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À moda de Murdoch

por Leandro Fortes — publicado 01/09/2011 13h00, última modificação 02/09/2011 11h34
Sob o pretexto de denunciar uma conspiração contra Dilma Rousseff, a revista Veja invade a privacidade do ex-ministro José Dirceu e produz uma pérola do antijornalismo

Quando descobriu tardiamente os crimes do News of the World, tabloide inglês do magnata Rupert Murdoch, a mídia brasileira esmerou-se em lições éticas ao grande público. Foram horas de falação na tevê e no rádio e quilômetros de artigos, reportagens, editoriais e notas a condenar as práticas delinquentes do maior empresário de comunicação do planeta. Muitos não perderam a oportunidade para exaltar a “excelência” do jornalismo nativo.

Estranhamente, à exceção dos blogs e uns poucos meios de comunicação de grande porte, entre eles a Rede Record, fez-se silêncio absoluto ante uma malfeitoria de semelhante proporção cometida debaixo de nossas barbas, bem aqui, no Brasil. A título de desmascarar uma conspiração contra o governo Dilma Rousseff comandada pelo ex-ministro José Dirceu, Gustavo Ribeiro, repórter da sucursal de Brasília da revista Veja acabou flagrado na tentativa de invadir o quarto de hotel no qual se hospedava Dirceu. O “esforço jornalístico” de Ribeiro acabou de forma patética. Na quarta-feira 24, o repórter foi obrigado a fugir do Hotel Naoum às pressas, após uma camareira estranhar seu pedido para entrar no quarto e denunciar o caso à direção do estabelecimento. O episódio, a pedido do ex-ministro e do hotel, passou a ser investigado pela Polícia Civil. A pena para esse tipo de crime varia de três a seis meses de prisão.

Não se sabe ao certo o que o jornalista pretendeu ao tentar enganar a camareira Jôse Maia Medeiros. A ela, apresentou-se como assessor do prefeito da cidade mineira de Varginha (onde, aliás, nasceu o repórter) e afirmou ser hóspede dos apartamentos 1604 e 1606, nos quais Dirceu se hospeda e usa como escritório político particular quando está em Brasília. À funcionária, Ribeiro alegou ter perdido as chaves, razão pela qual precisaria de ajuda para entrar nos cômodos e pegar “objetos pessoais”. Na verdade, ele havia se hospedado em um quarto ao lado, o 1607, para bisbilhotar a vida de Dirceu. Desmascarado, o repórter fugiu do hotel sem ao menos pagar a conta.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 662 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 2

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