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Um drama planetário

por Thalif Deen — publicado 30/03/2011 10h36, última modificação 30/03/2011 10h36
Em 2025, diz a ONU, 1,8 bilhão de seres humanos viverão em áreas com pouca água.

O crescimento rápido e desordenado das cidades em todo o mundo, em especial nos países em desenvolvimento, faz com que ao lado de magníficas obras arquitetônicas surjam favelas e todo tipo de sub-habitações. Isso exige a retomada do planejamento urbano com foco principalmente no uso eficiente da água. Em 2025, segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, 1,8 bilhão de seres humanos viverão em países ou regiões com grande escassez de água, e dois terços da população mundial vão conviver em condições de carência extrema. Atualmente, há mais de 884 milhões de pessoas sem água potável no mundo, enquanto 2,6 bilhões dos 6 bilhões de habitantes do planeta carecem de um sistema de saneamento adequado, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“A demanda supera a oferta, por isso temos de nos comprometer a construir uma nova relação com ela”, disse Maude Barlow, cofundadora da organização Blue Planet Project, que defende o direito universal de acesso à água. É preciso “conservá-la, recuperar os cursos d’água, evitar a contaminação das fontes, o que deve ser considerado crime, e fazer um uso mais equitativo pelo bem das pessoas do futuro e das outras espécies.” E o problema da gestão urbana dos recursos hídricos tende a se agravar, pois, segundo Anders Berntell, diretor-executivo do Instituto Internacional de Água de Estocolmo, em 2050 haverá mais pessoas nas cidades do que a quantidade de habitantes existentes hoje em todo o mundo.

A Iniciativa de Defesa Wash, com sede em Washington, elogiou um projeto de lei, aprovado no Senado dos Estados Unidos em 16 de março, que coloca este país à frente da resposta à crise de água potável e saneamento. A Lei Água para o Mundo, do senador Paul Simon, compromete os Estados Unidos com o fornecimento de água potável e saneamento de forma sustentável, segura e acessível para 100 milhões de pessoas em seis anos. “A iniciativa bipartidária colocará os Estados Unidos à frente dos esforços para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU em matéria de água potável e saneamento”, destaca o comunicado.

A principal causa da atual crise é que “os humanos modernos consideram a água um enorme recurso para nosso prazer, conveniência e beneficio, e não um elemento essencial de um ecossistema vivente que nos dá a vida”, afirma Maude. “Irrigamos zonas desérticas para plantar, contaminamos água com minério, energia nuclear, areia com alcatrão e vazamento, e deixamos que se perca por encanamentos velhos porque não temos dinheiro para investir em infraestrutura pública”, lamenta a ex-assessora da ONU para questões relacionadas à água.

As Nações Unidas reconheceram que o acesso à água e a um sistema de saneamento é um direito humano, isto é, “que os governos têm de criar um plano de ação baseado na obrigação de proteger, respeitar e cumpri-lo”. A ONU deve se concentrar em conservar a água, restaurar os cursos dos rios e os mananciais e utilizar essas ações para promover a paz, ressaltou. “Precisamos declarar a água patrimônio comum, um bem e um serviço público, e devemos apoiar o governo da Bolívia em sua iniciativa de declará-la um recurso a ser protegido como um direito e não permitir sua distribuição com fins lucrativos”, disse. “Precisamos da água. Ela pode nos ensinar a viver em harmonia e de uma maneira melhor para a Terra”, diz a ativista.  •

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