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Acordo para compra de caças suecos era o mais vantajoso, avalia especialista

por Marsílea Gombata publicado 18/12/2013 18h40, última modificação 18/12/2013 18h47
Além da compra de 36 caças Gripen-NG, parceria prevê transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto de aeronave de quinta geração
FABRICE COFFRINI / AFP
grippen

O Gripen-NG é visto como um caça de alta qualidade, mas com algumas desvantagens

O acordo fechado entre o governo brasileiro e a sueca Saab, que prevê a compra inicial de 36 caças Gripen-NG para a modernização da frota da Força Aérea Brasileira, era o mais vantajoso para o País. De acordo com Eurico Lima Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), além da transferência de tecnologia, a empresa sueca ofereceu parceria com o Brasil para o desenvolvimento de um caça ainda mais moderno, de quinta geração, em um futuro próximo.

“Particularmente, creio que essa seja a parceria mais vantajosa para o nosso País, devido ao desenvolvimento desse projeto”, explica. “Além do custo mais baixo, a manutenção dos caças suecos é mais barata do que a dos franceses ou americanos. Mas a proposta sueca envolve não apenas a possibilidade de transferência de tecnologia, mas também a construção de uma parceria para o desenvolvimento de um caça que vá além da digitalização.” Isso é importante, afirma Figueiredo, pois a menor necessidade de integração dos pilotos permite que eles executem outras tarefas além de manusear o caça. A aeronave, explica o analista, teria também uma fuselagem de desempenho maior, assim como um sistema de armas mais avançado e maior capacidade de desvio de radares.

O Gripen-NG, escolhido para reequipar a Força Aérea, é visto como um caça de alta qualidade, mas com algumas desvantagens. “É um caça de alto nível tecnológico, mas tem uma grande desvantagem para uma necessidade da Força Aérea brasileira: a baixa autonomia”, disse o coronel da Aeronáutica e doutor em Ciência Política Márcio Rocha. “Para o Brasil, um país de dimensões estratégicas, é uma limitação.”

A decisão de adquirir as aeronaves suecas tem respaldo da presidenta Dilma Rousseff e do ministro da Defesa, Celso Amorim. O anúncio sobre o acordo foi feito nesta quarta-feira 18 pelo brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, em Brasília. A medida encerra a seleção de fornecedores para o Programa FX-2, de reequipamento da FAB, lançado em 2006.

O imbróglio em torno da compra de caças pelo Brasil, no entanto, vinha se arrastando em meio a reviravoltas nos últimos quatro anos. O processo de compra começou em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando teve início a concorrência entre o francês Rafale F3 e o norte-americano Boeing F-18E/F Super Hornet. Há quatro anos, quando o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitou o Brasil, a escolha pelo Rafale F3 chegou a ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os franceses, no entanto, começaram a perder vantagem com o pacote de 8 bilhões de reais quando a norte-americana Boeing passou a oferecer os caças por 7,5 bilhões de reais e compensações de financiamento tentadoras. “Mas o elemento político, do escândalo de espionagem da NSA, voltou a dificultar as negociações”, avalia Figueiredo.

Há quem diga ainda que enquanto a preferência pelos suecos vinha de militares da própria FAB, o lobby pelo acordo com os franceses era encabeçado pelo ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

O pacote com a sueca Saab contempla, inicialmente, 36 aeronaves. O preço, inicialmente em 6 bilhões de reais, foi fechado em 4,5 bilhões de reais, 3,5 bilhões a menos do que o previsto com a francesa Dassault. O modelo sueco substituirá os Mirage 2000, que serão aposentados neste mês.

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