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Internacional

Consequências da Crise

Gregos protestam contra austeridade

por Redação Carta Capital — publicado 05/10/2011 16h24, última modificação 06/10/2011 10h40
Protestos acabaram em confronto com a Polícia; greve-geral paralisou serviços em mais um dia de manifestações

A Grécia assiste mais um dia de greves e protestos violentos contra medidas de austeridade lançadas pelo governo. Ao menos 16 mil pessoas marcharam na praça Syntagma para protestar em frente ao Parlamento. Além disso, vôos e viagens de trem foram canceladas, órgãos públicos e agências de turismo fechadas e hospitais reduziram o ritmo, devido à paralisação de 24 horas.

A polícia interviu e alguns manifestantes foram presos ou ficaram feridos em decorrência do uso de armas não-letais. O país vive uma das situações mais drásticas da Europa e corre o risco de decretar calote. Na terça-feira 4, o ministro das Finanças  Evagelos Venizelos  confirmou que a Grécia só terá dinheiro até novembro. Maryse Farhi, professora e pesquisadora de economia da Unicamp, afirmou para CartaCapital que o calote grego é questão de tempo.

Pacotes de austeridade foram lançados na tentativa de melhorar a situação dos cofres públicos. No entanto, medidas têm surtido pouco efeito, devido à diminuição progressiva do PIB, que caiu cerca de 7% no último trimestre. Críticos argumentam que contenção aprofunda cada vez mais a crise, ao desestimular uma economia capenga. No último pacote, o governo extinguiu 30 mil cargos públicos e anunciou um novo imposto sobre a propriedade.

O país espera ajuda da União Europeia em novembro. Mas o auxílio ainda não é garantido. A Alemanha, esperança para o bloco, enfrenta uma situação política delicada. Nas últimas eleições regionais, o partido da premier Angela Merkel perdeu posições, inclusive na capital do país. Conservador, a legenda defende a conteção de gastos e é contrária a novos aportes para ajudar demais países do bloco. Ao mesmo tempo em que vota na oposição, a maioria da população também não quer ajudar vizinhos a sanar dívidas. O que deixa Merkel num impasse.

Protestos cada vez mais frequentes trazem à tona a insatisfação popular crescente. Símbolo da falência do euro, a Grécia é, no entanto, apenas o primeiro da fila: Itália, Espanha, Portugal, Irlanda e até Bélgica somam-se a lista de países endividados do bloco. O fim da moeda, no entanto, iniciaria um processo de calote generalizado. O vice-ministro de Economia da Alemanha Stefan Kapferer propôs diretrizes para uma insolvência ordenada. Para Farhi, a professora da Unicamp, essa é uma história a ser contada, já que nunca foi realizada antes nessas proporções.

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