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A difícil escolha do imigrante

por Paulo Yokota — publicado 25/06/2014 20h23
Seja o caso dos haitianos no Brasil ou dos japoneses na Malásia, está havendo uma globalização no processo de escolha dos locais para onde emigrar

Os noticiários estão repletos de artigos tratando de imigrantes legais e ilegais que procuram lugares para sobreviverem, ainda que sujeitos às condições mais severas do que aceitáveis atualmente. Muitos brasileiros procuraram os Estados Unidos, a Europa e até o Japão para conseguir melhores oportunidades, mas as restrições estão se elevando e os empregos disponíveis não são mais atraentes, obrigando muitos a retornarem. Ao mesmo tempo, haitianos e muitos bolivianos procuram o Brasil sujeitando-se a trabalhos até ilegais, em condições sub-humanas, porque onde vivem as condições são mais precárias ainda.

São constantes as notícias de que grupos de africanos e outras populações do Oriente Médio ou dos países pobres da Ásia, com baixas qualificações profissionais e inclusive por problemas políticos, procuram a Europa e países como a Austrália, usando precários meios de transporte, na esperança de serem acolhidos. Muitos acabam sendo socorridos por questão de humanidade.

Mas, como todas estas economias procuradas também batalham para manter empregos dignos para seus trabalhadores locais, estão aumentando as restrições para acolhimento destes recursos humanos.

Informa-se que a Austrália decidiu adotar uma medida controvertida proporcionando uma ajuda de US$ 9,400 para os que desistirem da tentativa de obtenção do asilo político, retornando voluntariamente para os seus países de origem, aos que tiverem seus processos de imigração já registrados. Como consta de um artigo publicado no Japan Today, com base nos despachos da agência AFP, mesmo que a população daquele país ainda seja proporcionalmente baixa para a sua extensão territorial e disponibilidade de outros recursos naturais.

De outro lado, um artigo elaborado por Kensuke Yuasa, publicado no Nikkei Asian Review, informa que outro grupo da população constituído dos aposentados japoneses e mesmo os que ainda se encontram em idade útil estão procurando outros países do Sudeste Asiático para sobreviver. Seus proventos, como os das aposentadorias, não são suficientes para viverem no Japão, onde o custo de vida é muito elevado, e desejam proteger as suas economias que conseguiram acumular.

Ainda que o Japão enfrente o grave problema de redução substancial de sua população, essas novas imigrações estão ocorrendo, um processo que não conseguem reverter, apesar dos esforços governamentais.

As estatísticas disponíveis mostram que a Malásia é o país preferido para esses idosos japoneses, tendo se elevado nos últimos anos a posição da Tailândia. Mas também países desenvolvidos recebem alguns destes imigrantes mostrando como é complexo o problema.

Na Malásia, além de o governo conceder um visto de longa duração, o custo de um apartamento de boa dimensão para uma família japonesa requer um terço do que é necessário no Japão. Alem daquele país contar com muitos serviços como restaurantes com culinária japonesa, também oferecem hoje serviços médicos com profissionais capazes de atender em japonês.

Normalmente, esses japoneses aplicam nos bancos locais as suas reservas, podendo usufruir de juros suficientes para compensarem a inflação que é moderada. Na resultante das vantagens e desvantagens, o saldo acaba beneficiando a Malásia, que aceita de bom grado os idosos, considerados bons consumidores, além de trazerem alguns recursos externos que ajudam a economia local.

Entre os inconvenientes para esses novos imigrantes existem todos os problemas relacionados à separação dos locais com os quais estavam acostumados, inclusive seus amigos e parentes. Isto favorece a escolha de lugares de onde podem viajar para o Japão num voo de menos de 10 horas, a custos que ficam cada vez mais baixos. As facilidades das comunicações, inclusive da internet, que permitem o intercâmbio das imagens, minimizam as dificuldades das distâncias físicas.

As autoridades filipinas que cuidam dos aposentados estão oferecendo isenções fiscais sobre os proventos recebidos dos países estrangeiros, além de proporcionar outros suportes para esses japoneses. Enfocam o consumo destes estrangeiros no país, além de fomentarem o turismo, que até de saúde já existe em diversos países do Sudeste Asiático.

Para locais de maior distância, inclusive o Brasil, muitos dos aposentados que trabalharam por longo tempo no país, que criaram relacionamentos locais, contando com muitos que dominam o idioma japonês, acabam permanecendo por aqui.

O que se constata é que está havendo também uma globalização no processo de escolha dos locais para residirem, ainda que por razões diferenciadas.