, salvamentos e desabamentos, etc) estão operando normalmente. Os substitutos dos bombeiros detidos pela Polícia Militar já assumiram seus postos desde o inicio da manhã na troca normal de plantões", diz a nota.

Os bombeiros reivindicam aumento do piso salarial de 950 reais para 2 mil reais, e também melhores condições de trabalho.

Por causa da ocupação, o tráfego ficou tumultuado na Praça da República com reflexos na Praça Tiradentes e ruas próximas. Com faixas e cartazes, as entradas do quartel foram bloqueadas com caminhões de salvamento e mangueiras contra incêndio. A área ocupada ficou isolada.

"Radicalização" e reações

De acordo com a Secretaria de Planejamento do Estado, uma nova proposta dos representantes dos bombeiros militares era aguardada antes de ter início a manifestação. A última reunião entre as partes aconteceu no dia 25 de maio de 2011, na sede da Seplag.

Em nota, o secretário chamou de “gesto de radicalização” o ato dos manifestantes. “Nenhuma nova proposta foi apresentada até agora e os reajustes concedidos em junho de 2007, com início em janeiro de 2011, representam aumentos de 1% ao mês até dezembro de 2014, com impacto de R$ 1 bilhão no orçamento do Estado nos próximos quatro anos”, informou a nota.

Ainda segundo a Seplag, em meio aos protestos, o governo abriu negociação com os bombeiros, aceitou suspender os descontos dos dias parados, revogou a prisão das lideranças por atos anteriores à ocupação e suspendeu os processos de deserção dos bombeiros faltosos.
Em junho de 2010, segundo a nota, foi aprovada uma lei que resultará no aumento acumulado, em oito anos, de 100,8% na remuneração do soldado, passando de R$ 1.034,11 para R$ 2.077,25, em dezembro de 2014. Os valores incluem o auxílio moradia de 107% do soldo pago aos soldados com dependentes (80% da corporação). Os soldados que não têm dependentes recebem auxílio moradia de 45% do soldo.

Já o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Nilo Guerreiro, condenou a forma como a tropa de choque e o Bope invadiu o quartel. “Esse é um sinal de que a segurança pública não está totalmente qualificada. Temos que estudar muito o assunto no Rio e no resto do país, porque foi uma demonstração de que não estamos realmente preparados para gerenciamento de crise.”

Com informações da Agência Brasil

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