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40 horas sem redução salarial: mais civilidade para o Brasil

por Plínio Arruda Sampaio — publicado 30/08/2010 14h45, última modificação 30/08/2010 17h39
Plínio Arruda Sampaio: "O Brasil tem uma das maiores e mais extenuantes jornadas de trabalho do mundo. Ainda temos trabalhadores morrendo de fadiga"

Nestas eleições, um tema deveria ter ganho destaque em todos os planos dos candidatos que se apresentam ao Brasil: a redução da jornada sem redução salarial. Reivindicação histórica dos trabalhadores desde a revolução industrial, a diminuição do número de horas trabalhadas reuniu todas as centrais sindicais brasileiras (até mesmo as do chamado sindicalismo de resultados) numa campanha que percorreu o Brasil de norte a sul no último um ano e meio.

No entanto, já no primeiro debate televisivo deste pleito, no último dia 5, na TV Bandeirantes, os outros três postulantes que comigo participaram do confronto político colocaram-se contra a regulamentação constitucional da redução da jornada formal de trabalho no Brasil, de 44 para 40 horas semanais. Dilma e Serra afirmaram que os sindicatos e trabalhadores devem se entender com os patrões para adequar o tempo dedicado à venda da força de trabalho de acordo com as condições possíveis em cada ramo. Marina não se pronunciou sobre o assunto.

O Brasil tem uma das maiores e mais extenuantes jornadas de trabalho do mundo. Em pleno século XXI ainda temos trabalhadores morrendo de fadiga, em condições análogas às da escravidão, nas lavouras de cana de açúcar.

De acordo com estudo divulgado agora em julho pelo DIEESE, diferentemente do que alardeiam os patrões, o custos dos encargos sociais sobre os já baixíssimos salários pagos no país é de apenas 25,1%. No sentido inverso, a produtividade dos trabalhadores brasileiros cresceu 84% entre 1998 e 2008. E o custo da redução da jornada de trabalho sem redução salarial teria um impacto de menos de 2% no custo total de produção do setor industrial.

Aumento que seria rapidamente reabsorvido por novos saltos de produtividade decorrentes do tempo extra para o trabalhador se qualificar, dedicar-se à família e ao lazer, ganhando em qualidade de vida.

Além disso, toda a sociedade ganharia pois automaticamente a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salários geraria um potencial de abertura de 2,5 milhões de novos postos de trabalho. Mais emprego significa mais dignidade para o povo, menos violência, mais civilidade. Mesmo assim, apesar de se dizerem “defensores do povo”, que “o Brasil pode mais” ou que serão “mães de pobres”, os candidatos da ordem recusam-se a defender a jornada constitucional de 40 horas sem redução salarial. Só podem achar que o povo é bobo.

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