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Fogo amigo

A última de Jobim: 'Ideli Salvatti é fraquinha'

por Redação Carta Capital — publicado 04/08/2011 10h46, última modificação 04/08/2011 13h40
Dando procedimento às declarações contra o governo do qual faz parte, ministro da Defesa diz que Ideli Salvatti é 'fraquinha' e que Gleise Hoffmann 'nem conhece Brasília'.
Jobim, o tucano

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que votou em Serra em 2010 e não durou sete meses no governo Dilma

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, parece não ter se importado com as queixas de parlamentares petistas de que suas recentes declarações representavam uma traição ao governo da presidenta Dilma Rousseff. A coluna de Mônica Bergamo desta quinta-feira 4, na Folha de S. Paulo, revela que o “ministro infiel” mais uma vez não se conteve e, à revista Piauí, classificou de “trapalhada” as negociações sobre o sigilo eterno de documentos.

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Na revista que chega às bancas na sexta-feira 4, Jobim afirma também que a ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, é muito “fraquinha”. A ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, por sua vez, “nem se quer conhece Brasília”, de acordo com o ministro.

A mais surpreendente – ou cômica – declaração diz respeito a José Genoino. De acordo com a coluna, Dilma teria questionado Jobim se Genoino poderia ser útil no Ministério da Defesa. O texto supõe que a nomeação do ex-deputado para o cargo fora uma iniciativa do próprio Jobim, que teria respondido à presidenta: “Quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu”.

Na realidade, conforme antecipado pelo jornalista . Desde o início do ano, Jobim perdeu o controle sobre as ações de relevância na pasta, acabando informalmente subordinado a Genoino e à ministra Maria do Rosário, da secretaria especial de direitos humanos da Presidência da República, no referente a criação da Comissão da Verdade.

Foi nesse espírito de “fera ferida” que Jobim resolveu fazer a festa dos jornalistas. Num dos eventos em celebração aos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, em discurso repleto de elogios ao ex-presidente, o ministro da Defesa coroou sua exposição com uma frase de Nelson Rodrigues. “Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia (...) E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”.

Em seguida, em entrevista a Folha de S. Paulo, ele revelou ter se recusado a gravar uma mensagem de apoio a então candidata Dilma Rousseff durante a campanha presidencial do ano passado. Como justificativa, ele citou sua amizade com o candidato tucano, José Serra. Jobim disse ainda que votou em Serra para presidente, e que tanto Lula quanto Dilma sabiam disso.

Desse modo, as mais recentes declarações de Jobim não representam uma novidade nem causam espanto. Também não causaria espanto a demissão do ministro infiel, que parece não se cansar de “pedir para sair”.