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Crimeia declara independência e pede adesão à Rússia

por Deutsche Welle publicado 17/03/2014 09h27, última modificação 17/03/2014 18h14
Em referendo, 96,6% dos eleitores votaram a favor da adesão da península a Moscou, segundo o resultado oficial. Parlamento russo deve aprovar anexação nesta semana
Dimitar Dilkoff / AFP
Crimeia

Na Crimeia, pró-russos comemoram a vitória da adesão da à Rússia em referendo

Em referendo realizado neste domingo 16, 96,6% dos eleitores da península ucraniana da Crimeia optaram por integrar a Federação Russa, segundo o resultado final divulgado nesta segunda-feira pela comissão eleitoral da Crimeia. A participação foi estimada em 82,71%.

Pouco depois, o Parlamento da Crimeia aprovou uma resolução declarando sua independência da Ucrânia e pediu oficialmente a anexação da península à Rússia. Além disso, os parlamentares decidiram que a Crimeia trocará o fuso horário de Kiev pelo de Moscou.

"A República da Crimeia apela às Nações Unidas e a todos os países do mundo para que a reconheçam como um estado independente", pode-se ler no documento aprovado pelo Parlamento, assim como o apelo para que a Federação Russa "aceite a República da Crimeia como membro".

"Tudo o que se encontra aqui, no território, será desde logo nacionalizado. As unidades militares vão ser desmanteladas, e aqueles que quiserem podem ficar aqui", acrescentou o presidente do Parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov.

O referendo é considerado ilegal pelas autoridades do novo governo em Kiev, pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Ele continha duas perguntas: "Aprova a reunificação da Crimeia com a Rússia como membro da federação da Rússia?" e "Aprova a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto da Crimeia como fazendo parte da Ucrânia?". Os eleitores não eram questionados se pretendia continuar pertencendo à Ucrânia.

Segundo o presidente interino ucraniano, Olexandr Turtchinov, trata-se de "uma grande farsa". "A Rússia procura cobrir a sua agressão na Crimeia com uma grande farsa denominada referendo que nunca será reconhecido nem pela Ucrânia nem pelo mundo civilizado", declarou.

Rápida adesão à Rússia
Milhares de pessoas festejaram o resultado nas ruas da capital da Crimeia, Simferopol, e da cidade portuária de Sebastopol. "Estamos voltando para casa; a Crimeia vai para a Rússia!", declarou o primeiro-ministro da Crimeia, Serguei Aksyonov, à multidão que tomava a Praça Lênin, na capital da península. O hino russo foi entoado por ele e pela população que lá estava.

Konstantinov, festejou dizendo "Vencemos! Viramos o mundo de cabeça para baixo". A nova liderança da Crimeia pretende que os próximos passos transcorram rapidamente. Ainda nesta segunda-feira, uma delegação deverá viajar a Moscou para discutir o processo de adesão à Rússia, declarou Aksyonov.

Segundo a rede de televisão alemã ARD, a moeda russa, o rublo, deverá ser introduzida na península já nesta quarta-feuira, e até o fim da semana haverá acordos econômicos com a Rússia. A votação no Parlamento russo sobre a adesão da Crimeia estaria planejada para sexta-feira.

Ucrânia denuncia fraudes
A votação desde domingo foi acompanhada por inúmeros jornalistas internacionais. Os mais de 1.200 locais de votação, a maioria em escolas, foram fortemente vigiados. Longas filas se formaram. Imagens da televisão mostravam eleitores depositando seus votos em urnas feitas de plástico transparente.

Segundo a imprensa ucraniana, a votação foimanipulada pela Rússia. Cidadãos russos que não estariam nas listas de votantes foram incluídos de última hora para participar do referendo. A denúncia, no entanto, não pôde ser comprovada. Em torno de 1,8 milhão de pessoas estavam aptas a votar. A minoria dos muçulmanos tártaros da Crimeia havia convocado um boicote ao referendo.

Moscou afirmar defender o direito de autodeterminação da maioria russa na península e afirma querer trazer a região de volta à sua terra natal. A Crimeia foi cedida à Ucrânia em 1954, pelo líder soviético Nikita Kruschev.

A cidade portuária de Sebastopol abriga há mais de 200 anos a frota naval russa no Mar Negro. Já há duas semanas a Crimeia se encontra sob domínio de milícias pró-Rússia e de soldados fortemente armados, aparentemente sob comando de Moscou. A Rússia justifica essas ações afirmando que está protegendo os cidadãos étnicos russos da Crimeia após a queda do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovitch.

Em diversas cidades no leste da Ucrânia, de forte tendência pró-Rússia, novos protestos aconteceram. Em Charkov, cerca de 3 mil manifestantes exigem a realização de um referendo nos moldes da Crimeia. Em Donetsk, edifícios da administração pública foram alvos de ataques.

  • Edição Alexandre Schossler

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