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Política

Corrupção

Atual diretor da Petrobras recebeu propina, dizem delatores

por Fabio Serapião e José Antonio Lima — publicado 18/11/2014 11h15, última modificação 18/11/2014 12h21
Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef acusam José Carlos Cosenza de ter recebido "comissões" de empreiteiras envolvidas no esquema
Wilson Dias / Agência Brasil

Sucessor de Paulo Roberto Costa e atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza é acusado pelos delatores do esquema de corrupção na estatal de ter recebido “comissões” de empreiteiras que faziam negócios com a companhia. Cosenza nega “veemente” a acusação.

Nos últimos dias, a Polícia Federal está colhendo depoimento dos presos na sétima fase da operação, deflagrada na sexta-feira 14, e questionou ao menos sete deles a respeito do pagamento de propina ao atual diretor da Petrobras – José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e José Ricardo Nogueira Breghirolli também da OAS, Alexandre Portela Barbosa, advogado da empreiteira, e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor da Área Internacional da construtora, Ildelfonso Colares Filho, diretor presidente da Queiroz Galvão, e Othon Zanoide de Moraes Filho, presidente da Vital Engenharia, ligada à Queiroz Galvão.

“Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mencionaram a existência de pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras , tendo como beneficiários além deles próprios, os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, bem como alguns agentes políticos. Tem conhecimento destes pagamentos e de quem eram seus beneficiários”, questionou a PF.

Colares Filho disse que só teve uma reunião com Cosenza, após a saída de Paulo Roberto Costa da estatal, enquanto Moraes Filho afirmou que Cosenza participava de "quase todos" os encontros entre ele e Costa.

Costa e o doleiro Youssef foram os dois primeiros integrantes do esquema presos pela PF, ainda na primeira fase da Lava Jato, e assinaram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal em troca de benefícios no cumprimento da pena. O primeiro era o “operador político” do esquema, e o segundo, o “operador financeiro”, de acordo com MPF.

Assim como Costa, Renato de Souza Duque e Nestor Cerveró, citados pela PF, são ex-diretores da Petrobras. O primeiro, apontado como ligado ao PT, ocupava a diretoria de Serviços da estatal, enquanto o segundo cuidava na diretoria Internacional. Cosenza, por sua vez, está atualmente no cargo e, além de diretor de Abastecimento, integra o Conselho de Administração da Petrobras.