Você está aqui: Página Inicial / Política / Autofinanciamento: candidatos ricos vão da gastança ao pão-durismo

Política

Eleições 2016

Autofinanciamento: candidatos ricos vão da gastança ao pão-durismo

por Nivaldo Souza — publicado , última modificação 22/09/2016 16h32
Milionários como João Doria (SP) custeiam maior parte da campanha, mas outros como Índio da Costa (RJ) não colocam a mão no bolso
Reprodução/Facebook
Candidatos

Doria banca mais de 50% da campanha, ao passo que Índio da Costa e Rezende preservam o bolso

A mudança no financiamento de campanha a partir das eleições municipais de 2016, que proíbe a doação de empresas, permite aos próprios candidatos se autofinanciar em até 100% do gasto autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A checagem das contas de campanha, contudo, revela que nem todos estão dispostos a isso. É o caso de alguns dos candidatos com patrimônios milionários, cujo comportamento varia entre a gastança e o pão-durismo quando o assunto é o autofinanciamento de seus projetos políticos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, Índio da Costa é o candidato com maior fortuna declarada ao TSE: 11,8 milhões de reais. Ele doou para si mesmo apenas mil. O valor representa apenas 0,12% do total de 801 mil reais arrecadados pela campanha do candidato do PSD.

O paulista João Doria (PSDB), mais rico concorrente à prefeitura de São Paulo, declarou possuir patrimônio de 179,7 milhões de reais e, ao contrário de Costa no Rio, colocou 2,4 milhões do próprio bolso para financiar sua candidatura. O montante corresponde a quase 56% dos 4,3 milhões recebidos por Doria, que já sinalizou disposição de gastar até metade do que sua campanha precisar, dentro do teto de 45 milhões definido pelo TSE.

Entre os gastões está também o prefeito em reeleição de Palmas, o colombiano Carlos Amastha (PSB). Em 2012, ainda filiado ao PP, ele foi o primeiro estrangeiro a chegar ao comando de uma capital brasileira, onde fez fortuna de 21 milhões de reais como empresário.

Na televisão, o candidato pede para os eleitores não votarem nele por ser "simpático ou bonito", mas pelo plano que desenvolveu nos últimos quatro anos. O desejo de continuar à frente da capital de Tocantins levou Amastha a aplicar 2,2 milhões de reais na própria campanha. Isso equivale a mais de 10% da fortuna dele e representa 90% do total levantado por sua campanha.

Outro exemplo de candidato disposto a gastar por conta própria para se eleger é o empresário Hildon Chaves (PSDB), que concorre em Porto Velho. O tucano é responsável por 92% dos 868 mil reais arrecadados por sua coligação com o PSDC na capital de Rondônia. Chaves declarou 11,8 milhões à Justiça Eleitoral.

Já entre os candidatos "econômicos" na hora de gastar o próprio dinheiro em campanha, o comerciante Adilson de Souza é singular. Ele é candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife.

Fã de motos da marca Harley-Davidson, das quais declarou possuir três, Souza é dono de uma fortuna superior a 18,5 milhões de reais. Até agora, ele colou apenas 8 mil na própria campanha e é seu único doador na disputa por Jaboatão.

O ex-prefeito de Goiânia e ex-governador de Goiás, Íris Rezende (PMDB), compõe o bloco dos menos gastões. Ele declarou 17,8 milhões de reais ao TSE, mas o político de 82 anos e empresário do agronegócio repassou somente 3 mil à campanha. O valor equivalente a modestos 0,62% dos R$ 486 mil arrecadados por Rezende.