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Política

Eleições 2014

“Esquerda vive crise”, diz Randolfe ao desistir de disputar Presidência pelo PSOL

por Renan Truffi publicado 13/06/2014 20h36, última modificação 13/06/2014 20h58
Senador afirma não ter conseguido unir partidos de esquerda, que não entendem manifestações populares. Ele será substituído pela ex-deputada Luciana Genro
Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) anunciou nesta sexta-feira, 13, que não vai mais disputar a Presidência pelo partido nas eleições de 2014. Em entrevista a CartaCapital, o senador explicou que não conseguiu “unir” o partido e que a esquerda brasileira vive uma crise por ter apenas um nome que possa representar uma novidade: o do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Com isso, a Direção Nacional do PSOL comunicou que a ex-deputada federal Luciana Genro será a pré-candidata à Presidência da República pelo partido.

“As forças progressistas estão divididas. Eu não consegui unir o partido. Os modelos tradicionais de partido e movimentos sociais estão em xeque. Por isso, eu acho que o PSOL tem que estar à altura de novos desafios. A principal figura para liderar isso seria o deputado Marcelo Freixo. (Com ele) apresentaríamos uma candidatura com chance de chegar a 10% dos votos e alterar o cenário eleitoral. Acho que o Marcelo poderia fazer o PSTU, o PCB e os outros partidos de esquerda reverem suas posições de lançarem candidaturas próprias”, argumentou.

A oficialização de Luciana Genro como opção para disputar a Presidência no lugar do senador Randolfe Rodrigues deve ocorrer na Convenção Nacional do PSOL, nos dias 21 e 22 de junho, em Brasília. Rodrigues disse que vai apoiar a colega de partido, mas que o PSOL não tem um nome mais forte que o de Marcelo Freixo para a disputa. “Por melhor que seja o nome dela, nós não vamos sair do lugar”, afirmou o senador.

Para o senador, uma das razões para esta estagnação é que a esquerda não entendeu os protestos que se espalharam pelo Brasil a partir de junho de 2013. "O Brasil se sente órfão porque as frentes de esquerda fizeram uma leitura incorreta dos sentimentos das massas e da indignação que surgiram nas manifestantes de junho. Acharam que estávamos diante de uma grande oportunidade, mas os movimentos não conseguiram se atualizar", disse ao fazer uma espécie de autocrítica.

Em comunicado, a direção do partido disse ter sido informada por Randolfe Rodrigues, escolhido como pré-candidato à Presidência no IV Congresso Nacional do PSOL de que ele não estará mais disponível para se lançar. “Sua desistência estaria vinculada à necessidade de construir uma alternativa política contra o retorno das forças conservadoras no estado do Amapá, unidade da federação pela qual elegeu-se senador”, disse o texto, ao ressaltar que sua saída “representa um prejuízo na construção de uma alternativa de esquerda nestas eleições”.

Em carta aos militantes do PSOL e à direção do partido, Randolfe Rodrigues alertou para o que chamou de “grande ofensiva conservadora”. “Cada vez mais, forças sociais unificadas em torno de personalidades e discursos estão empenhadas em fazer retroceder direitos e colocar o Brasil na via expressa do neoliberalismo”, criticou.