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EUA teriam espionado ONU, diz revista

por Deutsche Welle publicado 26/08/2013 09h49, última modificação 26/08/2013 18h58
Alvo principal eram videoconferências em Nova York. Mais de 80 embaixadas e consulados americanos também serviriam como postos de interceptação
Lilivanili / Flickr / Creative Commons
ONU

Alvo principal eram videoconferências em Nova York. Mais de 80 embaixadas e consulados americanos em todo o mundo também serviriam como postos de interceptação para a NSA

Em seu controverso programa de interceptação de dados em massa, a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos haveria também espionado a central da Organização das Nações Unidas em Nova York. A notícia foi divulgada no domingo 25 pela revista alemã Der Spiegel, com base em documentos vazados pelo denunciante norte-americano Edward Snowden.

Ações ilícitas

Em meados de 2012, a NSA haveria conseguido penetrar no sistema de videoconferências da ONU e decifrar a codificação de sinais. A façanha técnica proporcionou "uma dramática melhora dos dados de teleconferências por vídeo e a capacidade de decodificar esse tráfego de dados", comenta o Spiegel.

O sucesso da NSA na central das Nações Unidas foi comemorado num documento secreto com as palavras: "O tráfego de dados nos entrega as vídeo-teleconferências da ONU (yay!)".

No prazo de três semanas, o número de informações decodificadas subiu de 12 para 458. Numa ocasião, a NSA chegou a pegar em flagrante o serviço secreto chinês, enquanto este realizava atividades de espionagem na ONU. Em seguida, a agência escutou as mensagens captadas pelos chineses.

Segundo o semanário alemão, essas ações do serviço secreto dos Estados Unidos são ilícitas, pois o país se comprometeu, num acordo com a ONU ainda hoje em vigor, a não empreender quaisquer operações clandestinas.

"Special Collection Service"

A agência americana de segurança teria, ainda, espionado a representação diplomática da União Europeia nas Nações Unidas, mesmo depois de os europeus haverem se mudado para suas novas instalações na Third Avenue, em setembro de 2012.

Além disso, prossegue o Spiegel, a NSA manteria, em mais de 80 embaixadas e consulados de todo o mundo, um programa próprio para interceptação de comunicações, denominado internamente "Special Collection Service" (Serviço de Coleta Especial). Ele era muitas vezes executado sem o conhecimento do país anfitrião.

Tais postos para grampeamento de conversas estariam localizados, por exemplo, em Frankfurt (Alemanha) e em Viena (Áustria). A revista alemã também cita um documento da NSA enfatizando que a existência das unidades de interceptação de comunicações nas representações diplomáticas deveria ser mantida em segredo, a todo custo. Pois, se fossem reveladas "causariam graves prejuízos às relações com o país anfitrião".

Numa primeira reação, o Ministério das Relações Exteriores em Berlim assegurou não ter conhecimento de que as Nações Unidas ou embaixadas pudessem estar sendo espionadas pela NSA. "Não temos qualquer informação própria", declarou um porta-voz do ministério alemão.

AV/dpa/rtr

Edição: Roberto Crescenti

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