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França

Primeiro suspeito pelos atentados em Paris é identificado

por Redação — publicado 15/11/2015 09h56, última modificação 15/11/2015 10h03
Francês de 29 anos é um dos responsáveis pelos ataques na França. Diversas prisões ocorrem na Bélgica
MIGUEL MEDINA / AFP
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As autoridades francesas identificaram o primeiro dos terroristas responsáveis pelos ataques em Paris, na sexta-feira 13. O homem é o francês Omar Ismaïl Mostefai, de 29 anos, que estava envolvido no ataque da casa de espetáculos Bataclan. Ele era conhecido pela polícia por pequenos roubos e, em 2010, foi "marcado" como um potencial radical islâmico, mas não tinha envolvimento direto com terrorismo.  

Seis pessoas próximas a Mostefai estão sob custódia em Paris, incluindo o pai, o irmão e a esposa do jihadista. No sábado 14, buscas foram realizadas em suas casas em Romilly-sur-Seine (leste da França) e Bondoufle (arredores de Paris).

Depois de identificar o primeiro jihadista, os investigadores concentram suas atenções em potenciais cúmplices e patrocinadores, as pistas levam até a Grécia e a Bélgica.

A polícia belga prendeu diversas pessoas suspeitas de terem ligações com os ataques em Paris. As prisões ocorreram em Bruxelas, no distrito de Molenbeek, que já foi ligado a vários outros planos para atentados terroristas na Europa.

A Bélgica é o país europeu com a maior proporção de cidadãos que se juntaram ao Estado Islâmico, grupo jihadista que assumiu a responsabilidade pelos ataques em Paris que vitimaram ao menos 129 pessoas.

Um carro preto da marca Seat, utilizado nos tiroteios de sexta-feira em um bar e restaurante, também foi encontrado em Montreuil, nos subúrbios leste de Paris, segundo fontes policiais.

Suspeitos 

Dois dias após os ataques, os mais mortíferos na França - que fizeram 129 mortos e mais de 350 feridos - os investigadores encontraram, perto do corpo de um homem-bomba do Stade de France, um passaporte sírio pertencente a um migrante registado na Grécia, segundo Atenas. Não há confirmação se esse passaporte é do homem bomba, ou se foi roubado ou comprado ilegalmente. 

A investigação também aponta para uma pista belga. Três pessoas foram presas pelas autoridades belgas. Entre elas, o homem que alugou o carro Polo preto dos suicidas encontrado estacionado em frente ao Bataclan, palco do mais mortal dos ataques, com ao menos 89 mortos.

Os três suspeitos "não são conhecidos dos serviços de inteligência franceses", indicou o procurador de Paris, François Molins. Os investigadores buscam compreender se alguns dos atacantes conseguiram escapar e se outros ataques estão em preparação.

Segundo o procurador de Paris, três equipes participaram nos atentados. Sete terroristas morreram no curso de suas ações criminosas. Mas outras pessoas podem estar envolvidas nos ataques.

Três jihadistas morreram no Bataclan, outros três se explodiram perto do Stade de France, onde 80 mil pessoas, incluindo o presidente François Hollande, assistiam a uma partida de futebol entre a França e a Alemanha, e um no Boulevard Voltaire, no leste Paris.

Os agressores abriram fogo centenas de vezes indiscriminadamente contra clientes dos cafés e restaurantes e contra o público que assistia a um show de rock no Bataclan.

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Novo luto 

Dez meses depois dos atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e a um mercado kosher, que fizeram 17 mortos em janeiro, os ataques de sexta voltaram a mergulhar a França na tristeza.

Um luto nacional de três dias é respeitado desde domingo. Museus e teatros continuam fechados na capital. Sábado à noite, os restaurantes estavam vazios - exceto, paradoxalmente, no distrito do Bataclan.

Neste domingo, a falta de feiras ao ar livre, típicas em Paris, era marcante.

E apesar da proibição de manifestações em Paris até quinta-feira, centenas de pessoas prestaram homenagens às vítimas, comparecendo aos locais dos ataques para deixar floretes e velas acesas. Em várias cidades ao redor do mundo, também foram prestados tributos às vítimas e ao povo francês.

O presidente francês, que apelou para a unidade nacional, receberá ao longo do dia líderes de partidos, incluindo seu antecessor e rival de direita, Nicolas Sarkozy.

Na segunda-feira, ele discursará para as duas Câmaras do Parlamento reunidas em Congresso em Paris, em um ato político excepcional.

O presidente, que chamou os ataques de um "ato de guerra", decidiu mobilizar 3.000 soldados adicionais na operação Sentinel, criada após os ataques em janeiro para proteger os locais sensíveis (sinagogas, mesquitas...) e locais públicos.

Militares mobilizados  

No total, 10 mil soldados serão mobilizados até terça-feira na França, especialmente em Paris, o limite máximo previsto para Sentinel.

No front externo, a França, envolvida militarmente na Síria e no Iraque, "atacará para destruir" o grupo Estado Islâmico que assumiu a responsabilidade pelos ataques, prometeu o primeiro-ministro Manuel Valls.

Questionado sobre os alvos do exército francês - que após atacar campos de treinamento do EI passou a visar locais petrolíferos do grupo - o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, afirmou que "todas as capacidades do Daesh (acrônimo em árabe para o Estado Islâmico) que nós temos de mirar".

As mensagens de solidariedade e apoio continuam a chegar de todo o mundo. Os Chefes de Estado e de Governo do G20 reunidos em Antalya, na Turquia, prepararam uma declaração comum.

Em Israel, o ministro da Defesa Moshe Yaalon instou a Europa a aprovar leis "para uma luta mais eficaz contra o terrorismo", considerando que o "equilíbrio" decaía muito "em favor dos direitos humanos" à custa da segurança.

Com informações da AFP.