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Política

Investigação

Após afastamento da Câmara, André Vargas culpa “massacre midiático”

por Redação — publicado 07/04/2014 18h46, última modificação 07/04/2014 19h43
Caso do deputado, suspeito de prometer ajuda a doleiro Alberto Youssef, deve ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal
José Cruz/Agência Brasil
André Vargas

Antes das denúncias serem publicadas na imprensa, André Vargas usou Plenário da Câmara para pedir desculpas

O deputado federal André Vargas (PT-PR) culpou o “massacre midiático” por seu pedido de afastamento do cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados. O petista é suspeito de favorecer o doleiro Alberto Youssef, investigado na operação Lava Jato da Polícia Federal. A afirmação foi feita em nota, nesta segunda-feira 7, na qual Vargas confirma ter requisitado uma licença não-remunerada de 60 dias para “preparar sua defesa”.

A decisão acontece após a revista Veja publicar uma reportagem segundo a qual o deputado foi flagrado pela PF em conversas telefônicas dizendo que iria ajudar o doleiro, acusado de lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dólares e financiamento de tráfico de drogas. Segundo as conversas, a ajuda iria garantir a “independência financeira” dos dois. A conversa foi divulgada depois que o jornal Folha de S.Paulo revelou que o deputado petista usou o jatinho do doleiro para viajar nas férias para a Paraíba. Como o deputado tem foro privilegiado e aparece nas ligações telefônicas, parte da investigação sobre a operação Lava Jato deve ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal, de acordo com informações do portal G1.

No comunicado, o petista diz ter optado pela licença para escapar de supostas penalizações administrativas a que está sujeito por conta do cargo que ocupa e que “segue à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”. “A licença não interrompe prazos nem suspende quaisquer procedimentos que possam ser instaurados pela Câmara dos Deputados."

Pouco antes, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara havia decidido arquivar o pedido protocolado na semana passada pelo PSOL para que fosse aberta uma investigação contra Vargas. De acordo com a assessoria da Mesa, a decisão foi motivada por requisitos regimentais, com falta  de detalhamento no ofício entregue pelo partido, e não indica qualquer indisposição da Casa em averiguar os fatos.

O PSOL informou que vai refazer o pedido, mas ainda não definiu em que formato o novo documento será entregue. Na tarde de segunda-feira 7 parlamentares da legenda vão definir se reapresentarão um ofício com mais detalhes sobre as investigações ou uma representação com argumentos e provas para que a Corregedoria da Casa comece a investigar o caso.

Leia o comunicado divulgado pela assessoria de imprensa do deputado na íntegra:

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O deputado André Vargas solicitou nesta tarde à Mesa da Câmara uma licença de 60 dias, sem remuneração, a contar da data de hoje. Com a licença, ele pretende, antes de tudo, preservar a instituição da qual faz parte, a Câmara dos Deputados, enquanto prepara sua defesa diante do massacre midiático que está sofrendo, fruto de vazamento ilegal de informações.

Importante ressaltar que André Vargas não é alvo de nenhuma investigação e não foi comunicado oficialmente acerca dos temas tratados pela imprensa.

A licença não interrompe prazos nem suspende quaisquer procedimentos que possam ser instaurados pela Câmara dos Deputados. O deputado segue à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. O deputado reafirma seu compromisso com sua história política e sua luta em defesa do povo paranaense e do Brasil, sempre."