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Reconhecimento de Estado palestino deve contribuir para paz

por Opera Mundi — publicado 05/12/2010 09h17, última modificação 05/12/2010 09h17
A comunidade internacional, e agora, o Brasil, apoiam as demandas palestinas por um Estado em praticamente toda a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém oriental, que são os territórios ocupados por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias

Por Daniela Cambaúva e Pedro Aguiar*

Horas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de anunciar que o Brasil passa a reconhecer o Estado palestino com as fronteiras de 1967, setores norte-americanos mais conservadores e Israel fizeram inúmeras críticas à diplomacia brasileira, alegando que pode aumentar o conflito no Oriente Médio.  A atitude, entretanto, foi elogiada pelos palestinos e por representantes da comunidade árabe no Brasil.

Para Nathaniel Braia, responsável pela seção internacional do jornal Hora do Povo e membro do movimento Shalom-Salam-Paz, formado por judeus e árabes, trata-se de uma decisão justa.

“O reconhecimento do Estado palestino, nas fronteiras de junho de 1967, representa considerar, assim como fazem as resoluções da ONU, que a Jerusalém Oriental deve integrar o Estado palestino, podendo assim se tornar a sua capital”,
afirmou em entrevista ao Opera Mundi.

A comunidade internacional, e agora, o Brasil, apoiam as demandas palestinas por um Estado em praticamente toda a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém oriental, que são os territórios ocupados por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias.

Os Estados Unidos e a maioria dos governos ocidentais são reticentes em reconhecer um Estado palestino, argumentando que isso deve ser feito por meio de uma negociação de paz com Israel.

O presidente da Fearab (Federação das Entidades Árabes Brasileiras do estado de SP) Eduardo Felício Elias comemora a decisão do governo brasileiro por acreditar que representa um reconhecimento histórico. “Foi uma atitude de justiça porque a guerra de 1967 foi uma guerra de conquistas. E a Constituição brasileira não reconhece guerra de conquistas”, disse ao Opera Mundi.

Para ele, a declaração não tem apenas valor simbólico e que pode benefícios para os palestinos que vivem no Brasil.

“Vai melhorar [a situação de refugiados palestinos que vivem no Brasil] com uma Embaixada. Mas é claro que o melhor seria ele estar em sua casa”, completou o presidente da Fearab.

Braia também acredita que o governo brasileiro tem se empenhado para de forma positiva no Oriente Médio. “Foi fundada a embaixada brasileira em Ramallah, delegações brasileiras, algumas encabeçadas pelo presidente [Lula], promoveram encontros com lideranças da região, contribuíram para estreitar os laços do país com o Oriente Médio”, afirmou.

A decisão brasileira foi anunciada na sexta-feira (3/11) em uma carta pública dirigida ao líder palestino Mahmud Abbas e divulgada pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores do Brasil). Em seguida, o governo israelense criticou a iniciativa e disse estar decepcionado.

Braia, ao contrário, defende que esta “é uma decisão na direção da justiça e isso é fundamental” para os avanços das negociações naquela região.

“Portanto, reconhecer o Estado palestino - assim como o anterior reconhecimento da OLP e da Autoridade Nacional Palestina, recebendo a sua representação diplomática no país - é um ato de governo que atua na direção da paz, pois se contrapõe às injustiças”, avaliou Braia.

O reconhecimento brasileiro foi uma resposta à solicitação realizada por Abbas em 24 de novembro. Desde 1975, o Brasil já reconhecia a OLP como "legítima representante do povo palestino" e em 1993 abriu sua primeira legação diplomática nos territórios palestinos.

Agora, o Brasil passa a integrar uma lista de mais de cem países que reconhecem o Estado palestino, entre eles todos os árabes, a maior parte da África, além de muitos da Ásia e do leste da Europa.

*Publicada originalmente no Opera Mundi

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