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Protestos violentos na Ucrânia causam primeiras mortes

por Deutsche Welle publicado 22/01/2014 17h06, última modificação 22/01/2014 17h45
Manifestantes exigem renúncia de Yanukovytch e retirada de leis antidemocráticas. Governo e oposição se acusam mutuamente por escalada
Oleksandr Ratushniak / AFP
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Policiais prendem manifestante ucraniano em Kiev nesta quarta-feira 22

Apesar da neve e das temperaturas glaciais, na noite de terça para quarta-feira (22/01) milhares de manifestantes ocuparam ruas e praças da capital ucraniana, Kiev, em protestos contra o governo. Por volta das 7:00 (horário local), unidades policiais começaram a romper as barricadas dos oposicionistas no centro da cidade. A televisão transmitiu ao vivo as cenas de repressão violenta.

As forças de segurança empregaram gás lacrimogêneo, jatos d'água e granadas paralisantes. Segundo testemunhas, alguns participantes dos protestos lançaram pedras e coquetéis molotov contra os agentes da lei. Há centenas de feridos de ambos os lados. Pelo menos três pessoas morreram durante os choques.

O Ministério Público da Ucrânia confirmou que dois eram ativistas, atingidos por tiros fatais. A terceira vítima despencou do telhado do Estádio Dynamo, onde, nos arredores, se realizam manifestações desde o domingo. Consta que houve numerosas prisões; outros ativistas revelaram ter recebido SMS contendo a advertência: "Você foi registrado como participante de tumultos de massa."

Os opositores do presidente Viktor Yanukovytch reivindicam eleições presidenciais e legislativas antecipadas, além da revogação das novas e controvertidas leis. Na terça-feira entrou em vigor a legislação que prescreve sérias restrições à liberdade de imprensa e de reunião. Quem bloquear o acesso a instalações da administração, por exemplo, está agora exposto a até cinco anos de prisão.

Marco histórico de violência

Segundo o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Leonid Koshara, o governo não tolerará as "contravenções de radicais". Antes, o primeiro-ministro Mykola Azarov declarara na emissora de TV Russia 24 que, se os "provocadores não pararem, as autoridades não terão alternativa, senão empregar violência, nos parâmetros da lei, para garantir a segurança das pessoas".

A alta representante da União Europeia para política externa, Catherine Ashton, exigiu o fim imediato da violência, ao mesmo tempo que reivindicou, em nome do bloco, que os responsáveis sejam levados à Justiça. Ashton exortou ambas as partes do conflito a um diálogo "no mais alto nível", pois os conflitos não resolverão a crise política no país.

O governo pró-Rússia de Yanukovytch e a oposição pró-Ocidente moderada, sob a liderança do ex-campeão mundial de boxe Vitali Klitschko, se acusam mutuamente pela escalada de violência. As mortes durante as passeatas representam um marco na história da Ucrânia, ex-república da União Soviética independente desde 1991.

Apesar de todas as crises e de protestos em parte violentos, até então nunca haviam sido empregadas armas de fogo no contexto de manifestações. Pelo contrário: o país era considerado exemplo de mudança política pacífica – como no caso da democrática Revolução Laranja de 2004. O antagonista de então, Yanukovytch, é quem ocupa agora o poder. E pela primeira vez na Ucrânia, se mata e se morre por motivos políticos.

AV/dpa/ap/rtr/ afp

Edição Rafael Plaisant

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