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Política

Direto de Salvador

A Bahia e as mudanças políticas

por Emiliano José — publicado 07/10/2010 09h40, última modificação 07/10/2010 09h41
O colunista Emiliano José escreve sobre a política baiana e a reeleição do governador Jaques Wagner (PT)

Diante das mudanças, o pensamento conservador, o tradicional ou mesmo aquele eventualmente travestido de progressista, sempre pretende afirmar que nada mudou, que tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes. As mudanças, sob a democracia, não são feitas de um golpe, abruptamente. Já acreditamos nisso, e ainda há aqueles que cultivam essa visão, raros é verdade. Desde que li Gramsci, compreendi isso.

Fazemos muito mais, no Ocidente, e na América Latina, a guerra de posição que a guerra de movimento. Aliás, enquanto a esquerda insistiu na guerra de movimento, perdemos. Quando começamos, em todo o Continente, a guerra de posição, avançamos e muito, sob o leito da democracia, da qual não podemos e não devemos abrir mão.

E chego, então, à Bahia. Estamos experimentando um extraordinário processo de mudanças. Durante décadas, uma oligarquia comandou a política baiana, promovendo a chamada modernização conservadora do Estado – conceito que considera que a modernização deixou sempre o povo de lado. E uma modernização levada à frente com mão de ferro, fundada no autoritarismo, na truculência, que não descartou a utilização de meios de comunicação de massa sob controle da mesma família. Sobre isso já desenvolvi vários artigos, aqui mesmo neste jornal, especialmente quando A Tarde era claramente discriminada pelo poder de então. Uma modernização que produziu, entre tantos malefícios para o povo, mais de 2 milhões e 300 mil analfabetos.

Em 2006, o povo decidiu começar uma nova fase na vida da Bahia: democrática e republicana. Agora, novamente, a população baiana, e de modo insofismável, garantiu um segundo mandato para esse projeto, reelegendo o governador Wagner. Rigoroso na aplicação dos princípios republicanos, convencido de que a democracia é o nosso leito, Wagner tem governado à base do diálogo. Nada de um chicote numa mão, a sacola de dinheiro na outra, triste bordão de um passado que não queremos ver repetido no Estado.

Diálogo que ele cultivou com a população, tanto diretamente, percorrendo quase todos os municípios baianos, quanto promovendo 28 conferências setoriais em seu primeiro mandato, evidenciando um constante diálogo entre o governo e os movimentos sociais. Lembro também a elaboração do Plano Plurianual, que contou com a participação de mais de 40 mil pessoas nos encontros realizados nos 26 territórios de identidade. Diálogo que ele manteve com os prefeitos, com o Legislativo, com o Judiciário. Não é mais a política do manda quem pode, obedece quem tem juízo, que esperamos definitivamente sepultada em nosso Estado, a bem da vida democrática.

Lembro que quando deputado estadual, a Assembléia Legislativa, sob domínio oligárquico, não tinha o direito de acessar as contas públicas. Era assim mesmo, não estou enganado. Agora, a transparência é uma determinação de governo, e as contas públicas estão à disposição de qualquer cidadão, e não apenas dos deputados. São incontestáveis conquistas políticas, que revelam as muitas faces positivas de uma nova hegemonia em construção. Essa nova hegemonia alimenta cotidianamente a idéia de que a democracia rima sempre com inclusão social.

E foi por isso que levou à frente programas como o Todos pela Alfabetização, que alfabetizou até agora mais de 500 mil baianos, o Água para Todos, que beneficiou mais de 2 milhões de pessoas, e o maior programa de habitação das últimas três décadas, isso para citar algumas poucas das muitas iniciativas do novo governo. E esse clima político, junto com uma orientação administrativa dinâmica, possibilitou que o PIB da Bahia crescesse acima da média nacional e que o Estado batesse todos os recordes na geração de empregos com carteira assinada.

A Bahia mudou e vai mudar muito mais. Está experimentando mudanças políticas, sociais e culturais de grande significado. A decisão do povo de reeleger Wagner é decorrência disso. A cidadania vai se consolidando, a consciência do nosso povo amadurece a cada eleição, por mais que se queira desacreditar o processo político. Os que lamentam as decisões populares vão ficando para trás, inapelavelmente.

*Jornalista, escritor. E-mail: [email protected]
www.emilianojose.com.br

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