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Turquia

Premier turco diz que precisava 'limpar' Praça Taksim

por AFP — publicado 16/06/2013 16h46, última modificação 16/06/2013 16h52
Após noite de conflitos em Istambul, Recep Erdogan reúne 100 mil partidários na cidade em meio a uma crise que agita o país há duas semanas
Marco Longari / AFP
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Após confrontos, premier turco diz que precisava 'limpar' Praça Taksim

ISTAMBUL (AFP) - O primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, reuniu neste domingo 16 mais de 100 mil partidários em Istambul, após uma noite de violentos confrontos, e declarou que "limpar" a Praça Taksim era seu dever.

Desalojados no sábado 15 à noite do Parque Gezi com gás lacrimogêneo e jatos d'água, os manifestantes resistiram neste domingo na Praça Taksim, berço do movimento que agita a rua turca há mais de duas semanas. Eles voltaram a entrar em confronto com policiais nas ruas próximas ao local.

Pela primeira vez desde o início da crise, unidades da guarda turca reforçaram o esquema policial, bloqueando principalmente os acessos ao lado europeu do Bósforo para impedir a passagem de manifestantes vindos da parte asiática.

Enquanto isso, dois dos principais sindicatos turcos anunciaram uma greve geral a partir de segunda-feira 17 em toda a Turquia para denunciar a violência policial contra os manifestantes, declarou à AFP o porta-voz do sindicato KESK.

Ainda assim, Erdogan fez uma nova demonstração de força diante de seus simpatizantes. "Eu disse que nós tínhamos chegado ao fim. Tinha ficado insuportável. Ontem, a operação foi realizada e (a Praça Taksim e o Parque Gezi) foram limpas (...) Era meu dever de primeiro-ministro", afirmou. "Não deixaremos essa praça com terroristas."

Segundo ele, há movimentos políticos clandestinos envolvidos nas manifestações na Praça Taksim. "Este país não é uma terra comum. Você não pode organizar um protesto onde quiser. Você pode fazer isso onde for autorizado", ressaltou.

Em Ancara, capital turca, a polícia também enfrentava centenas de manifestantes que foram dispersados com muito gás lacrimogêneo.

Noite de violência

Na noite de sábado, Erdogan passou para a ação com o objetivo de acabar com o movimento de contestação após a rejeição dos ocupantes do Parque Gezi em deixar seu reduto, apesar da promessa do governo de suspender seus projetos de remodelação até que a justiça tome uma decisão definitiva.

Segundo a coordenação dos manifestantes, batizada Solidariedade Taksim, centenas de pessoas ficaram feridas durante a operação. O governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, indicou neste domingo 44 feridos.

O vice-primeiro-ministro, Huseyin Celik, justificou a evacuação do parque. "O governo não podia deixar esta ocupação continuar eternamente", disse Celik neste domingo. "Esse pesadelo tinha que acabar."

Em Ancara e Izmir (oeste), milhares de manifestantes também se reuniram durante a noite para denunciar a intervenção da Polícia, mas não houve incidentes.

No início da onda de contestação, em 31 de maio, a Polícia agiu com violência para dispersar militantes ambientalistas que protestavam contra a destruição anunciada do Parque Gezi e de seus 600 plátanos.

A ira provocada por essa operação suscitou a maior revolta contra o governo islâmico conservador desde a sua chegada ao poder em 2002.

Nas maiores cidades do país, dezenas de milhares de manifestantes exigem a renúncia de Erdogan, acusado de autoritarismo e de querer "islamizar" a sociedade turca. Parte da juventude turca critica, principalmente, os projetos de leis sobre as limitações ao direito ao aborto e a utilização de pílulas do dia seguinte, assim como a proibição da venda de álcool após as 22h.

De acordo com o último registro do sindicato dos médicos turcos, quatro pessoas morreram e cerca de 7 mil ficaram feridas desde o início da contestação, em 31 de maio.

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