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Política

São Paulo

Ação da Polícia Civil termina com 30 presos na Cracolândia

por Bruna Carvalho e José Antonio Lima — publicado 23/01/2014 18h38, última modificação 23/01/2014 20h10
Segundo a polícia, repressão desta quinta-feira 23 teve início após agressões a policial

Uma ação da Polícia Civil terminou em violência na tarde desta quinta-feira 23, na região da Cracolândia, no centro de São Paulo. Segundo a assessoria da Polícia Civil, um traficante e outras 30 pessoas foram detidas após confronto com policiais.

De acordo com a Polícia Civil, o confronto teve início durante uma ação de policiais do 6ª DP, que estariam à paisana na região para prender um traficante de drogas e filmar sua atuação. No momento da prisão, afirma a Polícia Civil, um policial foi cercado e agredido por parte dos usuários de crack que frequentam a região com "pauladas e pedradas". Ainda segundo a assessoria da polícia, foi solicitado o reforço do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), que usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha na repressão. Cerca de 30 pessoas foram presas e seriam submetidas a um "pente fino" para "saber quem é quem", segundo a assessoria. Entre os detidos está o traficante que era alvo da ação inicial.

A Polícia Civil diz que a ação desta quinta-feira era de praxe e, portanto, não precisava de autorização de escalões superiores ou mesmo do governo do Estado, a quem está submetida. Desde o início do ano, a Polícia Civil diz ter prendido 33 traficantes de drogas na região.

CartaCapital apurou que a ação foi realizada também sem o conhecimento da Prefeitura e da Polícia Militar. O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili, foi até a região da Cracolândia para averiguar a situação.

Na semana passada, a administração de Fernando Haddad (PT) à frente da Prefeitura de São Paulo iniciou a Operação Braços Abertos, por meio da qual tenta reabilitar os dependentes químicos que vivem na região. A operação municipal desmontou os barracos erguidos nas calçadas nas ruas Helvétia e Dino Bueno, no centro da capital paulista, ofereceu hospedagem em cinco hotéis da região, a contratação para serviços de varrição e zeladoria com carga horária de quatro horas diárias, mais duas de qualificação e salário de 15 reais por dia de trabalho, além do fornecimento de três refeições gratuitas. O modelo não prevê o desligamento dos atendidos caso faltem ao trabalho, mas busca garantir a oportunidade de retomada de uma vida digna e despertar o desejo de transformação no usuário.

A Braços Abertos busca se distanciar da ação realizada pela gestão Gilberto Kassab (PSD) em 2012, com apoio do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). Conhecida como Operação Sufoco, a ação se baseou em forte repressão policial aos usuários de crack.