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Internacional

Impasse diplomático

Turquia suspende negócios com a indústria bélica de Israel

por Redação Carta Capital — publicado 06/09/2011 15h38, última modificação 06/06/2015 18h16
Mais cedo, o primeiro-ministro Erdogan havia anunciado sanções a todos os setores comerciais, mas depois esclareceu que mantinha suspensão apenas na área militar

O primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan declarou que o país suspenderá negócios com a indústira militar israelense. Mais cedo, o político havia anunciado sanções comerciais ao vizinho em todos os setores, mas depois esclareceu, em entrevista ao The Wall Street Journal, que as medidas serão feitas apenas na área de defesa.

Na sexta-feira 2, a Turquia impediu que o embaixador israelense retornasse à Ancara. Em resposta, Israel expulsou os altos escalões do corpo diplomático no país, inclusive o próprio embaixador. O impasse se arrasta desde maio de 2010, quando  as Forças Armadas israelenses atacaram um barco que levava ajuda humanitária à Gaza, deixando dez mortos.  Entre eles, nove cidadãos turcos.

Desde então, Israel nunca se desculpou sobre o ocorrido. Há poucos dias, a ONU afirmou que Israel se excedeu na ação. Mesmo assim, o relatório feito pela organização considerou o bloqueio à faixa de Gaza, responsável por um aumento exponencial da miséria na região, como atividade legal.

Stanley Fischer, do Banco de Israel, afirmou que as sanções serão custosas para o país, uma vez que a economia da Turquia está em ascenção. Erdogan deu o prazo de uma semana, que se encerra na sexta-feira, para um pedido formal de desculpas do vizinho. Caso contrário, o país ameaça um plano B. O que deve ser feito ainda não foi divulgado, mas provavelmente consiste em apoio às ações judiciais empreendidas pelas vítimas ao governo israelense.

Com o episódio, Israel isola-se cada vez mais no Oriente Médio. Rodeado por vizinhos com quem possui acordos de paz constantemente rompidos. O novo cenário na região, desde o início da Primavera Árabe, tem deixado o país judeu ainda mais apreensivo. Com a queda do ditador Hosni Mubarak no Egito, por exemplo, as relações entre os vizinhos tornaram-se instáveis. Isso porque Israel, que mantinha um tratado de paz com o ex-ditador, não sabe até que ponto o novo governo estará disposto a negociações.

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