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Internacional

Protesto em Kiev

Em ato anti-Moscou, ucranianos derrubam estátua de Lênin

por Redação — publicado 09/12/2013 13h59, última modificação 09/12/2013 15h06
Manifestantes, favoráveis à União Europeia, foram às ruas pedir a renúncia do presidente Yanukovich, acusado de "vender" a Ucrânia
Anatoli Boiko/ AFP
Manifestantes derrubam estátua de Lênin em Kiev, Ucrânia

Manifestantes derrubam estátua de Lênin em Kiev, na Ucrânia

Milhares de ucranianos favoráveis à União Europeia fizeram um protesto em Kiev no domingo 8 para pedir a renúncia do presidente Viktor Yanukovich, acusado de "vender" a Ucrânia para a Rússia após ter rejeitado a assinatura de um acordo de associação com o bloco econômico. Com bandeiras europeias nas mãos, ao menos 250 mil pessoas lotaram a Praça da Independência, local emblemático da Revolução Laranja de 2004.

"Estamos aqui pelo futuro europeu da Ucrânia, por nossos filhos e netos. Queremos que a justiça reine em todo o mundo e que o poder deixe de roubar", disse Viktor Melnichuk, um aposentado de 52 anos.

Em um ato contra Moscou, cerca de 30 manifestantes com os rostos cobertos derrubaram uma estátua de Lênin de 3,5 metros situada na praça central de Kiev. Vários integrantes do partido ultranacionalista Svoboda (Liberdade), que viam em Lênin um símbolo da submissão da Ucrânia a Moscou durante a era soviética, comemoraram a derrubada. "Após a queda de Lênin em Kiev, o governo de Yanukovich vai cair também", afirmou o deputado Igor Mirochnichenko.

Em comunicado, a ex-primeira-ministra ucraniana Yulia Timoshenko pediu a renúncia imediata de Yanukovich, em declaração lida em um comício em Kiev por sua filha. "Nosso objetivo é a renúncia imediata de Yanukovich como presidente da Ucrânia", declarou Yevguenia Timoshenko citando sua mãe em uma mensagem enviada da prisão. "Hoje podemos decidir entre afundarmos em uma ditadura corrupta ou a volta ao lar, na Europa."

Nesta segunda-feira 9, centenas de manifestantes seguiam mobilizados em Kiev, apesar do frio e da neve. Ao amanhecer, entre 200 e 300 pessoas estavam reunidas na Praça da Independência, onde alguns sacerdotes faziam orações e pessoas discursavam.

Sob uma temperatura de - 4 graus Celsius e uma nevasca que cobria o centro da capital, outras dezenas de manifestantes opositores protegiam as barracas levantadas atrás do palco e colocadas em vários pontos do bairro vizinho onde se encontram os principais edifícios do poder político: a presidência, o Parlamento e a sede do governo. Por sua vez, cem pessoas partidárias do governo se reuniram em um parque situado junto ao Parlamento.

Diante das manifestações em massa, a presidência ucraniana anunciou que Yanukovich se reunirá com três ex-presidentes ucranianos. Yanukovich apoia a iniciativa de uma mesa redonda proposta pelo ex-líder Leonid Kravchuk, "que pode ser um espaço para chegar a um entendimento", afirmou a presidência em um comunicado.

No domingo passado, entre ao menos 200 mil manifestantes protestaram na praça depois de terem sido desalojadas à força dois dias antes pela polícia, em uma operação que deixou dezenas de feridos, muitos deles estudantes. No sábado, cerca de mil pessoas protestaram no mesmo local, também conhecido pelo nome de Maidan.

A rejeição do presidente em assinar um acordo de associação com a União Europeia (UE) negociado durante meses mergulhou o país de 46 milhões de habitantes em uma crise política sem precedentes desde a Revolução Laranja, que levou os pró-europeus ao poder. A tensão aumentou após uma reunião entre Yanukovich e o presidente russo, Vladimir Putin, na sexta-feira, para discutir um acordo de associação estratégica entre os dois países.

Os europeus acusam a Rússia de ter exercido pressões econômicas e ameaças inaceitáveis sobre a Ucrânia, que atravessa uma crise econômica e financeira, para que o país renuncie à associação com a UE. Já a oposição denunciou no sábado a intenção de Yanukovich de assinar este acordo com o objetivo de fazer a Ucrânia aderir à união aduaneira de repúblicas soviéticas liderada por Moscou.

Os rumores desse possível acordo com a Rússia foram recebidos com preocupação nas fileiras da oposição, que protesta há duas semanas nas ruas. O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, classificou as informações de "mentiras e provocações". Já o ex-boxeador Vitali Klitshko, outro líder da oposição, convocou uma greve geral. "Estou certo de que somos capazes de derrubar o poder", declarou.

A oposição pede a organização de eleições antecipadas e a punição dos responsáveis pela violência policial, assim como a libertação das pessoas detidas por distúrbios. A Ucrânia está há mais de um ano em recessão e tem um enorme déficit público que pode levar o país à quebra, segundo analistas e investidores, que acreditam que Moscou pode baixar o preço do gás que vende ao país se o governo ucraniano desistir de se aproximar da Europa.

Com informações da AFP

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