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Em discurso, Dilma rechaça oposição entre consumo e desenvolvimento

por Redação Carta Capital — publicado 01/10/2012 22h53, última modificação 01/10/2012 23h08
Durante a premiação, presidenta diz que o Brasil não irá distribuir renda sem transformar a sua população em cidadãos consumidores
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A presidenta Dilma Rousseff, na premiação das empresas mais admiradas de 2012, promovida por CartaCapital. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Em discurso na festa de premiação das Empresas Mais Admiradas no Brasil 2012, promovido na segunda-feira 1º pela revista CartaCapital, a presidenta Dilma Rousseff disse estranhar a discussão segundo a qual o governo federal tem priorizado o consumo em detrimento do desenvolvimento do País.

Durante a sua fala, a presidenta disse que o Brasil é respeitado internacionalmente não apenas por ter uma população pacífica, mas porque, na contramão da tendência econômica mundial, retirou da miséria uma população do tamanho da Argentina e a incluiu no mercado de consumo.

“Temos 194 milhões de habitantes e não seremos um país com uma distribuição de renda que não transforma em cidadãos consumidores a sua população”, disse.

E completou: "Uma grande questão por trás de nosso esforço é transformar nosso país num pais de classe média. O grande sonho desse país é ter uma classe média forte, desenvolvida, poderosa e com bons empregos e acesso a moradia, educação e sociedade."

Diante da plateia, a presidenta conclamou o empresariado a se adaptar a essa transformação da sociedade brasileira e previu: “essa classe média ficará cada vez mais exigente no que se refere à qualidade dos serviços. A defesa do consumidor é um dos elementos políticos dos mais importantes. E é importante que tenhamos consciência de que os serviços entregues ao consumidor, do governo ou da iniciativa privada, sejam de qualidade”.

Dilma aproveitou o evento para dizer que as empresas celebradas durante o evento eram “um retrato do Brasil que admiramos e que queremos ver vitorioso”. Ela voltou a criticar as medidas recessivas dos países desenvolvidos incapazes, segundo ela, de construir uma resposta adequada à turbulência econômica. “A opção por políticas fiscais ortodoxas e a opção por uma austeridade compulsiva têm produzido mais recessão e mais desemprego. Mas, sobretudo, produz muita desesperança entre os que veem seus direitos reduzidos depois de conquistados.”

Como havia feito na semana passada na Assembleia Geral da ONU, ela rebateu as críticas sobre possíveis medidas protecionistas adotadas pelo governo para proteger a sua indústria. Fez menção à política monetária expansionista dos países ricos que, segundo ela, produz desequilíbrio nas taxas de cambio, afeta as moedas dos emergentes e dificulta a competitividade das exportações.

Ainda sobre os efeitos da crise, disse que o governo não irá se conformar com um “desempenho menor” da economia e, para isso, citou as medidas de estímulo da produção com base em desonerações sem desrespeito aos limites fiscais.

Entre as medidas, citou a política de redução das tarifas de energia elétrica e rebateu as críticas sofridas pelo governo sobre um suposto desrespeito aos contratos vigentes. “Meu governo tem adotado de forma absolutamente escrupulosa, e obsessiva, o respeito a contratos. O que está acontecendo na área de energia elétrica é que os contratos têm tempo de vida menor do que o tempo de duração de uma usina, que tem longevidade.”

A presidenta fez um apelo ao Congresso para aceitar a proposta de renovação de concessão para que não seja necessário haver novas licitações.

Essas medidas serão importantes para o País porque, de acordo com a presidenta, os países sairão da crise “bastante competitivos” devido à redução dos juros de longo prazo adotada pelos bancos centrais e também à redução do custo de capital, avaliada em até 40%.

“Temos que sair da crise também com um custo de produção menor, e temos que usar a vantagem competitiva do país. Temos hidroeletricidade. É fundamental que o país aproveite suas vantagens. É importante ampliar a consistência e solidez do ambiente macroeconômico.”

Ao falar sobre os avanços na educação, Dilma afirmou que vai esperar o término do processo eleitoral para definir “para onde vamos destinar os investimentos de gás e petróleo” por meio da partilha dos royalties da exploração. “A importância da educação tem que ficar clara. É elemento fundamental para garantir uma classe média consistente, para não haver um processo de perda de renda. Para que tenhamos condições de ter massa crítica para investir em tecnologia e inovação.”