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Política

Análise

Beto Richa perde o primeiro round

por René Ruschel — publicado 13/02/2015 13h55
Acuado por servidores, o governador tucano do Paraná perde apoio até de aliados e desiste de "pacotaço"
Orlando Kissner / Fotos Públicas
Beto Richa

A PM reprimiu os manifestantes, mas não conseguiu evitar a reocupação da Assembleia Legislativa. Derrota de Beto Richa

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), perdeu o primeiro round do embate com os servidos públicos do Estado. Acuado por mais de 15 mil pessoas que foram às ruas na última terça-feira 10, Richa retirou na quinta-feira 12 da pauta de votação da Assembleia Legislativa os projetos que tentava enfiar goela abaixo da sociedade. Coagido, não encontrou espaço para reagir.

Além dos servidores, a derrota começou a se desenhar quando alguns parlamentares de sua base de sustentação se rebelaram. Primeiro, o deputado Adelino Ribeiro, (PSL), afirmou que o secretário da Saúde, Michele Caputo, condicionou a liberação de um ônibus ao voto favorável ao governo. Depois, Ney Leprevost, (PSD), um fiel aliado, foi à tribuna para avisar que não votaria a favor das medidas. Um fato inusitado envolveu a deputada Maria Victoria (PP), de apenas 22 anos, filha da vice-governadora Cida Borghetti (PROS) e do deputado federal, Ricardo Barros (PP). No momento da ocupação do plenário pelos manifestantes, a jovem parlamentar, assustada, correu ao banheiro para telefonar ao gabinete da mãe pedindo ajuda. Imediatamente a Casa Militar do governo do Paraná foi acionada e enviou três seguranças a fim de garantir sua integridade. Seria cômico não fosse uma tragédia.

A primeira gestão do governador Beto Richa não disse a que veio. Sua reeleição, com 55% dos votos válidos, foi obra da mídia, do marketing e de uma reengenharia política que envolveu 17 partidos e apoio de quase 300 prefeitos entre os 399. Tentou cooptar o apoio do PMDB oferecendo a vaga de vice-governador. O senador Roberto Requião quase estragou a festa. Na convenção partidária derrotou a proposta e conseguiu ser o candidato peemedebista. Beto não desistiu. Trouxe como companheira de chapa a então deputada federal, Cida Borghetti, cujo marido fora prefeito de Maringá por duas gestões e deputado federal. A reboque trouxe o cunhado, Silvio Barros, também ex-prefeito de Maringá, que desistiu da candidatura ao governo pelo minúsculo PHS para apoiar Beto. Como presente, ganhou a secretaria de Planejamento. Aliás, em se tratando de nepotismo, Richa é um expert. Sua mulher, Fernanda Richa, é secretaria do Trabalho e de Ação Social; seu irmão, Pepe Richa, secretário de Infraestrutura e Logística. Mesmo assim, com toda dedicação da família à causa pública, o Paraná se encontra à beira da falência.

Daí, o desespero em busca de recursos. Por enquanto, foi mais um tiro n´água. A sessão dessa quinta feira não aconteceu. Os parlamentares da situação chegaram a Assembleia para dar início aos trabalhos em um ônibus da tropa de choque da Policia Militar. Protegidos num cordão policial, foram escoltados para o interior do prédio. Foi o que bastou para começar a confusão que por pouco não virou uma praça de guerra. Os manifestantes invadiram o local de reunião e a sessão foi interrompida. Os militares reagiram com bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha, mas não conseguiram conter a multidão que derrubou as grades que cercam a Assembleia. Até que às 15h15, num lapso de bom senso, o secretário Chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, encaminhou ofício comunicando que os projetos seriam “retirados para reexame”. Os servidores começaram a deixar o plenário com a promessa de voltar para acompanhar todo o processo discussão. Chegava ao fim o primeiro assalto de uma luta que promete grandes emoções.