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Política

Ato pela Democracia

Lula: movimentos devem "forçar negociação com governo"

por Marcelo Pellegrini — publicado 01/04/2015 09h06, última modificação 01/04/2015 09h22
A uma plateia de sindicalistas e lideranças políticas, o ex-presidente pediu calma para que Dilma faça os "ajustes necessários", mas defendeu maior participação nas decisões
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Lula

O ex-presidente Lula cercado por líderes sindicais e lideranças partidárias no ato desta terça-feira 31

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva disse, na noite desta terça-feira 31, que os movimentos sociais "não querem ser convidados só para festas, mas também querem discutir coisas sérias [com o governo]". A declaração veio um dia após o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgar um manifesto recomendando à sigla sair "da defensiva" e retomar a "iniciativa política" em parceria com os movimentos sociais.

Para uma platéia sindicalistas e lideranças políticas, Lula admitiu que o governo cometeu equívocos na condução da economia e pediu calma aos movimentos sociais e centrais sindicais para que Dilma possa realizar os "ajustes necessários" e "reconduzir o país ao crescimento".

"Foi um equívoco não aumentar a gasolina desde 2002, mas o aumento não aconteceu justamente pelo cuidado com o controle da inflação", justificou. "Agora, alguém tem de pagar pelo ajuste e essa conta vai para o povo porque é ele quem produz [riquezas]". Por outro lado, Lula afirmou que o ajuste é temporário. "Quando as coisas melhorarem, a Dilma começa a reajustar novamente, desta vez, favorável ao povo brasileiro", afirmou.

O ato desta terça-feira 31, realizado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, foi o primeiro após o PT sugerir a articulação de uma frente de siglas de esquerda, incluindo centrais sindicais e movimentos sociais, para enfrentar a oposição ao governo Dilma. "Quem estendeu a mão para me salvar não foi o mercado, foi a classe trabalhadora e a Dilma sabe disso", afirmou Lula, em agradecimento ao apoio recebido dos movimentos sociais durante a crise política de 2005, decorrente do escândalo do "mensalão". "Agora, temos que parar de reclamar e forçar a negociação com o governo", disse.

Apesar de Dilma enfrentar baixos índices de popularidade e uma onda pró-impeachment no início de seu segundo mandato, Lula disse que a presidente tem condições de "terminar [o mandato] melhor do que eu terminei".

Corrupção e Petrobras

Em seu discurso, Lula também saiu em defesa da Petrobras ao dizer que os delatores da Operação Lava Jato são "bandidos que passaram a virar heróis" para a oposição e que está "indignado" com a corrupção. "O bandido pega 40 anos de prisão, vai fazer delação premiada e vira herói. Diz 'eu acho que...' e nem precisa de juiz, a imprensa já condenou", disse se referindo ao doleiro Alberto Yousseff, que é reincidente em acordos de delação premiada envolvendo dois diferentes escândalos de corrupção.

"Se tem um brasileiro indignado, este sou eu. Quero saber se alguém vai ter coragem de dizer que esse moço esteve envolvido com corrupção. Mas ele conquistou o direito de andar de cabeça erguida", disse Lula, referindo-se ao ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, presente no evento. Para o ex-presidente, os simpatizantes do PT não devem "abaixar a cabeça" porque "ninguém, em sã consciência, deve deixar de agradecer aos 12 anos do governo do PT por tirar o tapete que encobria a corrupção no País".

Segundo ele, os governos petistas foram os que mais investiram e deram autonomia aos órgãos investigativos do Estado. "Fomos nós [os governos do PT] que colocamos um representante do Ministério Público indicado pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que dobramos o número de policiais federais, os investimentos em inteligência".

Frente de esquerda

Após o ato, tanto lideranças petistas quanto de movimentos sindicais defenderam um maior diálogo com o governo Dilma. Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, as centrais sindicais, os movimentos sociais e os partidos de esquerda devem se unificar para agir contra o retrocesso, o conservadorismo e a perda de direitos trabalhistas. "A frente não é só para eleição. Queremos atuar na sociedade contra propostas contra a criança, como a redução da maioridade penal, a mulher,  os trabalhadores. É uma frente pela defesa dos direitos civis", disse. Segundo ele, a frente de esquerda é composta pelo PcdoB, Psol, PT, além da CUT, MST e diversos outros movimentos sociais.

O presidente do PT, Rui Falcão, concorda com Freitas: "a presidenta está precisando dar uma arrumada na casa, mas isso deve ser feito em diálogo com os movimentos sociais que estão defendendo o mandato dela e tenho certeza de que ela [Dilma] vai fazer isso".

Para Rui Falcão, a frente de esquerda ainda é uma "ideia em construção" e depende de atos, debates políticos e "uma plataforma unitária que tenha no centro a defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e reformas importantes para o País continuar avançando". Entre as reformas citadas pelo presidente do PT estão: o fim de doações empresariais para campanhas, a aprovação do imposto sobre grande fortunas, e as reformas tributária, agrária e da mídia.

Além de São Paulo, o ato desta terça-feira também irá se repetir em mais 25 cidades brasileiras de 1º e 7 de abril. A Plenária Nacional por Mais Democracia, Mais Direitos, Combate à Corrupção e em defesa da Petrobras (nome do ato desta terça) contou com a presença de lideranças do PT e do PCdoB e de movimentos sociais como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Central dos Trabalhadores do Brasil entre outros movimentos sociais.