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Política

Acidente aéreo

Aos 92 anos, primeira-dama do teatro de PE faz homenagem a Eduardo Campos

por Rodrigo Martins publicado 14/08/2014 16h44, última modificação 14/08/2014 18h14
Geninha de Rosa Borges, que considerava o ex-governador como um "neto", foi à casa da família para consolar Renata Campos e filhos após a tragédia
Rodrigo Martins/Carta Capital

Do Recife (PE)

A morte do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, em um acidente aéreo em Santos (SP), na quarta-feira 13, mobilizou amigos e eleitores do ex-governador de Pernambuco. Na tarde desta quinta-feira 14, a atriz Geninha de Rosa Borges, de 92 anos, conhecida por ser a primeira grande dama do teatro de Pernambuco, chegou à casa da família de Campos para visitar a viúva Renata e seus filhos.

“Sempre chamei ele de 'meu neto'. Quando vi a notícia, eu com 92 anos e ainda de pé...”, suspirou ao tentar falar sobre a tragédia. “Mas vamos em frente. Quero me encontrar com ele e dar o beijo que queria dar”, concluiu Geninha. Uma das fundadoras do Teatro de Amadores de Pernambuco, a atriz fez mais de 60 peças ao longo de sua carreira, dirigiu espetáculos teatrais e participou de novelas como A Favorita e A Cor do Pecado, na TV Globo. Ela era considerada uma avó de afeto de Campos. “Estou muito sofrida, foi-se embora meu neto e de uma maneira horrível”, disse.

Depois de lamentar a tragédia, Geninha recebeu um abraço carinhoso da empregada doméstica aposentada Naíde Pereira Cabral, de 71 anos. Ela saiu de um município vizinho a Recife, chamado Camaragibe, pegou dois ônibus e gastou cerca de 40 minutos para homenagear o ex-governador na casa dele. “Sempre votei nele e no avô Miguel Arraes. Eles fizeram muita coisa boa em Pernambuco”, disse. “O Eduardo se doía pelos pobres, construiu UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], melhorou hospitais, mandava caminhões de comida e água para o povo do sertão”, complementou minutos depois de chorar, sentada à sombra de uma árvore na frente da casa do ex-governador.

O coletor de material reciclável Dionísio José Pereira de Araújo, de 48 anos, foi outro que quis passar pela residência da família de Eduardo Campos depois do acidente. Ele conta que conheceu o ex-governador em comícios e sempre foi seu eleitor. “Deus vai guardar num bom lugar. Não fosse o Eduardo, eu ainda estaria pagando aluguel”, lembrou Araújo, que foi contemplado há três anos com uma moradia no conjunto habitacional Dom Helder, em Alto do Eucalipto, no Recife.

O velório de Eduardo Campos está marcado para acontecer no Palácio Campo das Princesas, na capital pernambuca, e será precedido de uma missa campal. A cerimônia será comandada por Dom Antônio Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, que visitou a família de Campos para acertar detalhes da celebração.