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Crise

Rússia reforça presença militar na fronteira com Ucrânia

por Deutsche Welle publicado 20/04/2014 09h53
Segundo Moscou, a medida será tomada por precaução, mas Kiev teme que seja uma estratégia para ocupar leste ucraniano
Genya Savilov / AFP
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O porta-voz do Kremlin confirmou na sexta-feira 18 que há tropas russas mobilizadas perto da fronteira com a Ucrânia "devido a situação" do país vizinho

Nas regiões de crise, não há sinal do acordo, acertado entre Ucrânia e Rússia há apenas dois dias, para colocar fim à tensão entre grupos pró-russos e o governo em Kiev. Enquanto os separatistas se recusam a baixar as armas e deixar os prédios públicos ocupados em várias cidades no leste ucraniano, Moscou confirmou que vai reforçar o número tropas na fronteira russa com a Ucrânia, como precaução para o caso de um aumento da violência.

Cerca de 40 mil soldados estão sendo deslocados para a região, segundo a Otan. Kiev receia que, assim como fizeram com a Crimeia, os russos ocupem áreas no leste da Ucrânia de olho em uma futura anexação.

O Ministério ucraniano do Exterior anunciou que representantes da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) desembarcarão em breve na Ucrânia para avaliar o cumprimento do acordo, mediado pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Eles deverão ainda estabelecer as medidas a serem tomadas para o arrefecimento na violência na região.

Bloqueio da mídia

Na cidade de Kramatorsk, um grupo de militantes pró-russos tomou neste sábado 19 o controle da torre de televisão, interrompendo a transmissão dos canais ucranianos e conectando a televisão russa. "Os moradores de Kramatorsk não querem ver a televisão ucraniana, que não para de nos insultar e de nos chamar de separatistas", afirmou um integrante do grupo militante à agência de notícias russa RIA-Nóvosti.

Também em Slaviansk, os cerca de 120 mil habitantes têm acesso apenas a transmissões de canais russos, apesar de a Justiça ucraniana ter proibido essas emissões, devido à propaganda russa em prol do separatismo no leste.

Em outra provocação a Kiev, militantes separatistas iniciaram os preparativos para a celebração da Páscoa ortodoxa junto a barricadas montadas do lado de fora de prédios públicos ocupados por eles em mais de dez cidades do leste. Segundo Denis Pushilin, porta-voz da autodeclarada República Popular de Donetsk, os insurgentes só deixarão os edifícios depois que o governo interino da Ucrânia deixar Kiev.

O ministro ucraniano do Exterior, Andriy Deshchytsia, anunciou uma espécie de "trégua de Páscoa" aos manifestantes, garantindo que não haverá qualquer repressão contra os grupos no domingo.

Numa tentativa de amainar os ânimos, a ex-primeira-ministra e candidata a presidente da Ucrânia Yulia Timoshenko conclamou representantes dos partidos em conflito a participarem de uma mesa redonda, a fim de discutir o fim da crise no país e prevenir uma divisão. A data para o encontro ainda não foi marcada. Pushilin disse que seu grupo poderia participar do debate.

Cobrança de dívida

Há semanas Moscou vem pedindo que os ucranianos discutam seus problemas internamente e insiste que não está por trás dos movimentos separatistas, embora Kiev e países ocidentais acusem o Kremlin de querer desestabilizar a Ucrânia, instigando a insurgência pró-russa.

Neste sábado, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a pedir que a Ucrânia quite a dívida de 2,2 bilhões de dólares acumulada com a companhia Gazprom pelo fornecimento de gás natural. Putin afirmou em entrevista a um canal estatal de televisão neste sábado que seu país não pode bancar "45 milhões de pessoas", acrescentando que aguardará apenas mais um mês para receber o montante. A partir de então, só fornecerá gás à Ucrânia mediante pagamento antecipado.

A pressão de Putin pelo pagamento da dívida, em um momento em que a Ucrânia atravessa sérias dificuldades políticas e financeiras, ajuda a aumentar ainda mais a tensão na região. Apesar disso, o chefe do Kremlin afirmou acreditar que seu país vai voltar a ter boas relações com o Ocidente. Os EUA, porém, ameaçam os russos com sanções, caso a situação no leste ucraniano não se normalize em breve.

MSB/dpa/ap/lusa

  • Edição Augusto Valente

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