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Snowden pede asilo à Rússia para viajar à América Latina

por Redação — publicado 12/07/2013 15h20, última modificação 12/07/2013 15h46
Ex-consultor da CIA critica postura dos EUA e diz a ativistas que indivíduos têm deveres internacionais acima das obrigações nacionais de obediência
Tanya Lokshina / AFP
Snowden

Snowden participa de uma reunião com ativistas dos direitos humanos, entre eles Sarah Harrison, do WikiLeaks (à esq.), no aeroporto Sheremetyevo, em Moscou (Rússia)

O ex-consultor da CIA Edward Snowden declarou nesta sexta-feira 12 a advogados e defensores dos direitos humanos que pedirá asilo político à Rússia, para poder viajar "legalmente" para a América Latina. Na região, o americano obteve asilo político de Bolívia, Venezuela e Nicarágua.

Snowden tem pedido de extradição realizado pelos Estados Unidos, onde é acusado pelo vazamento de informações sobre o programa internacional americano de espionagem de comunicações.

O americano, que se reuniu com advogados e representantes da Anistia Internacional e da ONG Human Rights Watch no aeroporto de Moscou - onde vive desde 23 de junho -, afirmou não lamentar a divulgação dos documentos secretos. “Acredito no princípio declarado em Nuremberg em 1945: Indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência. Logo, cidadãos individuais têm o dever de violar leis domésticas para prevenir que crimes contra a paz e a humanidade ocorram”, disse.

Snowden anunciou ainda formalmente ter aceitado todas as ofertas de apoio e asilo recebidas, mas criticou os EUA por feito dele uma pessoa “sem estado” (o país cancelou o passaporte do técnico em informática), proibido seu embarque em aviões comerciais e ter ameaçado com sanções os países que oferecerem asilo a ele. “Com o asilo fornecido pela Venezuela, meu status de asilado é formal e nenhum Estado tem base para interferir ou limitar meu direito de aproveitar desse asilo. Entretanto, alguns governos da Europa Ocidental e Estados norte-americanos demonstraram vontade de agir fora da lei, e esse comportamento persiste.”

Recado dos EUA

A representante de uma ONG russa que participou do encontro declarou que a embaixada americana havia pedido que ela transmitisse uma mensagem ao acusado. Segundo Tatiana Lochkina, da Human Rights Watch (HRW), o embaixador Michael McFaul pediu que dissesse a Snowden que ele não é um defensor dos direitos humanos. "A posição das autoridades americanas é de que ele não é um defensor dos direitos humanos. Ele violou a lei e é por isso que deve se apresentar à Justiça", indicou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reagiu ao pedido de asilo de Snowden, declarando que as condições definidas na semana passada pelo presidente Vladimir Putin para a sua permanência no país continuam as mesmas. "Snowden pode, teoricamente, permanecer na Rússia se, em primeiro lugar, renunciar totalmente às atividades que prejudicam nossos parceiros americanos e, em segundo lugar, se ele mesmo quiser isso", declarou à agência Interfax. Ele ressaltou ainda não ter recebido um pedido formal.

O advogado russo Guenri Reznik, que participou da reunião, declarou à AFP que "Edward Snowden havia se comprometido a não prejudicar mais os Estados Unidos" para permanecer na Rússia.

Na semana passada, Snowden, que trabalhava para uma empresa que prestava serviços à Agência de Segurança Nacional (NSA), apresentou uma solicitação de asilo político a mais de 20 países, incluindo a Rússia.

Em uma mensagem, na qual convocou a reunião desta sexta-feira, Snowden denunciou as pressões exercidas pelos Estados Unidos que o impediram de encontrar asilo. "Testemunhamos nestas últimas semanas uma campanha ilegal de ameaças por parte de membros do governo dos EUA para me negar o direito de asilo previsto pelo artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos", escreveu Snowden às personalidades convidadas para a reunião.

"A magnitude das ameaças é inédita: nunca antes na história dos Estados Unidos conspiraram para forçar a aterrissagem de um avião presidencial para procurar um refugiado político", ressaltou Edward Snowden, em referência ao avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, forçado a uma parada em Viena, no seu regresso de Moscou na semana passada.

Vários países europeus, incluindo a França, fecharam seu espaço aéreo acreditando que Edward Snowden estivesse a bordo.

A razão pela qual Edward Snowden não embarcou no voo Moscou-Havana ainda é desconhecida, mas os questionamentos levaram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a declarar no final de junho que "não enviaria aviões" para capturar o fugitivo.

Com informações AFP.