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Tensão

Rússia aperta o cerco militar contra a Ucrânia, apesar da pressão do Ocidente

por Redação — publicado 03/03/2014 10h06
Tropas russas mantêm controle militar “de facto” da região da Crimeia. G8 ameaça deixar Moscou fora da mesa de negociações
ALEXANDER NEMENOV / AFP
UCRANIA RUSSIA

Militares em Perevalne, perto da cidade de Simferopol, na Crimeia

A Rússia prometeu manter suas tropas na Ucrânia com o objetivo de proteger interesses e cidadãos russos até que a situação política seja normalizada na região.

De acordo com informações da BBC, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está defendendo os direitos humanos contra “ameaças ultranacionalistas” em território ucraniano. “A violência de ultranacionalistas ameaça a vida e os interesses regionais dos russos ea população de língua russa”, afirmou o chanceler.

A Rússia mantém agora o controle militar “de facto” da região da Crimeia, apesar da condenação do Ocidente e o alerta contra a “violação da soberania da Ucrânia”.

Autoridades ucranianas, por outro lado, ordenaram uma total mobilização a fim de conter a intervenção militar russa. No domingo, a Ucrânia anunciou a mobilização de seus reservistas após a "declaração de guerra" da Rússia.

No último sábado 1º, o Parlamento russo autorizou o uso da força militar. A tensão cresce dias depois da destituição do presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, que enfrentou grandes protestos contrários à sua postura pró-Moscou, ainda mais clara depois da recusa em assinar um acordo comercial com a União Europeia – estopim para os protestos pela sua saída.

No momento em que as potências ocidentais buscam uma saída para o conflito com Moscou, Lavrov ressaltou nesta segunda-feira 3 em Genebra a necessidade das tropas russas na Ucrânia até “a normalização da situação”.

Em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, fez um alerta a Moscou e disse que qualquer tentativa de dividir a Crimeia falharia. Antiga parte do Império Russo e, depois, da União Soviética, a península é hoje república autônoma da Ucrânia. A maioria da sua população, no entanto, é de origem russa e tem preferência por uma aproximação a Moscou.

Manobras. Nesta segunda-feira, tropas russas tomaram o terminal de balsas no extremo leste da Crimeia, cuja maior utilidade são as operações com a Rússia.

Comandantes da Marinha ucraniana confirmaram sua lealdade a Kiev, apesar da tentativa de efetivos russos tentarem forçá-los para mudar de lado e passar a obedecer a Moscou.

De acordo com informações da BBC, cresce o sentimento de oposição contra as ações da Rússia em território da Ucrânia, com muitos ucranianos se dizendo prontos para defender sua terra natal. Em termos militares, no entanto, a Ucrânia é bastante inferior à vizinha Rússia.

A crise entre Ucrânia e Rússia atingiu o mercado de ações, com o índice MICEX, da bolsa de valores de Moscou, caindo 9%, logo na abertura das negociações. Além disso, o rublo apresentou nova queda em comparação ao dólar, e o Banco Central da Rússia elevou sua taxa de juros básica de 5,5% para 7%.

Em tom de ameaça, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que a Rússia poderá perder seu lugar na mesa das grandes potências, o G8, se continuar com sua "invasão da Crimeia”. Em comunicado emitido pela Casa Branca, o grupo condenou “a clara violação da Federação Russia à soberania e integridade territorial da Ucrânia” e indicou, em retaliação, a suspensão de sua participação nos preparativos para o encontro do G8 em Sochi, em junho.