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Mais Admiradas

As empresas mais admiradas no Brasil

As empresas mais admiradas no Brasil em 2014

por Redação — publicado 10/11/2014 23h15
Confira quais foram as dez empresas eleitas por CartaCapital

Da capacidade de invenção da Apple aos volumosos investimentos da Coca-Cola na Copa do mundo, conheça as receitas que tornaram estas empresas sinônimo de sucesso.

Apple: Reputação global
A capacidade de reinvenção assegurou-lhe a primeira posição entre As Empresas Mais Admiradas

Três anos depois da morte de Steve Jobs, a Apple continua nas manchetes do mundo inteiro e chega, pela primeira vez, à posição de a mais admirada empresa entre os executivos brasileiros, um indicador da sua capacidade de reinvenção diante de uma concorrência mais acirrada. Em setembro, na mais concorrida apresentação anual de seus produtos desde a última aparição de Jobs, em 2011, o presidente da empresa, Tim Cook, apresentou a novidade mais recente, o Apple Watch, primeira nova linha de produtos posterior ao período da gestão do visionário criador da empresa de Cupertino, na Califórnia.

O aparelho, após o lançamento de relógios inteligentes por empresas concorrentes, apresenta alguns detalhes diferenciadores. A tela é de safira, resistente a riscos e sensível ao toque, capaz de reconhecer diferentes pressões por causa do uso da tecnologia Force Touch. Diferentemente dos modelos tradicionais, a coroa digital é usada para navegar na internet com o toque de um dedo. Sensores em contato com a pele detectam batimentos cardíacos e podem ser usados em aplicativos de saúde.

A maior revolução está em outra inovação, a tecnologia Apple Pay, caminho para a empresa ingressar no bilionário mercado de pagamentos eletrônicos e concorrer com gigantes como o PayPal, do Ebay. Neste novo nicho, a empresa terá outro trunfo, os novos modelos do iPhone lançados no mercado americano em setembro, com o recorde histórico de 10 milhões de aparelhos vendidos em três dias. A tecnologia possibilitará transformar o celular ou o relógio inteligente em carteiras digitais para compra de aplicativos ou aquisição de produtos vendidos pela loja digital da Apple. “Nossa expectativa é substituir carteiras”, disse Tim Cook durante sua apresentação. A “carteira” digital é baseada em um leitor biométrico embutido no celular e no relógio, para autenticar a compra.

Para assegurar o impacto da novidade, a Apple costurou um acordo com as principais bandeiras de cartão de crédito, Visa, Mastercard e American Express, responsáveis por, aproximadamente, 85% do mercado americano.  O usuário pode utilizar o cartão já registrado na sua conta da loja digital da Apple ou acrescentar novos a partir de uma foto daquele já existente, para compras em terminais de pagamento de lojas, no interior de aplicativos ou sites de e-commerce. Além de recorrer à sua rede própria de varejo, a Apple firmou acordos para instalar terminais em grandes empresas americanas como McDonald’s, Sephora, Bloomingdale’s, Disney e Walgreens e ampliar o seu alcance.

Apple

Google: a metamorfose ambulante
Líder de buscas na internet brilha nas áreas de publicidade, comunicação, celulares e soluções urbanas

Em agosto, os cerca de 600 mil habitantes de Sorocaba, no interior paulista, tornaram-se os primeiros da América Latina a contar com serviço de transporte público provido de um sistema com informações sobre linhas, rotas, quantidade de paradas, distâncias, tarifas e horários dos ônibus municipais, atualizados em tempo real pelo aplicativo Google Transit. Os dados, fornecidos pela Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social de Sorocaba, permitem aos usuários saberem com exatidão o horário de chegada do ônibus, mesmo quando estiver atrasado ou adiantado em relação ao padrão. Esse recurso está disponível tanto no celular quanto no computador e ajuda os habitantes a planejarem seus deslocamentos. Não foi a única novidade neste ano. Em junho, chegou ao mercado o Chromecast, dispositivo do tamanho de um pen drive conectável à tevê capaz de captar conteúdos da internet e do celular e exibi-los diretamente na tela do aparelho.

Nascido como um sistema de buscas pela internet, o Google, nome originado de uma variação da palavra “googol”, termo matemático para o número representado pelo dígito 1 seguido de cem dígitos 0 (zero), tem, desde 1998, ampliado seu alcance. Tornou-se uma empresa de comunicação cada vez mais abrangente, com desenvolvimento de soluções de mobilidade urbana a celulares. O motor é o foco em inovação. Em 2013, foram investidos 8 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento de produtos, segundo o relatório anual da empresa.

O Google é, de longe, a maior empresa de publicidade online no mundo. Segundo estimativas da empresa de consultoria eMarketer, a gigante de buscas pela internet deverá faturar 44 bilhões de dólares com a venda de espaço publicitário pela internet neste ano, 15% acima do apurado ano passado. Mas pretende ampliar seus horizontes de negócios e transformar alguns segmentos.

Uma das frentes de atuação é o projeto Ara, que incorpora uma nova visão sobre os smartphones e poderá revolucionar esses aparelhos. Uma equipe de desenvolvedores projeta um celular com módulos no lugar do processador, da memória e de outros componentes. A ideia é diminuir o descarte de eletrônicos e vender smartphones a um preço substancialmente menor, de 50 dólares. Ao usar módulos, o usuário pode trocar qualquer peça do dispositivo, da tela à bateria, memória interna, alto-falantes, câmera ou conector de energia. O sistema de módulos funciona por eletroímãs que mantêm as peças nos lugares corretos. O primeiro aparelho deverá chegar ao mercado em 2015. O projeto pode significar a reinvenção da indústria de dispositivos móveis e trazer novas possibilidades de customização de eletrônicos em massa.

Natura: Voo multidirecional
Empresa procura associar uma gestão humana à responsabilidade financeira, social e ambiental

Ano após ano, a Natura mantém-se entre as mais admiradas empresas do Brasil por vários e bons motivos. A dimensão humana da sua gestão, comprometida com a responsabilidade financeira, social e ambiental, é uma das qualidades mais destacadas nas avaliações.

Tanto as decisões estratégicas quanto as rotineiras denotam a influência de uma cultura corporativa diferenciada. Um exemplo é o das reuniões das equipes de vendas, tradicionalmente feitas por região em determinados períodos do ano. O procedimento foi reexaminado e decidiu-se mudar o processo. Representações de todo o Brasil passaram a se reunir periodicamente em um único local. Os custos de viagem ficaram mais altos, mas houve ganhos de escala em relação aos valores das diárias, da alimentação e do aluguel do espaço corporativo utilizado para o evento. O principal benefício foram avanços significativos na uniformidade e na eficácia do aprendizado. “O processo ficou melhor e mais padronizado”, diz José Vicente Marino, vice-presidente de Marcas e Negócios.

O grupo lançou em junho a Rede Natura, um novo canal para as consultoras criarem páginas na internet ou usarem redes sociais na venda do portfólio de produtos da fabricante de cosméticos. A iniciativa amplia a inteligência de negócios da empresa, pode aumentar a quantidade de transações e atrai profissionais hoje não incluídos na rede de distribuição da marca. Com a inovação, é possível controlar as informações sobre os produtos comprados pelos clientes, estimar o momento de reposição e alertar a consultora sobre a necessidade de procurá-los para uma nova venda. “O antigo caderninho para controle foi convertido em uma ferramenta mais inteligente.” O projeto, em teste no estado de São Paulo, deverá ganhar alcance nacional até 2015 e permite atrair colaboradores sem o perfil tradicional. “Com poucas interações pela internet, pode-se fazer um pedido e vender um produto.”

A empresa pretende fortalecer a sua rede de varejo tradicional. Em 2015, deverá inaugurar uma loja na Rua Oscar Freire, em São Paulo, onde a marca surgiu em 1969. Nos próximos cinco anos, a intenção é abrir outros pontos de venda nas principais capitais das cinco regiões do País. “É uma forma de criar mais conteúdo e conhecer o mercado”, diz Marino.

A busca da eficiência na gestão de custos inclui, em 2012, a criação da Central de Serviços Compartilhados, uma oportunidade de revisar e simplificar processos.

A Natura avança também na frente externa. Mantém mais de 400 mil consultoras e 1.300 colaboradores em países da América Latina, com 30% das vendas supridas por produção local e o restante com itens fabricados no Brasil. O segmento representou 14% da receita em 2013. Uma vez por ano, o Conselho de Administração se reúne em um dos países de atuação.

Itaú: avanço online
A digitalização dos serviços e a incorporação de novas tecnologias impulsionam o crescimento

O futuro já chegou para o Itaú Unibanco, única instituição financeira presente na lista das dez mais admiradas. Entre 2013 e 2015, o banco investirá 10 bilhões de reais na área de tecnologia, ampliará a digitalização da base de clientes e seu acesso a operações remotas de telefones móveis ou tablets e construirá um novo centro de dados em Mogi-Mirim (SP) para apoiar o crescimento da base de informações. O foco na tecnologia não é novidade no histórico do banco, conhecido como uma instituição de engenheiros, mas busca reforçar o posicionamento do Itaú Unibanco diante de uma dupla constatação.

De um lado, o número de clientes no banco cresce 5% ao ano, com o aumento da digitalização. Perto de 18% da população já possui smartphones e cada indivíduo gasta 13,8 horas por mês nas redes sociais, um dos mais elevados índices do mundo. De outro, investir em novas tecnologias é oferecer serviços mais baratos, revisar processos, automatizar muitos deles e se antecipar a um futuro em que os centros de atendimento telefônico ao correntista terão menos importância. “A digitalização dos serviços é uma tendência e nós temos um foco muito importante nisso, porque a incorporação de novas tecnologias nos torna mais eficientes e produtivos”, afirma o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.

Em um momento de ressurgimento da preocupação com a inflação nas empresas e redução do ritmo de crescimento das receitas de serviços bancários, o esforço para aumentar a produtividade e a eficiência é redobrado. “Nosso objetivo é que as despesas correntes andem no máximo no limite da inflação, ou seja, as receitas têm de continuar crescendo acima do aumento de custos.” Para atingir a meta, as diversas áreas do banco ganharam maior autonomia de decisão e uma estrutura mais simples. Com o tempo, os departamentos adquiriram poder e passaram a criar células no seu interior. “A área de negócios contava com um departamento de marketing próprio, em outras havia células de finanças e setor jurídico. Estamos revisando processos para evitar essa duplicação de esforços.”

A gestão mais eficiente foi recompensada. No primeiro semestre, o Itaú Unibanco registrou lucro de 9,3 bilhões de reais, alta de 32% em comparação anual e o maior entre todas as instituições financeiras no País. Os números devem aumentar em ritmo forte nos próximos anos. O crédito imobiliário, os ramos de seguros e de previdência ainda têm baixa penetração na população, o que indica alto potencial de crescimento futuro. “Quando a inflação ceder, o juro devera cair e estimular o crédito imobiliário, que poderá crescer de 20% a 30% ao ano nos próximos anos. O juro tem um peso relevante nesse segmento.”

Nestlé: A incorporação da natureza
Empresa
redobra cuidados com os custos das embalagens renováveis e a cadeia de fornecedores

No Brasil desde 1921 e presente em 99% dos lares brasileiros com a oferta de uma extensa gama de produtos de nutrição, saúde e bem-estar, a Nestlé cresceu no Brasil nos últimos anos com investimentos em eficiência, produtos regionais e sustentabilidade. Galgou uma posição em relação ao ranking do ano passado e tornou-se a quinta colocada entre as mais admiradas empresas de CartaCapital.

Um dos mantras das empresas brasileiras diante do crescimento econômico mais baixo e da inflação no topo da meta é o reforço das políticas de gestão de custos. Na Nestlé, não é diferente. A empresa adota um modelo de melhora contínua de desempenho em todos os seus processos, com eliminação daquilo que não agrega valor para consumidores e clientes. Empenha-se também em alinhar constantemente suas prioridades, com o objetivo de tornar a companhia cada vez mais ágil e preparada para vencer os desafios em um mercado competitivo e consumidores mais exigentes.

A sustentabilidade é outra preocupação. Em 2011, em parceria com a Tetra Pak e a Braskem, lançou uma embalagem com tampa de polietileno feita a partir de derivados da cana-de-açúcar, uma fonte renovável. Alguns produtos, como o Leite Ninho, adotaram tampas produzidas com a nova tecnologia. Em agosto, a Nestlé anunciou medidas para contribuir com o bem-estar dos animais integrantes da sua cadeia de fornecimento. Para garantir a sua qualidade de vida nas fazendas de empresas parceiras, foi assinado um acordo com a World Animal Protection, ONG líder do movimento global pela aprovação da Declaração Universal de Bem-Estar Animal e do combate a práticas cruéis com animais do mundo todo. Trata-se de um projeto global, com participação da Nestlé Brasil e realização de auditorias para certificação dos procedimentos.

Com atuação global, a empresa não descuida das características dos consumidores locais. Um exemplo dessa estratégia é o projeto de regionalização desenvolvido pela Nestlé no Brasil desde 2003, com o objetivo de atender os hábitos de consumo locais e as necessidades nutricionais das diferentes regiões do País. Um dos mais recentes lançamentos nesse contexto foi o iogurte Ninho Fruti. Voltado para o público infantil, foi desenvolvido a partir de pesquisas realizadas com os consumidores da Região Nordeste, para identificação de seus hábitos de consumo e de suas necessidades. Com embalagem plástica no formato de morango, que dispensa o uso de colher, o produto cabe facilmente nas mãos das crianças e apresenta um pequeno gargalo para evitar extravasamento do conteúdo. O design foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Nestlé na França e registrado pela companhia.

Ambev: mais uma rodada
À base de meritocracia e processos eficientes, a AmBev avança posições no continente e no ranking mundial

 

Em 11 de junho, um dia antes de a Seleção Brasileira de Futebol entrar em campo para enfrentar a Croácia na abertura da Copa do Mundo, a AmBev registrou o melhor dia de vendas da sua história, com a comercialização de mais de 400 mil hectolitros de cerveja. Considerado um segundo verão para as empresas do setor, o evento esportivo contribuiu com, aproximadamente, 1,4 milhão de hectolitros adicionais ao volume da bebida vendido pela empresa, que apurou lucro líquido de 2,2 bilhões de reais no segundo trimestre, 16% acima do obtido no ano passado. Quinze anos após sua criação, a AmBev não brilha apenas nas gôndolas. Segundo levantamento da Economática, a empresa foi a mais rentável da América Latina em 2013 e a terceira em um ranking com megagrupos americanos, como a Apple e a Coca-Cola.

A receita do sucesso é perseguir modelos de gestão baseados na meritocracia, no estabelecimento de metas claras, na eficiência dos processos e na expansão para atender à crescente demanda. Entre 2009 e 2013, foram investidos 13 bilhões de reais no Brasil. No início do ano, o grupo inaugurou em Itapissuma, Pernambuco, a sua maior fábrica das regiões Norte e Nordeste. “O Nordeste é uma das áreas mais estratégicas para a AmBev, com grande potencial de crescimento de consumo per capita”, afirma o vice-presidente-financeiro e de relações institucionais, Nelson Jamel. A unidade tem capacidade para produzir, aproximadamente, 8 milhões de hectolitros anuais de cerveja e refrigerante. Neste ano, a expectativa é investir cerca de 2,8 bilhões de reais na construção de novas fábricas em Uberlândia (MG) e Ponta Grossa (PR), de um centro de tecnologia no Rio de Janeiro, voltado ao desenvolvimento de novas bebidas, embalagens e pesquisa de mercado.

Para chegar às gôndolas e aos vendedores, a logística de entrega das bebidas foi reforçada nos últimos anos com base em um programa denominado TecLog. “A base desse trabalho é o uso de smartphones pelos motoristas com aplicativos para o acompanhamento online do trabalho de entrega”, observa Jamel. O dispositivo permite traçar as melhores e mais rápidas rotas para atender os pontos de venda, com identificação dos percursos menos congestionados. Em tempo real, é possível também descobrir se um caminhão se desviou da rota, se houve algum problema mecânico ou se o veículo está acima da velocidade permitida.

A eficiência nos processos reduz custos e traz ganhos ambientais. Uma das prioridades é a gestão hídrica, especialmente em momentos de escassez de água. De 2002 a 2013, o índice de consumo pela empresa diminuiu mais de 38%. Para 2017, a meta é reduzir esse índice em mais 6%, para 3,2 litros de água a cada litro de bebida envasada. Em 2013, a AmBev diminuiu em 7% o consumo em comparação ao ano anterior.

Unilever: Fórmula de crescimento
A Unilever combina aumento de capacidade, produtos sustentáveis e capilaridade para manter a liderança

Segunda maior operação da Unilever no mundo, a subsidiária brasileira detém 8% do faturamento global da gigante anglo-holandesa de bens de consumo presente em mais de 180 países. O País tem importância estratégica para a matriz atingir a meta de dobrar sua receita global e reduzir a pegada ambiental (o quanto cada pessoa polui o planeta) até 2020. Impulsionada pela ascensão social e pelo ingresso do Brasil nas nações de renda média, a subsidiária cresce com uma agenda voltada para gestão de custos, aumento da capacidade produtiva, reforço dos investimentos em marketing e ampliação da capilaridade.

No início de 2015, deverá entrar em operação, em Aguaí, no estado de São Paulo, o décimo site industrial da empresa no País, com aumento de capacidade para uma série de produtos. “O investimento é uma resposta à demanda crescente”, diz Fernando Fernandez, presidente da Unilever Brasil, com faturamento de 15,3 bilhões de reais em 2013  e crescimento mais de duas vezes superior à média mundial do grupo. Para comercializar seu extenso portfólio de produtos, dos sorvetes Kibon ao sabão Omo, a empresa conta com um exército de 5 mil vendedores e repositores para percorrer os mais de 5,5 mil municípios brasileiros e suprir cerca de 30 mil lojas no País. Esse contingente aumenta de 10% a 15% ao ano. A capilaridade é fundamental para penetrar nos bolsões de crescimento e na Região Nordeste, com crescimento duas vezes superior à média nacional. Segundo Fernandez, “a capilaridade é essencial na equação de crescimento”.

A evolução da economia brasileira nos últimos dez anos fez a renda per capita atingir 11 mil dólares, patamar de uma nação de renda média. A expansão do setor imobiliário se combina à interiorização das oportunidades econômicas e à crescente rotina profissional da mulher (70% delas estão no mercado formal ou informal de trabalho). Isso aumenta a demanda por produtos de limpeza de uso específico ou que reduzam o tempo dedicado aos afazeres domésticos. “Por exemplo, as pessoas podem deixar de usar um limpador multiúso e adotar um específico para determinada parte da casa. O Brasil tem um grande potencial de crescimento”, aponta. Cerca de 50% a 60% da receita é oriunda de produtos lançados ou renovados nos últimos dois a três anos.

A sustentabilidade é outra vertente da atuação da empresa. Em 2013, anunciou o término do envio de resíduos para aterros sanitários em todas as plantas fabris no Brasil, por meio do projeto Aterro Zero. O resultado foi atingido dois anos antes da meta estipulada globalmente pela Unilever. Até 2020, trabalha-se para certificar todos os fornecedores, segundo normas ambientais e sociais, e tornar renovável grande parte das matérias-primas.

Vale: garimpo diferenciado
Com custo baixo e minério de qualidade, a Vale acumulou forças para enfrentar cenários econômicos desafiadores

Em agosto, o banco americano Goldman Sachs afirmou em relatório distribuído aos seus clientes que a era de ouro da mineração chegara ao fim. A perspectiva de uma oferta maior de minério nos próximos cinco anos e o ritmo menor de crescimento da China deverão deixar em um passado distante os dias em que o metal superou a cotação de 140 dólares a tonelada. Neste ano, o minério acumula uma queda superior a 40% e chegou a ser cotado abaixo de 80 dólares. O cenário conturbado, no entanto, não preocupa a Vale, segunda maior mineradora do mundo. Em condições de mercado mais acirradas, quem tem matéria-prima competitiva e ativos de alta qualidade se destaca.

“De fato, não observamos a mesma exuberância do passado nos preços do produto. O mercado apresenta hoje uma maior abundância de minério de baixa qualidade e isso acaba ajustando o preço para baixo. Este ano, há um excesso de oferta de, aproximadamente, 100 milhões de toneladas de minério, acima do que esperávamos. Há, no entanto, um momento em que os produtores de alto custo, menos competitivos, são forçados a sair do mercado e o preço se recupera. Seja qual for o cenário de preços, a Vale está bem posicionada por ser uma mineradora de baixo custo com minério de alta qualidade e investimentos em ativos de classe mundial, com possibilidade de expansão”, afirma seu presidente, Murilo Ferreira, desde 2011 à frente da companhia.

O ritmo da economia chinesa, responsável por cerca de um terço da receita operacional no segundo trimestre, é acompanhado de perto. “Mantemos a avaliação de que ela continuará a crescer, embora em ritmo menor. O País mantém uma tendência forte de urbanização e de investimentos em infraestrutura, a uma taxa inferior à de anos anteriores”, diz Ferreira. A Vale aposta em crescimento  mundial nos próximos anos impulsionado pelas economias com alto contingente populacional, conjunto formado por China, Índia, Indonésia, Vietnã e demais países do Sudeste Asiático. “Isso significa que tal região continuará a demandar matéria-prima para viabilizar a construção de casas e ampliar sua infraestrutura”, ressalta. A Ásia respondeu por 53,5% da receita operacional no segundo trimestre de 2014.

Para assegurar seu crescimento, a empresa trabalha no projeto Serra Sul, no Pará, com previsão de início de operação no segundo semestre de 2016 e mais de 19 bilhões de dólares em investimentos, o maior montante histórico. No segundo trimestre deste ano, a empresa concluiu 32% da parte física do projeto, que engloba mina, usina e logística associada .  Quando operar à plena capacidade, produzirá 90 milhões de toneladas de minério por ano, Uma contribuição significativa para a produção total no Pará alcançar 230 milhões de toneladas anuais.

Embraer: Velocidade de cruzeiro
Líder mundial na fabricação de jatos comerciais de médio porte, a Embraer cola na Boeing e na Airbus

Em 22 de outubro de 1968, o primeiro protótipo do avião Bandeirante cruzou os ares de São José dos Campos. Menos de um ano depois, o governo federal assinou o decreto de criação da Embraer e oficializou a sua primeira encomenda, de 80 aeronaves Bandeirante. Quarenta e cinco anos e cinco mil aviões produzidos depois, a empresa tornou-se líder mundial na fabricação de jatos comerciais de até 120 assentos e terceira colocada no ranking da classificação de aviação comercial, atrás apenas da americana Boeing e da franco-alemã Airbus.

Nona mais admirada empresa do Brasil, a Embraer vive um dos mais intensos momentos de sua história, com todas as áreas de negócio trabalhando em projetos importantes, segundo seu presidente, Frederico Curado. Um cenário diferente do observado em 2008 e 2009, quando a crise econômica reduziu encomendas, apertou o crédito e fez a empresa demitir 20% do seu quadro de funcionários.

Na área de defesa, responsável por um quarto da sua receita, o destaque é o KC-390, avião de transporte militar e reabastecimento em voo, maior aeronave já desenvolvida e produzida pela Embraer. Em maio, foi inaugurado o hangar onde será instalada a linha de montagem final do modelo e assinado o contrato para a sua produção para a Força Aérea Brasileira. O negócio, avaliado em 7,2 bilhões de reais, inclui a aquisição de 28 aeronaves e de um pacote de suporte logístico inicial. Além do pedido, há intenções de compra de 32 aeronaves por outros países.

Concebido desde o início para realizar diversas missões, o KC-390 incorpora inovações. A pilotagem é facilitada por um moderno sistema de controle de voo que reduz a carga de trabalho dos pilotos e aumenta a segurança da operação.

Na aviação comercial, responsável por cerca de metade da sua receita, os engenheiros da Embraer trabalham em um projeto da segunda geração dos jatos, com o objetivo de reforçar a posição da empresa no segmento de modelos com 70 a 130 assentos. Nessa área, a empresa lidera o mercado mundial com mais de 50% das vendas e 60% das entregas, desde a entrada em serviço da primeira geração desses jatos, em 2004. Com 200 pedidos firmes e 200 opções e direitos de compra, os jatos E2 atraem uma demanda significativa e a Embraer segue firme para cumprir as datas do primeiro voo, em 2016, e de entrada em serviço, no primeiro semestre de 2018, do E190-E2.

Um dos principais objetivos da Embraer no desenvolvimento da segunda geração de jatos é criar as bases para uma transição suave no treinamento dos pilotos, sem onerar a atual base de operadores, hoje em torno de 65 em todo o mundo. O período de adaptação será de três dias, sem exigência de um simulador, o que reduzirá significativamente os custos das empresas aéreas.

Coca-Cola: energia esportiva
Empresa deslanchou na Copa do Mundo e acumula energias para os Jogos Olímpicos

 

O ano de 2014 ficará marcado na história da Coca-Cola, estreante na lista das dez empresas mais admiradas do Brasil elaborada por CartaCapital. A fabricante de bebidas, anunciante nos estádios desde a Copa de 1950 e patrocinadora da Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, fez o maior investimento em comunicação no Brasil este ano, direcionado à realização, pela segunda vez no País, do evento esportivo mais assistido do planeta.

“Entre 2012 e 2016, a Coca-Cola Brasil fará um investimento recorde, de 14,1 bilhões de reais no País. Esse valor inclui as ações da companhia relacionadas aos Jogos Olímpicos e demonstra o compromisso com esse momento único do Brasil”, afirma o presidente da empresa, Xiemar Zarazúa. Quarta maior operação de uma das mais conhecidas marcas do mundo, atrás de Estados Unidos, México e China, a subsidiária brasileira iniciou pouco antes da Copa das Confederações, em 2013, uma campanha publicitária com as latas de refrigerante pintadas com as cores da bandeira nacional.

Em abril, a taça entregue à campeã Alemanha chegou ao Brasil e percorreu por dois meses várias cidades, atraindo mais de 450 mil visitantes, outra ação de marketing da empresa, responsável também pelo gerenciamento dos resíduos sólidos gerados nos 12 estádios dos jogos da Copa do Mundo. Agora ela está de olho nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

“A Coca-Cola é o mais antigo parceiro e patrocinador dos Jogos Olímpicos. Essa relação começou em 1928, nos Jogos de Amsterdã”, explica. Foi criada uma equipe com dedicação integral em 2013, para trabalhar em paralelo à Copa do Mundo. “Muitas pessoas desse grupo foram incorporadas às dos Jogos Olímpicos.  Com integrantes de diferentes especialidades e experiências, do Brasil e de outros países, crescerá ao longo do tempo para repetirmos o sucesso das nossas ações no Mundial de Futebol. Até 2016 teremos, aproximadamente, mil pessoas em nosso time.”

Inovação é um pilar da gestão da Coca-Cola, que lançou em julho a única bebida repositora de sais minerais e vitaminas, com zero caloria no País, o Powerade Zero. O produto foi criado no laboratório de pesquisa e desenvolvimento da empresa no Rio de Janeiro, um dos cinco centros avançados da Coca-Cola no mundo.

A empresa inova também nas embalagens renováveis. Em 2010, foi lançada a primeira garrafa PET da América do Sul com matéria-prima de origem vegetal. A embalagem diminui em até 30% a emissão de carbono. Em 2011, foi desenvolvida uma embalagem PET feita parcialmente com vasilhames do mesmo tipo reciclados, um estímulo à coleta seletiva. Mais recentemente, foi adotado o recipiente cartonado de polietileno verde, em mais uma ampliação da capacidade de oferecer opções cada vez mais renováveis.