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Odebrecht mira concessões e vê melhora na relação entre governo e empresariado

por Miguel Martins publicado 30/10/2013 15h38, última modificação 30/10/2013 16h41
Segundo o presidente-executivo de infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Junior, a empresa teme nova rodada de aumento de juros
André Luy
Marcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht, ao lado dos empresários Josué Gomes (Coteminas), Abílio Diniz (BRF) e Roberto Setúbal (Itau) e do ministro da Fazenda, Guido Mantega

Envolta em grandes projetos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a Odebrecht, ganhadora da categoria Construção Pesada no prêmio As Empresas Mais Admiradas no Brasil 2013, prevê para este ano um crescimento um pouco menor em sua divisão de infraestrutura se comparado aos dois anos anteriores. A conclusão de três arenas este ano - Maracanã, Arena Pernambuco e Fonte Nova - aproxima a multinacional de seus objetivos para o Mundial. Falta apenas erguer o estádio do Corinthians, em Itaquera, previsto para fevereiro do próximo ano.

Segundo o presidente-executivo de infraestrutura da empresa, Benedicto Barbosa da Silva Junior, o arrefecimento deve ser compensado com os projetos olímpicos para o próximo triênio, que incluem a expansão da rede de metrô carioca e a construção do Parque Olímpico. Fora isso, a empresa voltará suas atenções para os pacotes de concessão de rodovias e obras de mobilidade urbana, além de estudar uma possível participação nos leilões dos aeroportos do Galeão (RJ) e de Confins (MG).

A respeito das concessões, apesar das críticas de parte da imprensa e do setor privado às dificuldades de diálogo entre o governo federal e o empresariado, Silva Junior garante que a situação melhorou. “O governo tem uma percepção clara de que é preciso enxergar os interesses da inciativa privada, pois ela, por si só, é capaz de enxergar a melhor forma de desenvolver os projetos. E muitas das obras de infraestrutura têm a cara da iniciativa privada. No começo houve uma queda de braço, mas passou. Há uma interação muito grande entre os agentes do governo e as empresas interessadas em participar dessa nova rodada de projetos.”

O executivo demonstra, porém, preocupação com a possibilidade do aumento da taxa Selic. Atualmente em 9,5%, o mercado prevê que os juros podem chegar a dois dígitos em breve. “Os juros altos são sempre preocupantes, porque criam uma diferenciação entre o nosso setor de infraestrutura e os demais setores. Nosso setor tem tido um dificuldade natural em atrair capitais privados, pois são de projetos de risco, de longa maturação. Qualquer possibilidade de mudança procuramos acompanhar para também influenciar, para que a mudança seja positiva para atrair mais capital para infraestrutura”, afirma.

A respeito das diferenças entre as obras para a Copa e para as Olimpíadas, ele diz serem mais complexos os projetos olímpicos por três fatores: maior dimensão, estrutura de financiamento diferenciada – cerca de 95% dos jogos serão pagos com recursos públicos - e um planejamento de transição. “Os projetos olímpicos são transitórios, serão estruturas ativas durante os jogos, que servirão de legado após as Olimpíadas. Não é a mesma coisa de fazer uma Arena para abrigar Copa do Mundo e depois seguir com o calendário do futebol brasileiro. As Olimpíadas demandam uma estrutura mais refinada.”

Para concluir seus quatro estádios da Copa, a Odebrecht vem encontrando dificuldades na Justiça para fechar o financiamento do BNDES ao Itaquerão. Em agosto, uma ação no TRF de São Paulo questionando a situação fiscal do Corinthians foi rejeitada. Silva Junior garante que o crédito de 400 milhões de reais vai sair. “Ele está aprovado, está na fase de liberação no BNDES. A demora é um processo que eu considero normal.”