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Grécia

Referendo sobre ajuda financeira assusta mercado

por Redação Carta Capital — publicado 01/11/2011 17h49, última modificação 01/11/2011 17h49
Após acordo para reduzir dívida em 50% e empréstimo de 100 bilhões de euros em troca de novos apertos fiscais e sociais, premiê grego quer consultar população
papandreu

Após acordo para reduzir dívida em 50% e empréstimo de 100 bilhões de euros em troca de novos apertos fiscais e sociais, Papandreu quer consultar população. Foto:Yiannis Liakos/AFP

A confiança do mercado em uma solução para a crise na Grécia durou pouco. Após um acordo dos líderes da Zona do Euro para um empréstimo de 100 bilhões de euros e o corte de 50% da dívida do país na última semana, o primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, anunciou na segunda-feira 31 um referendo sobre o tema.
O anúncio repercutiu negativamente nos mercados e levou as bolsas de valores europeias a despencarem, devido à queda dos valores bancários. Além disso, dois dias antes da reunião do G20 em Cannes, na França, o euro também registrou baixa.

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Exageros sobre a crise

A decisão de Papandreou levou uma deputada socialista a deixar a bancada do premier em protesto, reduzindo sua margem de apoio para 152 representantes de um total de 300. A oposição aproveitou para pedir a convocação de eleições adiantadas, sob a justificativa de que a consulta popular coloca em risco a permanência da Grécia na União Europeia.
O premier, no entanto, afirma necessitar do apoio de um referendo para conseguir implementar com sucesso as duras reformas exigidas por líderes internacionais. Contudo, pesquisas de opinião na Grécia mostram que a maioria da população não apóia o acordo de austeridade (59%). Por outro lado, 72,5% dos gregos querem a permanência do país na Zona do Euro.
De acordo com uma fonte governamental, a consulta, primeira organizada no país desde a abolição da monarquia em 1974, acontecerá "por volta de janeiro". Será precedida por um voto de confiança no Parlamento na sexta-feira 4.
"O que vai acontecer se o povo disser 'não'? O risco é que a comunidade internacional corte o empréstimo e que o país deixe o euro", comentou Francfort Christoph Weil, analista da Commerzbank.

Segundo o cientista político Ilias Nikolapopoulos, a medida é uma decisão "de suicídio para o país" e comprometerá as delicadas negociações iniciadas na última semana.
“Esta atitude aumenta a incerteza, o que nunca é bom para os mercados. Eles se perguntam se toda a estrutura montada pela Zona do Euro pode desmoronar no caso de um 'não' no referendo", disse Michalis Matsourakis, economista do banco grego Alpha Bank.
Papandreou, diz Matsourakis, foi forçado a seguir por este caminho para encontrar apoio interno diante da recusa da oposição e da insatisfação social generalizada em resposta à queda brutal do padrão de vida da população causada pelas medidas de austeridade.
O economista Georges Pagulatos, especialista em questões europeias, ressalta que é fundamental para o governo socialista "reforçar sua legitimidade", mas uma eleição antecipada seria "catastrófica, pois ameaça uma grande instabilidade política".
Com informações da AFP.
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