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A devassa nos Transportes

por Redação Carta Capital — publicado 20/07/2011 12h08, última modificação 20/07/2011 18h04
Determinação de dar à pasta um perfil técnico e minar a corrupção tem como saldo 15 exonerações em 18 dias

A crise no Ministério dos Transportes chegou nesta quarta-feira ao seu 18º dia, desde a revelação da existência de um suposto “mensalão do PR”, e produziu até agora 15 vítimas. Com viés de alta.

A cada dia, novas exonerações são publicadas no Diário Oficial da União. Só nesta quarta-feira foram três funcionários: Eduardo Lopes, que trabalhava no gabinete do ex-ministro Alfredo Nascimento; Cleilson Gadelha Queiroz, gerente de licitações de contratos da Valec (Engenharia, Construções e Ferrovias S.A); e Pedro Ivan Guimarães Rochedo, assessor da autarquia. Queiroz e Rochedo possuíam cargos comissionados.

Um dia antes, outros seis funcionários tiveram as exonerações publicadas – cinco deles ligados aos dois caciques do PR, o deputado Valdemar Costa Neto (SP) e o ex-ministro Nascimento (AM), que voltou ao Senado. O partido comanda o ministério desde o governo Lula. Um dos exonerados, Luiz Claudio dos Santos Varejão, atuava no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e era ligado ao diretor do órgão Hideraldo Caron, funcionário da cota do PT cujo afastamento já foi decidido, mas ainda não oficializado, pelo governo.

Nascimento caiu após reportagem do jornal O Globo revelar que o patrimônio de seu filho havia crescido 86.500% em dois anos. O novo titular da pasta, Paulo Sérgio Passos, também do PR, foi encarregado pela presidenta a dar um perfil mais técnico ao ministério. Um exemplo disso é a submissão do nome de Deuzedir Martins, atual gerente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e cotado, de acordo com a Folha de S.Paulo, para a secretaria-executiva do ministério ou para a direção do Dnit, para crivo do Planalto.

A crise teve início após a presidenta Dilma Rousseff enquadrar, no fim de junho, a cúpula dos Transportes em razão de uma série de aditivos realizados em obras tocadas pelo ministério. Os investimentos em rodovias e ferrovias no País constam das prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), idealizado por Dilma quando ela ocupava a Casa Civil e uma das principais vitrines do governo petista. No dia 2, a revista Veja revelou o teor do encontro, e noticiou que o encarecimento das obras ocorriam graças a cobrança de propinas das empresas responsáveis pela execução. Parte do dinheiro engordava o caixa do partido, de acordo com a revista.

Nos dias que se seguiram à notícia, uma série de revelações surgiram à tona, entre os quais contratos suspeitos entre empresas de pessoas ligadas às superintendências regionais do Dnit.

No Planalto, é dada como certa a exoneração do diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, considerado o pivô do suposto esquema. Ele só não deixou o cargo ainda porque está em férias. Até mesmo seu padrinho político, Blairo Maggi (PR-MT), admite que ele não deve voltar ao posto.

Quem também já ficou no caminho é o ex-diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves.

Pagot depôs no Congresso nos dias 12 e 13 de julho. Ele chegou a ameaçar dividir com o PT as denúncias de corrupção, seguindo uma revolta de parte do PR que ensaiou uma migração para a oposição. Os parlamentares estavam descontentes com a efetivação de Passos como ministro sem a consulta da bancada do partido no Congresso. Tanto Pagot quanto os parlamentares do PR foram demovidos. O diretor do Dnit negou as acusações e culpou à “ignorância da mídia” as suspeitas de corrupção e os membros do PR se acalmaram quando Lincoln Portela, líder da bancada na Câmara, se encontrou com o novo ministro e disse que ele contava com o apoio do partido.

Esse recuo foi interpretado por um ministro em depoimento a CartaCapital, nas bancas na sexta-feira 15. Para ele, o partido não teria como deixar a base. “Para onde o PR iria?”, ironizou.

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