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Política

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Battisti e o decálogo às avessas (parte1)

por Wálter Maierovitch publicado 21/02/2011 17h25, última modificação 21/02/2011 18h12
Que esperar do ex-ladrão senão mentiras? Nesta coluna começamos com duas afirmações falsas. Ao lado, leia a segunda parte da lista. Por Wálter Maierovitch

1. Battisti afirma que nunca praticou nenhuma violência quando atuava no Proletários Armados para o Comunismo (PAC). Para Tarso Genro, a única prova incriminatória consiste na delação premiada de Pietro Mutti. A escritora francesa Fred Vargas sustenta haver Battisti deixado o PAC em 1978 e assim seria impossível a participação nos três últimos homicídios.

1A. O designativo Proletários Armados para o Comunismo não sugere uma associação de pacifistas adeptos da doutrina de não agressão de Mahatma Gandhi. Quando era apenas um ladrão comum, Battisti conheceu no cárcere Arrigo Cavallina, ideólogo do PAC. Então, ingressou na organização que, conforme frisou Cavallina, objetivava implantar o marxismo pela força das armas.

Como explicou Cavallina, que cumpriu 12 anos de cárcere, os “inimigos a punir” eram selecionados entre (a) os que trabalhavam no sistema penitenciário, (b) os policiais, (c) os magistrados e (d) os comerciantes. Na verdade, Battisti ingressou num “esquadrão da morte”.

Battisti foi preso no apartamento de Silvana Marelli, condenada à pena de 20 anos por participação em dois homicídios. Na posse do casal foram apreendidos, em condições de uso, cinco pistolas, duas bombas e um fuzil de assalto militar.

O médico Diego Fava era um dos alvos. Battisti encostou o cano da pistola na cabeça do médico e fez dois disparos que falharam. Roberto Silvi, do PAC e condenado à pena de cinco anos, confessou a autoria de certeiros disparos a distância, após a falha na arma de Battisti. Fava sofreu lesões corporais.

Do grupo do PAC destacado em maio de 1979 para matar o juiz Luigi De Liguori faziam parte Battisti, armado de pistola, e Claudio Lavazza, de metralhadora. Sante Fatone, condenado à pena de 12 anos e seis meses, tornou-se colaborador de Justiça. Ele revelou que muitos do PAC escondiam-se na casa de Roberto Veronesi, do segundo escalão do grupo. Certa vez, para sair à rua, pegou um grosso casaco no armário da casa. Veronesi o advertiu que correria risco de reconhecimento, pois o casaco tinha sido usado por Battisti no dia em que ele disparou e matou o carcereiro Antonio Santoro.

Por mais de 80 juízes, Battisti foi condenado em nove processos. Além de condenações por roubo à mão armada recebeu condenações por quatro homicídios consumados entre junho de 1978 e abril de 1979. Não havia leis de exceção e Battisti, como sustentou a gauche caviar francesa, nunca foi julgado por Tribunal Militar ou Corte ad hoc.

Segundo definitivas sentenças, Battisti foi: (a) autor dos disparos que, em 6 de junho de 1978, mataram de surpresa o agente penitenciário Santoro, (b) coautor na eliminação, em 16 de fevereiro de 1979, do açougueiro Lino Sabatin, em Caltana (Mestre): os disparos foram realizados por Diego Giacometti, que se declarou desassociado do PAC. A cobertura foi dada por Battisti, (c) partícipe no assassinato do joalheiro Pierluigi Torregiani: na divisão de tarefas, Battisti seguiu com Giacometti e Paola Filippi a Caltana, enquanto os outros matadores deslocaram-se para liquidar Torregiani, no mesmo dia 6 de junho, (d) autor material do homicídio, em 12 de abril de 1979, de Andrea Campagna, motorista policial com função de transportar presos.

Maria Cecilia Barbetta, hoje professora na Universidade de Verona e já condenada como filiada ao PAC, declarou, em processo judicial, ter-lhe Battisti confessado que havia matado Santoro a tiros. A ela Battisti relatou a sensação experimentada ao acabar com a vida de Santoro. Depois do assassinato, Battisti foi descansar com Barbetta em um camping de praia na Sardenha.

Barbetta namorou Battisti e o ajudou na sua fuga do cárcere de Frosinone, em outubro de 1988. A fuga foi organizada e comandada por Pietro Mutti, que confessou ter com Battisti assassinado Santoro: Mutti cumpriu oito anos de prisão em regime fechado e tornou-se colaborador de Justiça.

2. Battisti ficou indefeso e a escritora Fred Vargas fala em procurações forjadas a falsos defensores de Battisti.

2A. Em entrevista dada na semana passada ao jornal O Estado de S. Paulo, a escritora Fred Vargas retirou do baú a sua surrada tese de 2004. Sobre falsas procurações, com a assinatura de Battisti copiada de duas cartas.

O jornal esqueceu de informar aos seus leitores que a Corte de Direitos Humanos da União Europeia, em 2005, já havia decidido, sobre as procurações, que a pretensão de Battisti era “manifestamente infundada. Ele estava perfeitamente informado das acusações. Foi assistido por advogados que escolheu”.

O jornal também esqueceu de ouvir os advogados Giuseppe Pelazza e Gabrielle Fuga, que teriam recebido e utilizado, nos processos, as procurações falsas. O advogado Fuga disse ter recebido a procuração de Battisti, mas nunca a usou para defendê-lo porque estava preso. Pelazza sempre fora o advogado de confiança de Battisti nos tribunais e se recusa a responder às insinuações de Vargas sobre conduta abusiva.

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