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Debandada

A agonia dos tucanos

por Redação Carta Capital — publicado 29/04/2011 10h35, última modificação 29/04/2011 11h19
Em meio à crise, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM. O cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da FGV-SP avalia que a estratégia interessa mais aos democratas que aos tucanos. Da Redação

A oposição parece cada vez mais sem rumo. Após a debandada de seis vereadores da bancada do PSDB- na Câmara de São Paulo, um dos fundadores do partido, o ex-deputado Walter Feldman, anunciou que deixará a sigla. Não está certo o seu destino, embora o mais provável seja a migração para o recém-criado- PSD, de Kassab. O ex-deputado Ricardo Montoro também sinalizou que pretende sair.

Em meio à crise, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM. A CartaCapital, o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da FGV-SP, avalia que a estratégia interessa mais aos democratas que aos tucanos. E destaca a sobreposição dos interesses pessoais como uma das principais causas da conjuntura.

CartaCapital:  O que explica essa debandada?

Cláudio Gonçalves Couto: É o reflexo de uma crise de liderança e projeto. Nenhum partido sobrevive sem um projeto de poder, o que implica a formação de consensos, a aceitação dos grupos minoritários e as compensações a eles. Mas, nessa guerra fratricida entre Serra e Alckmin, está difícil arrefecer as disputas internas.

CC: O que está em jogo?

CGC: A aliança entre Serra e Kassab para a eleição de 2008 impôs uma derrota vexatória para Alckmin, que, naturalmente, quer vir à forra. Além disso, o governador paulista tem pretensões de se reeleger em 2014. E novamente enfrentará Kassab. Tanto para Alckmin como para o seu aliado Aécio Neves, o ideal seria que Serra se candidatasse a prefeito de São Paulo. Mas o presidenciável derrotado nas últimas eleições se recusa a desempenhar um papel meramente regional.

CC: E a fusão do PSDB com o DEM, faz sentido?

CGC: Para o DEM, sim. A bancada do partido tem diminuído a cada eleição e, com a criação do PSD, eles perderam 11 deputados e uma senadora. Estão em decadência. O PSDB passa por um momento difícil, mas tem oito governadores, uma bancada forte. Essa fusão poderia desgastar os tucanos com o eleitorado de centro-esquerda.

CC: E como sobreviver?

CGC: O PSDB pode se assumir como um partido liberal do ponto de vista político. Até porque o PT já assumiu o papel de defesa da social-democracia. O PSDB precisa propor algo novo para se diferenciar. Não se trata de se afastar do povão, como disse FHC. É possível ser liberal e popular. •

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