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BNDES contesta matéria da Folha

por Redação Carta Capital — publicado 17/09/2010 09h02, última modificação 17/09/2010 10h48
Banco emite nota oficial e diz que projeto da empresa de energia solar não apresentava nenhuma consistência
BNDES contesta matéria da Folha

Banco emite nota oficial e diz que projeto da empresa de energia solar não apresentava nenhuma consistência. Na imagem, o presidente do banco Luciano Coutinho. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

[Republicada em 17 de setembro]

O BNDES respondeu hoje à matéria publicada na Folha de S.Paulo nesta quinta-feira 16. Na matéria de capa do jornal, uma empresa de consultoria ligada ao filho da ex-ministra Erenice Guerra, Israel Guerra, é apresentada como intermediária de um pedido de financiamento ao Banco, mediante um acerto de comissão por resultado e de ajuda para a campanha da candidata Dilma Rousseff..

Segundo o Banco, o pedido de financiamento seria de R$ 2,25 bilhões e não de R$ 9 bi, como afirmou o consultor entrevistado pela Folha e que falou pela empresa ERDB. Ao repudiar a insinuação de favorecimento, a nota oficial do BNDES diz que o projeto foi analisado em reunião com 14 superintendentes, todos eles funcionários de carreira da instituição, e recusado por falta de garantias financeiras que o sustentassem.

O Banco acrescenta que sequer foi apresentado no projeto da ERDB o local para a implantação do parque de energia solar, o que seria indispensável para a obtenção da licença ambiental.

Um especialista ouvido por CartaCapital estranhou que solicitação de tal monta não tenha sido apresentada previamente para um diretor do Banco, como é de praxe, e surgisse “por baixo, como um projeto pequeno e com tantas lacunas básicas”. Nas condições em que teria chegado ao Banco, a se confiar em sua nota oficial e na interpretação deste especialista, sua recusa seria inevitável, pois o projeto não teria nenhuma consistência.

Uma consulta rápida ao site do Banco permite constatar que só as maiores empresas do País, como a Vale, já solicitaram ao BNDES aporte próximo a R$ 9 bilhões.

A assessoria de imprensa do BNDES informou que nenhum diretor da instituição recebeu qualquer diretor ou consultor que trabalhasse para a ERDB. Lembrou que em seu site tem uma nota que recomenda aos empresários para que não usem intermediários para apresentarem seus projetos.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO BANCO

Em função de reportagem publicada na edição desta quinta-feira, 16 de setembro, do jornal Folha de S. Paulo, o BNDES vem a público declarar que:

Repudiamos a insinuação de que o Banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES. O projeto em questão foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do BNDES, órgão interno do Banco, formado por seus superintendentes. A aprovação por esse colegiado é condição básica e necessária para que qualquer pedido de apoio financeiro seja encaminhado para análise. Na reunião semanal do Comitê ocorrida em 29 de março deste ano — e na qual o projeto em questão foi apenas um dos itens discutidos —, o pedido foi negado. A decisão foi tomada pelos 14 superintendentes presentes à reunião, todos funcionários de carreira da instituição.

O projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito.

Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à Diretoria do Banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado.

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