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Parlamento da Ucrânia destitui presidente

por Deutsche Welle publicado 22/02/2014 16h05, última modificação 23/02/2014 14h17
Eleições são marcadas para 25 de maio. Ex-primeira-ministra Yulia Timochenko é libertada após mais de dois anos de prisão
LOUISA GOULIAMAKI / AFP
ucrânia

Manifestantes protestam do lado de fora do Parlamento

O Parlamento ucraniano destituiu o presidente Viktor Yanukovytch e marcou novas eleições para 25 de maio. A sessão, em que 328 dos 450 parlamentares aprovaram a saída do chefe de Estado por abuso de poder, foi transmitida ao vivo pela televisão neste sábado 22.

Os parlamentares já haviam aprovado medidas que reduzem o poder do presidente, assim como a imediata libertação da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, efetuada poucas horas mais tarde. Desde 2011 ela cumpria uma pena de sete anos de prisão, acusada de abuso de cargo e desvio de verbas.

Seguidores da ex-primeira-ministra afirmam que houve irregularidades no processo, realizado durante o governo de seu arqui-inimigo Yanukovytch, eleito em 2010, e que as acusações teriam sido motivadas por razões políticas.

Yanukovytch resiste

Antes mesmo da destituição, o presidente ucraniano afirmara que não renunciaria nem deixaria o país, além de tachar de "ilegais" todas as decisões do Parlamento rumo à formação de um governo de transição. O presidente chamou de "tentativa de golpe" os últimos acontecimentos, comparando a atual situação com o surgimento do nazismo na Alemanha, nos anos 1930.

As declarações foram feitas durante um pronunciamento na televisão. Sob pressão da oposição, Yanukovytch e agentes de segurança deixaram a capital Kiev neste sábado.

Ele está em Kharkiv, leste da Ucrânia, região considerada bastião das forças governistas. O paradeiro de Yanukovytch permaneceu desconhecido durante horas, o que levou a imprensa a especular se ele havia deixado o país. Alguns veículos de imprensa afirmam que vários integrantes do governo já deixaram a Ucrânia.

Antes das votações, a maioria dos parlamentares aprovara Alexander Turtchinov para substituir o até então presidente da Verkhovna Rada (Parlamento unicameral) Vladimir Rybak, homem de confiança de Yanukovytch, que deixou o cargo alegando problemas de saúde. Turtchinov é um dos fundadores do partido opositor Patria, juntamente com Timochenko, e sua eleição é vista como primeiro passo para a formação de um novo governo na Ucrânia.

População nas ruas

Os órgãos de segurança do Ministério do Interior da Ucrânia se posicionaram oficialmente do lado da oposição em Kiev, segundo comunicou na internet o departamento federal responsável pela polícia. As autoridades afirmam querer servir apenas ao povo ucraniano, e apoiam totalmente a reivindicação da população de mudanças o mais breve possível.

"A milícia conclama a população a, por meio de esforços conjuntos, preservar a ordem no país; a não permitir a destruição da infraestrutura dos órgãos que asseguram o cumprimento da lei, que foi construída ao longo de anos e que é sempre necessária ao povo para a proteção contra ações ilícitas", informou o ministério.

Enquanto a situação política no país permanece caótica, manifestantes em Kiev tomaram áreas próximas ao gabinete presidencial e detém o controle da capital. Após uma tumultuada semana de protestos e mortes, muitos receiam uma eventual divisão do país.

As regiões no oeste da Ucrânia criticam a corrupção da gestão Yanukovytch e querem uma aproximação do país com a União Europeia; enquanto as cidades do leste são a favor da manutenção dos laços políticos com a Rússia. Os protestos começaram em novembro passado depois que o presidente ucraniano suspendeu um acordo de parceria com a UE, por influência de Moscou.

  • Edição: Augusto Valente