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Política

Enriquecimento suspeito

Após 11 dias, presidenta rompe silêncio e defende Palocci

por Matheus Pichonelli publicado 26/05/2011 20h00, última modificação 27/05/2011 11h03
A presidenta acusa a oposição de tentar politizar suspeitas sobre o ministro, que, segundo ela, está prestando as explicações necessárias. PT une discurso e acusa tucanos de violar sigilo
Dilma e Palocci

Em pouco mais de sete meses, Dilma tem mais popularidade que seu governo

Após 11 dias de silênco em torno da notícia de que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, enriqueceu graças a contratos feitos por sua empresa de consultoria quando era deputado federal, a presidenta Dilma Rousseff foi a público nesta quinta-feira 26 e saiu em defesa do homem-forte de seu governo. Foi a primeira vez que ela falou sobre o episódio desde que uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou que Palocci comprou dois apartamentos no valor total de 7,5 milhões de reais - quase 20 vezes o patrimônio declarado por ele em 2006, quando se elegeu deputado.

"Quero reiterar que o ministro Palocci dará todas as explicações para os órgãos de controle, inclusive para o Ministério Público, que serão dadas nos próximos dias", disse a presidenta, após cerimônia no Palácio do Planalto.

Dilma também falou sobre a acusação feita por deputados do PSDB de que Palocci teria favorecido a empresa WTorre, que usou os serviços da consultoria do atual chefe da Casa Civil. “Sobre a questão da devolução dos impostos da empresa WTorre, a Fazenda demorou em certo tempo, em torno de dois anos, e a Justiça determinou à Fazenda o pagamento da restituição devida à empresa. Não se trata, de maneira alguma, de manipulação. Lamento que um caso como este esteja sendo politizado”, afirmou a presidenta, após cerimônia no Palácio do Planalto.

A fala de Dilma foi uma reação à acusação feita pelo líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, que apresentou documentos que sugerem que a Receita Federal priorizou a empreiteira na análise de dois pedidos de restituição. Dois pagamentos foram liberados quase simultaneamente, mas, de acordo com o partido, um deles tinha sido protocolado quase um ano antes do outro.

O Ministério da Fazenda divulgou nota dizendo que o pagamento das restituições do Imposto de Renda à empreiteira ocorreu por determinação da Justiça. Na nota, o ministério informou que cumpriu liminar da 22ª Vara Federal Cível de São Paulo, concedida em agosto do ano passado.

Palocci acompanhou a presidenta durante o dia em Brasília e participou também de almoço entre ela e senadores petistas no Palácio da Alvorada. Na ocasião, ele tomou a palavra e, segundo relatos feitos pelos presentes, deu  explicações sobre o caso. Culpou adversários tucanos pelo vazamento de informações sobre sua empresa, a Projeto. 

Discurso unificado

Antes que Dilma viesse a público defender o ministro, o PT já havia colocado em prática, no dia anterior, o discurso segundo o qual as suspeitas em torno de Palocci foram levantadas por meios ilegais, numa tática semelhante à alardeada pelos tucanos no caso da quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas ao então presidenciável José Serra (PSDB), entre elas sua filha, Verônica. Na época, os tucanos desconversaram sobre as suspeitas movimentações fiscais levantadas contra os tucanos, e pediam investigações sobre de quem e como partiu a ordem para que a Receita Federal liberasse os dados.

No auge da crise que envolve o ministro-chefe da Casa Civil é a vez de o PT tentar esvaziar as denúncias e centrar fogo numa possível irregularidade de procedimento que, segundo o discurso, partiu de aliados de tucanos instalados na Prefeitura de São Paulo.

O alvo dos petistas é o secretário de Finanças Mauro Ricardo, que foi secretário de Fazenda do ex-governador de São Paulo José Serra.

"Hoje estamos diante de um fato grave: houve uma quebra de sigilo fiscal do ministro Palocci", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira.

Dias antes, o vereador José Américo (PT) já havia pedido à Câmara Municipal de São Paulo que tomasse apurasse o suposto vazamento ilegal de informações para a imprensa sobre a empresa de Palocci que, segundo a Folha de S.Paulo, recebeu 20 milhões de reais por consultorias prestadas em 2010, ano de eleições.

A estratégia do PT foi delineada após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrar no jogo e orientar os líderes do partido e do governo sobre como agir para estancar a crise.

Com informações da Agência Brasil

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