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As pesquisas dizem agora a mesma coisa. Dá para acreditar?

por Celso Marcondes — publicado 29/10/2010 11h12, última modificação 30/10/2010 09h46
Nova pesquisa Datafolha indica vitória de Dilma por 56% a 44%. Alinhada com Sensus, Vox Populi e Ibope

Nova pesquisa Datafolha indica vitória de Dilma por 56% a 44%. Alinhada com Sensus, Vox Populi e Ibope

Confiram os dados das últimas pesquisas dos 4 institutos, divulgadas nestes dias, sobre os votos válidos:

Vox Populi: Dilma 57% X Serra 43% (divulgada dia 25)
Sensus: Dilma 58,6% X Serra 41,4% (dia 27)
Ibope: Dilma 57% X Serra 43% (dia 28)
Datafolha: Dilma 56% x Serra 44%. (dia 29)

Elas estão praticamente iguais, se consideradas as margens de erros. A maior diferença pró-Dilma é a apontada pelo Sensus, 17,2%. E a menor a apontada pelo Datafolha, 12%. Ibope e Vox Populi, na média, estão idênticas, 14% de diferença.

Ao avaliar o número de indecisos, apenas das duas pesquisas mais recentes (Ibope e Datafolha), nos deparamos com igual percentual, 4%. O mesmo vale para os que declararam que vão votar em branco ou nulo, 5%.

Estes dados apontam que o resultado já estaria definido? Não, não dá para dizer isso, embora seja possível afirmar que a situação se estabilizou e que a apenas dois dias do pleito é muito difícil que um fato novo gravíssimo - ou uma série deles - ocorra para reverter a possibilidade de vitória da petista.

Certeza apenas uma: há um fastio do eleitorado com uma campanha horrível. Não são só Dilma e Serra que ostentam o ar de cansaço, o povo também já não aguenta mais.

A intromissão do papa Bento XVI - que já repercute na campanha e nas paróquias - e o debate na Globo hoje - a depender do seu desenrolar - são dois fatos concretos a se considerar. E outros podem surgir. Um deles, muito discutido na semana, parece que congelou: no STF, a ministra Cármem Lúcia, até aqui, não chamou para si a decisão sobre a liminar da Folha de S.Paulo para ter acesso ao arquivo de Dilma na ditadura.

Entretanto, mesmo que não ocorra nada de extraordinário, há pelo menos 3 outras ocorrências tradicionais no comportamente de uma pequena parcela de eleitores que escapam completamente do controle ou da vontade das coordenações das campanhas e da competência dos institutos de pesquisas:

1. os eleitores de Dilma que vão deixar de votar porque acham que a eleição já está ganha e aproveitarão o feriado ou não se darão ao trabalho de perder muito tempo para cumprir com o dever cívico.

2. idem para os eleitores de Serra, que podem deixar de votar por achar que a eleição já está perdida.

3. os indecisos ou eleitores de Serra não convictos que vão acabar votando em Dilma porque ela está na frente nas pesquisas, que acabam sempre induzindo votos.

Históricamente a abstenção é maior no segundo turno, principalmente por conta da inexistência das eleições parlamentares e para governador em muitos estados, mas também pelas possibilidades das 3 ocorrências citadas.

A prudência manda, portanto, que as duas campanhas continuem com força máxima ligada.

As pesquisas indicam, por unanimidade, que Dilma deve sair vitoriosa. Mas elas não captam hoje as consequências dos fatos novos a surgir, nem aqueles que motivam decisões de última hora dos eleitores.

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