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The Observer

"Venceremos", diz chefe da campanha contra separação da Escócia

por The Observer — publicado 16/09/2014 09h23, última modificação 16/09/2014 09h24
"Não tenham dúvida", diz o chefe da campanha do não, enquanto pesquisa para o Observer mostra 53% para o "não" e 47% para o "sim"
Cyril Villemain / AFP
Trafalgar square

Manifestantes pró-união do Reino Unido fazem manifestação com a bandeira do país na praça Trafalgar, em Londres. A separação da Escócia implicaria, também, na mudança da bandeira do Reino Unido

Por Toby Helm, Kevin McKenna e Daniel Boffey

O deputado escocês Alistair Darling praticamente declarou no sábado 14 a vitória do "não" antes do histórico referendo desta quinta-feira 18 sobre a independência da Escócia, quando uma pesquisa de opinião para o Observer mostrou que o Better Together [Melhor Unidos], a campanha contra a separação do Reino Unido, tinha recuperado a liderança.

Em uma notável demonstração de confiança depois de uma semana de pânico na campanha do "não", Darling disse que as pesquisas de seu grupo mostram sem dúvidas que a Escócia votará contra a ruptura da união de 300 anos com o Reino Unido. "Vamos ganhar e sei disso porque vejo nossos retornos", afirmou Darling, o chefe da Better Together, a jornalistas. "Nós venceremos, não tenham dúvida sobre isso. Sei porque vejo todos os dias, nossos retornos são bons."

A Better Together disse que tem o apoio de mais de 50% dos eleitores que já se decidiram, mas continuará a campanha até o fim. Uma pesquisa da Opinium para o Observer situa a campanha do "não" em 53%, contra 47% para o sim [a favor da independência], entre os que já decidiram o voto e excluindo os indecisos. Menos de 3% dos eleitores de cada lado dizem que há pequena probabilidade de que mudem de ideia.

Parece que a campanha do sim agora precisa conquistar todos os indecisos e mudar algumas opiniões entre os contrários para que Alex Salmond possa declarar seu sonho de independência uma realidade na manhã de sexta-feira.

Em uma entrevista exclusiva ao Observer, Salmond adotou um tom animado, dizendo que ainda poderia conquistar eleitores suficientes. "Todos os que pretendem votar 'não' hoje são simplesmente 'sins' adiados", disse ele. "Os referendos são ocasiões muito especiais porque cada voto conta. Não há coisas como assentos garantidos ou marginais; nada que tenha prioridade sobre os outros." Salmond atacou o enfoque estreito na campanha do não: "O pessoal deles decidiu que há certas categorias especiais a visar, como os ricos, os poderosos e a aristocracia fundiária. Mas eu quero buscar cada voto".

Uma semana atrás, a campanha do não e todos os partidos principais em Westminster foram abalados por uma pesquisa do YouGov que mostrou uma liderança de 2 pontos percentuais para o sim, quando a campanha entrava em sua fase final. Isso levou os conservadores, os trabalhistas e os liberais-democratas a prometer mais poderes para a Escócia em um cronograma acelerado, enquanto tentavam desesperadamente demonstrar que o voto no "não" não resultaria na situação vigente.

Escrevendo no Observer, o líder trabalhista Ed Miliband prometeu que seu partido chefiaria uma revolução constitucional "da Cornualha à Cúmbria", incluindo a reforma da Câmara dos Lordes. O líder trabalhista disse que os planos de descentralização de poder mencionados na semana passada eram "apenas o início da mudança necessária no que se refere ao poder".

Miliband acrescentou: "A Escócia liderou o caminho, mas a descentralização não é um projeto apenas para a Escócia. Mais poderes estão chegando a Gales. E o exemplo da Escócia vai abrir caminho para mudar o modo como somos governados na Inglaterra também".

O ex-primeiro-ministro Tony Blair, que esteve ausente do debate, disse esperar que o voto seja contra a independência. "Espero que a Escócia vote para continuar parte do Reino Unido", disse Blair, que nasceu na Escócia, em uma conferência sobre segurança na capital da Ucrânia, Kiev. "Por todos os motivos dados por todos os partidos no Reino Unido, no século XXI romper a aliança entre nossos países não seria sensato, do ponto de vista político, econômico ou mesmo emocional."

A mensagem de Miliband foi repetida por líderes conservadores, trabalhistas e liberais-democratas no governo local, que, em uma carta conjunta dirigida ao Observer, disseram que as promessas de transferência de poder à Escócia devem ser equiparadas por transferências imediatas às autoridades locais na Inglaterra, para que os ingleses não acabem se sentindo como "cidadãos de segunda classe".

Pondo de lado as diferenças políticas, os três líderes dos grupos políticos da Associação de Governo Local dizem: "Nossas áreas locais precisam das mesmas liberdades para enfrentar grandes questões dos moradores, como escolas, empregos, previdência e habitação. "Estabelecer um Parlamento inglês não representaria a verdadeira transferência. Em vez disso, precisamos de novas câmaras eleitas localmente dirigindo as economias locais por meio de taxação transferida, com maior controle de impostos municipais e taxas empresariais.

"Precisamos de áreas locais livres de restrições impostas pelo governo para a construção de moradias. E precisamos de restituição para regeneração, capacitação e empregos transferidos para áreas locais, onde as decisões podem se basear no que as empresas e os jovens realmente precisam. Crucialmente, isto deve ser sustentado por um sistema de financiamento mais justo para todo o Reino Unido. "Pedimos que o governo defina um calendário para a transferência em toda a Inglaterra, com uma promessa de novos poderes imediatos para áreas que já estão prontas para isso."

No sábado, as maiores empresas de telecomunicações, incluindo BT e Vodafone, uniram-se às firmas que advertem que a independência teria consequências negativas, dizendo que elas poderiam enfrentar custos mais altos se a Escócia votasse sim. Em uma declaração conjunta, executivos de seis companhias de telecom disseram que poderiam ter de "modificar os serviços oferecidos na Escócia, diante de sua topografia relativamente difícil e sua densidade populacional baixa. Qualquer desses fatores poderia levar à elevação dos custos industriais".

No sábado 14, Salmond alimentou uma disputa ácida sobre o suposto vazamento da intenção do Banco Real da Escócia (RBS) de se realocar para a Inglaterra caso a Escócia se torne independente, afirmando que tinha descoberto evidências de jogo desonesto pelo Tesouro britânico.

Empunhando um e-mail enviado pelo Tesouro à imprensa, que parecia sugerir que as autoridades tinham passado os planos do RBS antes que o banco tivesse terminado uma reunião de conselho na segunda-feira à noite para discutir a questão, Salmond disse: "Isto é extraordinário. O Tesouro foi apanhado vazando informação sensível enquanto uma reunião de conselho do Banco Real estava tomando a decisão que o Tesouro já tinha vazado".

Em um choque separado, o secretário de Economia da oposição, Chuka Umunna, descreveu comentários do chefe da campanha do sim, Jim Sillars, em que ele advertia sobre um "dia de acerto de contas" das empresas anti-independência como uma "desgraça completa". Umunna acrescentou: "Tente vencer pela força de seu argumento, e não pela retórica desagradável".

Quase 4,3 milhões de pessoas se registraram para votar na quinta-feira – 97% dos eleitores. Embora seja improvável que todos os registrados votem, o referendo deverá ser a maior votação na história da Escócia, com um comparecimento esperado de mais de 80%.

O primeiro-ministro David Cameron voltou à Escócia na segunda-feira 15 para fazer o que seus assessores descrevem como um discurso "altamente pessoal" a favor da união, em que ele reiterou sua opinião de que os escoceses podem ter "o melhor de dois mundos", dentro da união com mais poder transferido.

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