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Política

Eleições 2012

A corrida maluca rumo ao Anhangabaú

por Matheus Pichonelli publicado 23/11/2011 10h22, última modificação 24/11/2011 06h51
Pouco mais de seis meses antes da largada oficial, a corrida para a prefeitura paulistana e seus bastidores já têm elemento suficiente para render, num futuro breve, roteiros para filme nonsense, à la irmãos Coen
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Prévias imaginadas no PSDB para prefeitura de SP causam fratura exposta entre caciques e diretórios tucanos

Pouco mais de seis meses antes da largada oficial, a corrida para a prefeitura de São Paulo e seus bastidores já têm elemento suficiente para render, num futuro breve, roteiros para filme nonsense, à la irmãos Coen, baseado em fatos reais. Levando-se em conta os postulantes a postulantes, o roteiro tem tudo para ser divertido – a começar pelo deputado, apresentador e cantor e autor de best-sellers, Gabriel Chalita (PMDB) que tenta viabilizar, por um novo partido, a sua candidatura a prefeito da maior cidade do País. Tem também o pagodeiro comunista, o hoje vereador Netinho de Paula (PCdoB), que ainda não decidiu se vai ou se fica na retaguarda de outra cabeça de chapa. De música e religião a disputa para 2012 não está a pé.

No PT, parte das energias foi gasta só para tirar do páreo a favorita, a senadora Marta Suplicy. Ela liderava as pesquisas de intenção de voto e que tentava retornar ao Palácio do Anhangabaú. Só que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quis outro caminho. Como com ele ninguém mexe, é o ministro da Educação, Fernando Haddad, quem vai para a disputa, sem prévias – e o trabalho, até o início oficial da corrida, é trazer agora para sua raia o apoio da ex-prefeita, que logo na largada classificou a indicação do correligionário como “erro”.

Por fim, tem o prefeito que, por ironia, é o único entre todos que não pode correr – ao menos em corpo presente. Mesmo assim, é Gilberto Kassab (PSD) até agora quem provocou os maiores estragos ao lançar o nome de alguém do seu partido recém-criado, que é justamente o vice-governador do Estado, o maior nicho tucano: Guilherme Afif Domingos. Desde 1994, quando o PSDB elegeu Mário Covas (avô de um dos postulantes a postulantes) para o governo paulista, o partido nunca mais perdeu no Estado.

A ideia do prefeito agradou caciques do ninho, entre eles o padrinho do prefeito, um tucano que já governou a cidade, o Estado e parou no meio do caminho para disputar a Presidência. Mas provocou estragos entre os colegas da capital – que, estranhamente, não falam a mesma língua de outros caciques.

Foi o prenúncio do caos. Na terça-feira, as direções municipal e estadual do partido responderam à altura: a sigla vai ter, sim, candidato próprio na capital do Estado que governa há 16 anos, em que pese a ação, manifestada no “anonimato”, daqueles “poucos que advogam contrariamente” ao projeto e que estão, “sem dúvida alguma, distante do pulsar das ruas”.

Na nota – ao que se diz, patrocinada até mesmo pela direção nacional – não há referência direta ao Twitter, trincheira distante do pulsar das ruas cavada pelo ex-presidenciável José Serra, mas o alvo parece claro. Tudo porque o partido quer definir seu candidato por meio de prévias, mas a ideia desagrada justamente Serra, que jura por todos os santos não ter o menor interesse em concorrer novamente ao cargo. Blefe? Bode na sala? Estratégia para 2014?

Nem os deuses talvez tenham a resposta. Enquanto isso, os ânimos seguem exaltados e expondo a casa dia a fratura de um partido que já assistiu, só neste ano, à debandada de cinco vereadores paulistanos para outras legendas, argumentando justamente falta de espaço nos diretórios.

“As vivandeiras e aqueles que não pertencem ao PSDB e tentam nos dividir padecem de fraqueza. Estão desprovidos do espírito de luta que é inerente ao PSDB ou movidos por interesses inconfessáveis. A esses, só nos resta lamentar, pois perderão a oportunidade histórica de fazer parte deste momento do partido”, termina a nota, assinada pelos presidentes do diretório municipal (Julio Semeghini) e estadual (Pedro Tobias) de São Paulo.

A guerra, pelo jeito, mal começou.

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