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Paraná: primo de Beto Richa é preso em Londrina

por Redação — publicado 17/03/2015 16h35, última modificação 18/03/2015 16h00
Luiz Abi Antoun é suspeito de ganhar uma licitação suspeita no ano passado e está na Penitenciária de Londrina; para cunhado de Richa, era ele quem dava as cartas no governo
Luiz Abi Antoun

O primo de Richa, Luiz Abi Antoun

O primo do governador do Paraná Beto Richa (PSDB), Luiz Abi Antoun, foi preso com outras três pessoas na terça-feira 16 por determinação da 3ª Vara Criminal de Londrina. Nesta quarta-feira, foi transferido para a Penitenciária Estadual da mesma cidade. Empresário e lobista, ele é acusado de participar de uma suposta fraude em uma licitação feita às pressas em dezembro do ano passado para o conserto de carros de propriedade do governo do estado.

De acordo com o Jornal de Londrina, Abi é dono da Providence Auto Center, empresa que levou R$ 1,5 milhão no certame. Além da licitação suspeita, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acredita que a empresa de Abi superfaturava o valor cobrado pelo serviço e peças substituídas.

Assim que a denúncia surgiu na imprensa paranaense, a Agência Estadual de Notícias (AEN) apagou, por meio de um programa de computador, a imagem de Abi em uma foto em que ele aparece conversando com Richa. Em nota oficial, o governo do estado afirmou que o lobista não mantinha cargo público e que era apenas um “parente distante” do governador.

Para o cunhado de Richa, Avelino Antonio Vieira Neto, Abi era mais que um primo: governava “de fato” o Paraná. “Manda muito mais”, disse ele. No Facebook, se referiu ao lobista como “um dos personagens mais ricos do Paraná". "O sempre lembrado e pouco visto Luiz Abi continua importante como sempre foi destacando-se desde já em 2015. Emplacou muito dos seus, especialmente na Sanepar [Companhia de Saneamento do Paraná], onde a água vai ficar muito mais turva com o novo presidente”.

Opositor, o deputado federal João Arruda (PMDB) cutucou Richa no Twitter ao afirmar que o Paraná ficou sem “governador” com a prisão do lobista. “Ezequias [Moreira] investigado e o Luiz Abib preso?! Quem vai governar o Paraná?”, questionou o peemedebista.

Os outros presos são Ismar Ieger, da Providence, Roberto Tsuneda, da KLM Brasil – Indústria Eletrônica e o advogado José Carlos Luca. Quando foi preso, Abi estava em um hotel na capital. “Existe a suspeita de superfaturamento, mas não tem nada apurado ainda”, afirmou o coordenador do Gaeco em Londrina, promotor Cláudio Esteves.

As supostas irregularidades na licitação fazem parte da terceira linha de investigação do Ministério Público de Londrina. A primeira apura a facilitação à prostituição de adolescentes e a segunda tenta mensurar a evolução patrimonial de fiscais e auditores que foram presos no caso de prostituição. Eles são suspeitos de cobrar propina para facilitar a quitação de dívidas de empresários com o Fisco.

A ruína de Richa

Transcorridos menos de dois meses de seu segundo mandato, Richa se debatia com uma crise que nada lembrava sua arrebatadora vitória de reeleição no primeiro turno, com 55% dos votos. Falta dinheiro para pagar os servidores e consertar as viaturas policiais. Os professores comandaram um movimento raro que obrigou o governo a recuar de um pacotaço que limitava direitos trabalhistas e avançava sobre a aposentadoria dos funcionários, apesar da ampla base na Assembleia Legislativa. “O Richa mentiu para o povo”, afirma a servidora aposentada Maria do Rosário.

Os sinais claros da falência surgiram ainda no ano passado, quando policiais militares foram vistos nas ruas de Curitiba a empurrar viaturas sem combustível. Oficiais formados pela Academia da PM do Guatupê não receberam os soldos compatíveis à função e até a ração dos cães da corporação chegou a ser racionada. Em março, a então secretária da Fazenda, Jozélia Nogueira, deixou o cargo após revelar uma dívida de 1,1 bilhão de reais com fornecedores. Por causa da corrida eleitoral, o assunto acabou abafado.

O rombo paranaense não se explica pela falta de dinheiro, apesar de o governo estadual reclamar do “descaso” de Brasília. Durante os quatro anos de seu primeiro mandato, Richa viu as receitas correntes crescerem quase 60%, de 24,2 bilhões para 38,6 bilhões de reais. Mesmo com o aumento da arrecadação, o estado passou longe de equilibrar as contas e encerrou o ano passado com um déficit de 4,6 bilhões.