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Estado Palestino

Quarteto pede negociação fora da ONU

por Redação Carta Capital — publicado 24/09/2011 12h38, última modificação 24/09/2011 17h51
Grupo composto por EUA, União Europeia, Rússia e ONU estabelece prazos de retomada do diálogo entre Israel e Palestina, para um acordo de paz antes do fim de 2012

Após o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, oficializar o pedido de reconhecimento do Estado Palestino na sexta-feira 23, na 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o Quarteto divulgou um comunicado com prazos para que as negociações de paz com Israel recomecem.
O grupo, composto por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, pede a apresentação de propostas sobre território e segurança de ambos os lados em três meses. Espera-se um avanço nas negociações em até seis meses, para que as intenções do Quarteto de conseguir um acordo de paz antes do fim de 2012 se concretizem. No entanto, as conversas entre Israel e Palestina foram interrompidas em setembro de 2010.

Em seus discursos na Assembleia Geral na sexta-feira, Abbas e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se acusaram mutuamente de não querer negociar um acordo de paz.
O líder palestino declarou que Israel "esmagou" os esforços para viabilizar um acordo em setembro passado, quando as negociações duraram apenas uma semana. Segundo Abbas, a política de construção de assentamentos israelenses no futuro Estado Palestino minaram o diálogo.
“Somos o último povo no mundo a ser ocupado. Esse mundo vai permitir que o Estado de Israel continue com isso?”, questionou, apontando como condição para as negociações a interrupção da expansão dos assentamentos israelenses.
Discursando logo após Abbas, Netanyahu afirmou buscar uma solução duradoura com a Palestina por meio de negociações diretas para a paz. Apenas este caminho poderia levar a criação de um Estado Palestino e não uma resolução da ONU, destacou.
No entanto, segundo o premier, os palestinos não estão dispostos a conversar. "Agora mesmo estamos na mesma cidade, no mesmo edifício. Vamos nos reunir hoje mesmo, negociemos a paz."

O posicionamento de Netanyahu segue a linha dos EUA, que também querem negociações diretas entre os dois lados. O país, membro permanente do Conselho de Segurança, já anunciou que vetará a adesão da Palestina à ONU. Inclusive, o presidente Barack Obama disse na quarta-feira 21, que "não há atalhos para a paz" no Oriente Médio, apenas o diálogo com Israel.
Em seu discurso, Netanyahu ainda afirmou que reconhecerá o Estado Palestino quando houver paz e negou que a retirada dos assentamentos israelenses seja um caminho para diminuir as turbulências na região. Segundo ele, quando Israel deixou o Sul do Líbano e Gaza, os radicais assumiram.
Negociações
Depois da divulgação do comunicado do Quarteto, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, pediu que Israel aceite dialogar. “Estamos preparados para assumir nossas responsabilidades em virtude da proposta e do direito internacional", disse. Os israelenses admitiram estudar as declarações do grupo.
Enquanto isso, o pedido de reconhecimento do Estado Palestino deve ser analisado de forma rápida e enviado ao Conselho de Segurança. Segundo o atual presidente rotativo do órgão, o embaixador do Líbano na ONU, Nawaf Salam, os 15 membros do Conselho já possuem uma cópia da proposta, que deve ser analisada na segunda-feira 26.
Azzam al-Ahmad, uma autoridade do Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, teria dito neste sábado, à agência de notícias independente Maan, que a Palestina esperaria duas semanas por uma resposta ao pedido.

Discurso
Em um dos momentos mais aguardados da Assembléia Geral da ONU, Mahmoud Abbas pediu em um discurso de 35 minutos que a Palestina seja aceita como o 194º membro pleno das Nações Unidas. Enquanto isso, imagens da rede de televisão britânica BBC mostravam ruas lotadas de Ramallah, capital da Cisjordânia, diversas bandeiras palestinas e a comoção popular.
Antes do pronunciamento do líder palestino, o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e prega a destruição de Israel, rejeitou o pedido de Abbas à ONU, alegando que os palestinos deveriam libertar sua terra e “não implorar por reconhecimento”.
Um dos dirigentes do grupo, Ismail Haniyeh, disse a jornalistas que “países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades.”
Houve registro de confrontos entre palestinos e o Exército israelense no ponto de checagem na entrada de Ramallah, capital da Cisjordânia. Israel colocou nove mil soldados na região por causa do pronunciamento.
Na Assembleia, Abbas disse ter "chegado o momento do meu povo corajoso e minha colônia poder viver como outros países da Terra, em um território independente”, recebendo o aplauso dos presentes.
Segurando uma cópia da carta de adesão palestina, pediu que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aceitasse o pedido e o levasse ao Conselho de Segurança para ser votado. Depois, dirigiu-se aos presentes na Assembleia. “O seu apoio para o reconhecimento do Estado Palestino é a maior contribuição para a paz na região [Oriente Médio]. Espero que não tenhamos que esperar muito.”
“Temos um objetivo: Existir. E existiremos”, conclamou.
Porém, para que isso ocorra, os palestinos precisam de ao menos nove votos favoráveis entre os 15 membros do Conselho de Segurança e de nenhum veto dos cinco membro permanentes: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China.
Além disso, a votação no Conselho de Segurança pode demorar semanas e os EUA podem nem precisar exercer o poder de veto, uma vez que Washington e Israel têm feito lobby junto aos membros para que rejeitem a proposta palestina ou se abstenham.

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