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Política

Rosa dos Ventos

As diferenças que contam

por Mauricio Dias publicado 15/07/2011 09h03, última modificação 15/07/2011 10h42
Exercício útil é comparar os gastos sociais dos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. Por Mauricio Dias

Discursos do presidente prefaciados pelo mote “nunca antes na história deste país...” tornaram-se troça da imprensa com Lula e de Lula com a imprensa. Mas, afora essa curtição, bem ao gosto do coração corintiano do ex-operário metalúrgico, a frase expressava, em várias ocasiões, situações inéditas como a que pode ser extraída agora de um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009”.

O trabalho mostra como a política social praticada pelo petista na crise de 2009-2008, foi radicalmente oposta à prática dos governos tucanos nas crises de 1998-1997 e 2003-2002 (gráfico). Nos três momentos o País foi atingido por crises econômico-financeiras geradas muito além das fronteiras brasileiras.

Em 1998 e 2002, sob o governo de FHC, o Gasto Social Federal cai e acompanha a queda do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008, O PIB despenca e o GSF acelera em sentido oposto. A decisão política é concretamente definida: não sacrificar o investimento social do governo.

Nos gastos sociais considerados pelo Ipea está incluído o dinheiro “efetivamente gasto nas políticas sociais no total de recursos mobilizados pelo governo federal” em meio à disputa dos vários interesses legítimos, de inúmeros agentes, em torno do dinheiro público.

Para alcançar esse objetivo, o Orçamento foi desmontado e remontado, e analisada ação por ação no que se refere à destinação social do dinheiro, entre 1995 e 2009.

Eis algumas constatações comparativas no período analisado:

• O GSF cresceu 3,7% do PIB e 146% em valores reais, acima da inflação (IPCA).

• De 1995 a 2002 (oito anos de FHC) o crescimento do GSF foi de 1,7% do PIB.

• De 2003 a 2009 (sete anos de Lula) o GSF foi aumentado em 2,7% do PIB.

A crise de 2008-2009 mostra a firmeza da política social lulista. Com a economia freada, o governo tomou uma parcela maior do PIB para o GSF. Um salto expressivo de 14,9% (2008) para 15,8% (2009).

Lula, se de um lado valeu-se do velho pragmatismo para governar, por outro impôs um novo modelo para reduzir, mesmo que pouco, as diferenças sociais.

Essa política socialmente generosa, no desdobramento da inacabada crise 2008-2009, fornece a munição para os corifeus do coro conservador que se manifesta internamente com ataques ao que chamam de “herança maldita de Lula” e, externamente, nas páginas do Financial Times como ocorreu na edição da quarta-feira. O jornal, pouco britanicamente, fez avaliação rápida e rasteira naquele dia 13, dia agourento para alguns, sobre o “modelo lulista” que, segundo o próprio diário, apareceu “como uma possível solução para os problemas centenários de desigualdade na América Latina (...) ao qual se atribui a retirada de 33 milhões da pobreza”.

Vendo de longe, o desconfiado diário disse que “há temores de que ele (modelo) está chegando ao seu limite no Brasil”.

Por trás de tudo, estaria o superaquecimento da economia provocado, essencialmente, pela inclusão social.

Em certas partes do mundo há exemplos de que nos limites do próprio capitalismo é possível alcançar maior equilíbrio social. Para aqueles, claro, que não acreditam que os pobres estão condenados eternamente ao fogo do inferno material.

Andante Mosso

Repeteco. Na volta do suposto “mensalão” ao noticiário, provocada pela denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhada ao STF, a mídia voltou a dar ao funcionário dos Correios, Mauricio Marinho, um status que ele nunca teve.

Filmado ao receber um capilé de 3 mil reais, era do terceiro escalão e nem tinha ligações com o então deputado Roberto Jefferson.

Na delação premiada, feita na PGR, ele se limita a falar sobre a ingerência política, notadamente do PT e do PTB, na administração da empresa. Nada que o noticiário não tenha registrado.

Marinho, em Brasília, voltou-se à vida religiosa para expiar pecados.

Em família. A intimidade de homens públicos do Brasil será revelada na exposição Álbuns de Família, que entrará em cartaz em novembro no Espaço Cultural FGV, a mais nova referência em cultura no centro do Rio de Janeiro.

Políticos como Getúlio Vargas e Ulysses Guimarães terão fotos e a história pessoal apresentados na mostra.

O material é dos arquivos do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), que possui o mais importante acervo do país – mais de 2 milhões de documentos.

Familiar. A Justiça pode bloquear a caminhada de Francisco Mendes, irmão do ministro Gilmar Mendes, rumo a uma nova eleição para a prefeitura de Diamantino (MT).

Foi condenado agora por “improbidade administrativa”, cometida em 2005, porque o nome dele, prefeito na ocasião, foi enfiado na placa de um canteiro de obras.

A placa, além dessa ilegalidade, indicava que nascia ali o “Centro Público de formação Proficional”.

O atropelamento do português, indicado no processo, não foi considerado por falta de base legal. Mas devia servir como agravante, considerando a destinação futura do local.

Fruta venenosa. Aparentemente, a presidenta Dilma resolveu o que mais a preocupava no Ministério dos Transportes
ao manter Luiz Antonio Pagot fora do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit).

Ela ficou engasgada com as insinuações feitas por ele via imprensa de que o depoente, no Senado, batizou como “invencionices” da imprensa. As apetitosas frutas do Dnit, a mais frondosa árvore do ministério, são venenosas.

Retrato do Brasil. Pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) com mais de 600 empresas de todo o País aponta um contraste inquietante para uma nação que precisa sair da faixa emergente.

Ela revela que 53% daquelas empresas não conseguiram preencher os postos de trabalho disponíveis nos últimos seis meses.

Razões do fenômeno: falta de capacidade para assimilar conteúdo, raciocínio lógico, liderança e iniciativa.

O foco da sondagem foi a indústria de Transformação (71,5%) e a Construção Civil (28,5%), de médio e grande porte.

Não é fácil o acesso ao mundo desenvolvido.

Bolor político. PMDB e PT realizaram, em Brasília, um almoço de  confraternização pela passagem do 15º aniversário da aliança.

A cena, registrada em foto, não ilude ninguém.

Todos eles devem ter deixado o encontro sem desguarnecer as costas.

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