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Entrevista

A direita está na moda?

por Renan Truffi publicado 20/05/2014 11h57, última modificação 20/05/2014 16h04
Jovens catarinenses criam camisetas com estampas como "vivemos ditadura de esquerda". "São ideias com base no que vemos na internet", diz criador
Reprodução
Vista Direita

As estampas do Vista Direita celebram os "reacionários" e manifestam preocupação com "ditadura de esquerda"

Se para um jovem liberal “pegar mulher” ainda parece ser um “enorme desafio”, se vestir como tal já não é mais um problema. Criado por dois jovens catarinenses, o site Vista Direita oferece camisetas com estampas com dizeres como “Comunismo Mata”, "Livre Mercado" e “Mais Mises, Menos Marx”, em referência ao economista liberal Ludwig von Mises e ao teórico socialista Karl Marx.

Em sua página na internet, o Vista Direita se posta como a voz de quem tem opiniões semelhantes aos de seus criadores. “Somos você falando, somos sua expressão da verdade, somos o lado que vê. Nós desejamos oferecer não apenas uma camiseta ou uma estampa criativa, mas também uma forma de expressar aquilo que você e eu acreditamos”, diz o texto de apresentação do site de roupas dedicado aos "reacionários". Apesar de estar recheado de mensagens como esta, o Vista Direita é fruto da lei da oferta e da procura. E não de uma convicção política.

Idealizadores da loja, Daniel Peçanha, 26 anos, e Carlos Alexandre Machado, 33 anos, são formados em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina e notaram essa demanda por meio de comentários na internet. Eles se consideram de "direita", mas dizem que precisam "estudar melhor" para dizer se concordam ou não com algumas das estampas que eles mesmos criaram. Confira a entrevista com Daniel Peçanha:

CartaCapital: Como surgiu a ideia?

Daniel Peçanha: A ideia surgiu de uma necessidade do mercado, que não tem essa opção.  A gente notou na internet o pessoal falando. Nós mesmos se quiséssemos esse tipo de camiseta não tinha. A gente via outras pessoas nas redes sociais falando. Até tem outros sites, mas pouca gente trabalhando com isso.

CC: E como são criadas as estampas?

DP: São ideias criadas com base no que vemos na internet. São frases famosas na internet. Todas são expressões e coisas que já existem.

CC: Mas vocês se consideram de direita?

DP: Depende. Qual a definição de direita? Se for liberdade de expressão, livre iniciativa, liberdades individuais, a gente se considera de direita. Agora se for atrelar outras coisas...

CC: Por exemplo, ditadura militar brasileira?

DP: Não tenho muito conhecimento, na verdade, de ditadura militar. Talvez tenha que perguntar para alguém que estudou história. Ligar para o Olavo [de Carvalho]. Eu não estudei muito de ditadura e história. Só acho que algumas coisas hoje têm que melhorar, conheço sobre hoje né, estudei administração.

CC: Mas, sobre as estampas, você acha que a gente vive numa ditadura de esquerda?

DP: Essa ideia vem da internet, é o que muitas pessoas falam né: Olavo de Carvalho (filósofo), Paulo Eduardo Martins (comentarista da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná). É que muitas pessoas falam. Eu não sei, já te falei. Tem que perguntar para quem está estudando mais. É uma situação quase hegemônica da esquerda. Se a gente acha que vive em uma ditadura? Tem que perguntar para o nosso público.

CC: Então não é uma convicção de vocês?

DP: É uma estampa que o nosso público concorda. Eles falam. Uma coisa que eles propagam. Isso é uma coisa de mercado, não de convicção.

CC: Mas, por exemplo, a camisa “Comunismo Mata”?

DP: Isso é um dado histórico, só colocamos numa camiseta. Não precisa ser conhecedor de história. Todo lugar que o comunismo entrou, quantas pessoas morreram?. É uma coisa que o nosso público vê.

CC: Então, para você, Daniel, o socialismo é, por natureza, uma ideologia genocida?

DP: Não sei, não estudei tanto assim para falar.

CC: E o Ludwig von Mises Mises é o seu estudioso preferido?

DP: É um economista famoso.

CC: Que você gosta?

DP: Ele se posiciona de algumas maneiras que o nosso público gosta.

CC: Mas você tem uma familiaridade com Mises e com o tema, até para entender o que seu público gosta?

DP: Tenho uma familiaridade. Agora concordância ou não? Precisava estudar um pouco mais para ver se concordaria com tudo ou não concordaria.

CC: E como está a repercussão?

DP: Está grande, maior do que a gente esperava. As camisas estão tendo 10 mil visualizações por dia, várias camisas têm isso. Vamos ter outras estampas. A gente tem recebido uma quantidade de pedidos estampas por e-mail. As pessoas dão dicas.

CC: Como quais pedidos?

DP: Pedem algumas pessoas como Ronald Reagan (ex-presidente dos Estados Unidos), Margaret Thatcher (primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990).

CC: Algum brasileiro? O deputado Jair Bolsonaro?

DP: Não (risos), político ninguém pediu. Teve o Olavo de Carvalho (filósofo brasileiro).

CC: E vai ter camiseta do Olavo de Carvalho?

DP: A gente faz personagens históricos, Mises, Thatcher. Bolsonaro não. É um deputado que não tem nada a ver com as camisetas. Olavo é complicado porque ele está vivo e tem que pagar direitos de imagem.

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