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Aos 26 anos, militante é a mais jovem integrante da Executiva do PT

por Marsílea Gombata publicado 19/12/2013 05h58
Conheça a trajetória da amazonense Anne Karolyne Moura, eleita com base no sistema de cotas para jovens, mulheres e negros do partido
Arquivo pessoal
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Anne se formou em enfermagem pela universidade estadual

Ver a batalha diária da mãe, solteira e com três filhas para sustentar, inspirou Anne Karolyne Moura a querer militar pela emancipação da mulher em seu estado natal, o Amazonas. “Sempre vi minha mãe batalhando pelas coisas e nos passando essa força. Ela nunca estudou feminismo, mas conseguiu transmitir a ideia de autonomia, uma vontade que fez eu me voltar à minha comunidade e às muitas mães solteiras que temos aqui.”

Nova secretária nacional de desenvolvimento econômico do Partido dos Trabalhadores, Anne, de 26 anos, é também o nome mais jovem a compor a Comissão Executiva Nacional do PT. Nomeada para o cargo no V Congresso do PT, realizado na semana passada em Brasília, Anne faz parte de uma nova geração de jovens, mulheres e negros que chegaram à Executiva Nacional do partido por meio da política de cotas aprovada no ano passado e prevista no regulamento do Processo de Eleições Diretas (PED 2013). O documento, em seu 4º artigo, prevê que “as direções partidárias, delegações e cargos com função específica de secretarias deverão ter paridade de gênero”, com 50% das vagas para mulheres. Além disso, 20% dos membros dos diretórios devem ter menos de 30 anos de idade e a composição final do Diretório Nacional deve reservar 20% de suas vagas para negros e índios.

Para Anne, a principal razão para ela ter sido eleita é seu histórico. “Não havia na região ninguém com as características da minha trajetória, de movimento estudantil e de luta pela juventude indígena e pelo empoderamento das jovens mulheres”, afirma. Antes de chegar à Executiva Nacional do PT, pela chapa Partido que Muda o Brasil (composta pelas correntes Construindo Um Novo Brasil, Partido dos Trabalhadores de Lutas e de Massas e Novo Rumo), Anne trabalhou com diferentes movimentos sociais de sua região. Na agenda, conferências para a construção de lideranças femininas aptas a disputar a presidência de grêmios estudantis e centros acadêmicos, além da reivindicação por direitos indígenas, quilombolas e ambientais.

Seu histórico de militância, entretanto, remonta à adolescência. Inspirada pelo tio Jessé, com quem começou a acompanhar as reuniões do PT em Manaus aos 15 anos, Anne envolveu-se no movimento secundarista, quando ainda estudava na Escola Estadual Angelo Ramazzotti, no bairro de Adrianópolis. Moradora de Coroado, bairro na periferia da capital amazonense, a filha da auxiliar de enfermagem Jerônima e do gráfico Amarildo tem quatro irmãos, sendo dois por parte de pai. Esperou fazer 16 anos para se filiar ao partido e, aos 18, se tornou membro da juventude petista. Em 2007, passou no vestibular de enfermagem na Universidade do Estado do Amazonas e, quando completou 22 anos, tornou-se secretária estadual de juventude do PT, cargo no qual ajudou a coordenar a primeira conferência nacional de juventude em 2008, em Brasília. “Foi memorável. Conseguimos levar atores que não imaginávamos, como coletivos ambientais e também indígenas”, lembra.

O passo seguinte foi aceitar o convite para a Secretaria Nacional da Juventude do partido, a partir do qual assumiu a pasta de Mobilização, paralelamente à atuação como diretora de Meio Ambiente na União Nacional dos Estudantes.

Desafio. À frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do PT, criada no ano passado, a amazonense quer pautar a discussão por dois caminhos: ao agregar a palavra “sustentável” à noção de desenvolvimento, por meio do diálogo com comunidades locais incorporado a projetos; e também na elaboração de uma ferramenta que permita à geração atual entender as transformações socioeconômicas decorrentes de políticas públicas e programas sociais dos governos Lula e Dilma, como Bolsa Família, Prouni e Minha Casa Minha Vida.

“Quero criar uma ferramenta de fácil acesso e compreensão, com documentos, dados, textos e material audiovisual. Falta para a minha geração essa capacidade de analisar”, avalia. “Temos de disputar esse jovem, que não lê jornal, que recebe as coisas via Facebook, que tem preguiça de ir a uma reunião política porque acha chata. A minha expectativa nesse novo trabalho é conseguir falar numa outra língua”, diz.

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