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Reflexos da crise

'Wall Street é nossa rua'

por Redação Carta Capital — publicado 22/09/2011 15h54, última modificação 22/09/2011 18h11
Um protesto contra o capitalismo, regado a pizza gratuita, instalou-se em Wall Street e se espalha pelos Estados Unidos

Há quase uma semana, manifestantes ocupam o centro do capitalismo financeiro no Mundo, em Wall Street, Nova York. Depois de passar pelo Oriente Médio, Europa, América do Sul, a onda de protestos chegou aos EUA no dia 17 de setembro. Cerca de 2000 pessoas foram à Liberty Plaza se manifestar no sábado, ao lado da sede da Nasdaq, principal bolsa de valores dos Estados Unidos e permanecem lá até agora.

Intitulado de #OcuppyWallStreet, o movimento afirma lutar contra ao 1% corruptos que prejudicam os outros 99% da população americana. O cerne da corrupção, dizem, é a especulação financeira dos investidores de Wall Street e cuja ação irresponsável deflagrou a crise econômica em 2008 que persiste até hoje.

O modelo segue as manifestações no resto do mundo: jovens, com alta participação nas redes sociais e que foram atingidos em cheio pelo desemprego gerado na crise econômica.

Os participantes reivindicam a penalização dos homens de Wall Street, que cometeram uma série de crimes financeiros no cerne da crise econômica. Além disso, criticam o sistema político americano, baseado na prática do lobby, submetido aos interesses do Banco Central (Fed) e dividido entre dois partidos – democratas e republicanos – que acabam por travar uma série de discussões na Câmara dos Deputados. Cartazes como “Pessoas, não lucros”, “Wall St. tem dois partidos, precisamos do nosso próprio”, “Não posso comprar meu lobista, faço parte dos 99%”, “AIG, Bank of America, Goldman Sachs, Citi, JPMorganChase – Por que vocês não estão na cadeia?” ilustram esse cenário.

Seguindo o modelo das outras manifestações ao redor do mundo, os participantes são também auto-organizados. Desde sábado, a polícia divide espaço com os manifestantes. Uma série de prisões foi realizada na quarta-feira 21, com o argumento de que é proibido ocupar calçadas públicas. A ação contribuiu para aumentar a indignação do movimento. Os protestos se espalham pelo país. Há registros de movimentações em São Francisco, Los Angeles, Atlantida, Chicago, Phoenix e Cleveland.

Em 2008, a super-especulação sobre o preço de hipotecas e práticas financeiras sem regulação levaram os maiores bancos do país a beira da falência. Um aporte financeiro estatal histórico salvou as instituições. Três anos depois, o governo decretou elevação do teto da dívida e reajuste fiscal, incidindo justamente sobre a classe trabalhadora.

“Débitos entre os muito ricos ou entre governos sempre pode ser renegociado. Mas quando é um pobre que deve a um rico, pagar se torna uma obrigação sagrada. Renegociar é impensável”, afirma David Graeber, ativista do movimento, em  entrevista ao jornal britânico The Guardian.

O movimento reflete a perda de popularidade do governo americano em meio a crise econômica – a Câmara possui hoje cerca de 15% de aprovação – e a perda da onipotência financeira do estado, consumido por gastos com as infrutíferas guerras que o país iniciou.

Além da indignação quanto à estrutura econômica e política do país,  os manifestantes . “Em 21 de setembro, Troy Davis, um homem inocente, foi assassinado pelo estado da Georgia. Troy Davis era um dos 99%”, escreveram os manifestantes no blog do movimento.

Em tempo real, um vídeo mostra a rotina dos particiapantes reunidos em fóruns de discussão, tocando instrumentos musicais ou comendo a pizza gratuita oferecida por uma das lanchonetes do bairro.

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