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Política

Congresso Nacional

Centrais sindicais protestam em 18 estados contra Lei da Terceirização

por Redação — publicado 15/04/2015 18h08
Presidente da CUT diz que, caso o projeto seja aprovado, deputados e senadores responsáveis terão "suas caras" colocadas no país inteiro, na internet e em postes, como "traidores da classe trabalhadora"
CSP / Conlutas

Centrais sindicais e movimentos sociais fizeram protestos simultâneos em 18 estados, durante toda a manhã desta quarta-feira 15. As ações fazem parte do Dia Nacional de Paralisação contra o PL 4.330, projeto de lei que regulamenta a terceirização no Brasil e foi aprovado na Câmara na última quarta 8. Os atos ocorreram em Alagoas, Amapá, Goiás, Piauí, Paraíba, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Tocantins, Pará, São Paulo e no Distrito Federal. Houve paralisações no transporte público em pelos menos quatro capitais, segundo a CUT: Porto Alegre, Salvador, Recife e Brasília.

Em Fortaleza, uma caminhada pelo centro da cidade marcou o protesto da CUT. A central calculou que a mobilização reuniu 8 mil pessoas, enquanto a PM não fez estimativa de público. Segundo a presidente do diretório da CUT no Ceará, Joana D'Arc, setores como os da educação, saúde e construção civil aderiram à paralisação. “Diversas categorias aderiram ao protesto contra o projeto que não regulamenta a terceirização, mas abre espaço para precarizar o trabalho”, disse à Agência Brasil

Em Vitória, a PM reprimiu com balas de borracha e bombas de efeito moral o ato contra a terceirização. Nas primeiras horas da manhã, manifestantes de diversas categorias e segmentos sociais fecharam vias de grande fluxo de veículos em dois pontos da capital capixaba e também ligações da cidade com Cariacica e Vila Velha. O ato, segundo a PM informou à Agência Brasil, violava uma decisão judicial de terça-feira 14 que proibia o fechamento de vias de acesso à capital.

Em Belém, as manifestações foram realizadas por centrais sindicais e pelos professores da rede estadual, que estão em greve há algumas semanas. O ato foi encerrado em frente à sede da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa).

Em Brasília, os rodoviários paralisaram as atividades entre 4h e 7h. Os bancários também pararam durante um ato no Setor Bancário Sul, ainda pela manhã, e depois retornaram ao trabalho. O transporte público também ficou paralisado em Salvador.

Em Belo Horizonte, bancários fizeram um protesto, no final da manhã, na Praça Sete, região central. Segundo o Sindicato dos Bancários de Belém, a categoria paralisou as atividades pela manhã.

Também pela manhã, motoristas e cobradores de ônibus de várias empresas de transporte que atendem à região metropolitana do Recife cruzaram os braços e não deixaram as garagens ou estacionaram os veículos em fila dupla, tumultuando o trânsito na região central. Parte dos metroviários também aderiu ao movimento, fazendo com que supervisores e coordenadores substituíssem os maquinistas em alguns trens. Bancários também aderiram à mobilização e dezenas de agências deixaram de funcionar em todo o estado, inclusive em bancos públicos, cujos trabalhadores “estão solidários com os demais companheiros”, segundo disse à Agência Brasil o Secretário de Formação do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, João Rufino do Egito Filho.

No Rio, os protestos do Dia Nacional de Luta contra o PL 4.330 interditaram vias e provocaram paralisação em serviços no Rio de Janeiro. Participaram dos atos petroleiros, representantes da CUT, trabalhadores dos Correios, servidores da Casa da Moeda e profissionais ligados ao Sindicato estadual de enfermeiros do Rio, entre outros.

Em Porto Alegre, manifestantes bloquearam a garagem da Carris, a empresa pública de transporte, impedindo a saída dos veículos. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas na frente da garagem quando um homem vestido com trajes tradicionais gaúchos provocou manifestantes e usou uma chaira (objeto que afia facas) contra eles, deixando um ferido. O outro ferido foi o homem que portava a chaira, identificado pelo jornal Zero Hora como João Carlos Fabrin. Ele foi agredido com chutes e socos pelos manifestantes antes da intervenção da Brigada Militar. Também no Rio Grande do Sul, os trens que ligam Porto Alegre a cidades da região metropolitana ficaram parados boa parte do dia.

Em São Paulo

Na capital paulista, o protesto acontece neste momento em frente à Federação da Indústrias dos Estado de São Paulo (Fiesp), na avenida Paulista, em São Paulo. A entidade é uma das que fazem campanha pela aprovação do projeto de lei. Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que, caso o projeto seja aprovado, uma greve será convocada em todo o país. Segundo ele, os deputados e senadores que votarem a favor do projeto terão suas "caras colocadas no país inteiro, na internet e em postes, como traidores da classe trabalhadora e financiados por empresários e patrões". "Se for necessário faremos uma greve para impedir esse PL 4330", acrescentou.

Com Agência Brasil