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Assembleia da ONU

Palestina agradece ao Brasil

por Viviane Vaz, em Jerusalém — publicado 21/09/2011 18h47, última modificação 06/06/2015 18h15
Multidão se reuniu em Ramalah para acompanhar os discursos na ONU em defesa do novo Estado. Dilma defendeu a causa

Milhares de palestinos aproveitaram nesta quarta-feira o dia de folga estabelecido pela Autoridade Palestina para participar das demonstrações de apoio à iniciativa do presidente Mahmud Abbas em buscar um assento na ONU --seja de membro permanente ou observador.

No centro de Ramalah, cerca de 15 mil pessoas se reuniram na praça Yasser Arafat para acompanhar os discursos em defesa da criação do Estado 194 e assistir as apresentações de música e dança típicas palestinas.

Pelos televisores de casa e nos estabelecimentos comerciais, os palestinos também ouviram as palavras da presidenta Dilma Rousseff na inauguração da Assembleia Geral da ONU em Nova York e agradeceram a posição do país. “O apoio do Brasil e outros países na ONU nos dá ânimo. Como cidadã palestina, acho que é importante recebermos este apoio moral em um momento em que estávamos quase perdendo as esperanças”, disse a cineasta palestina, Ghada Terabi, 37 anos, enquanto descansava da marcha em Ramalah para tomar um café.

A cineasta afirma que não está completamente de acordo com a iniciativa de Abbas – uma vez que o povo ainda não sabe ao certo qual será a estratégia do presidente na ONU e que tipo de Estado se pretende criar, mas pondera que pelo menos ele está tentando buscar uma saída de paz entre Israel e Palestina. “Aqui há um problema que precisa ser resolvido e as negociações não estão adiantando”, diz Ghada. “Mais do que os resultados, o ato de hoje é importante para chamar atenção da mídia internacional para o cenário palestino”, completa.

Em Nova York, Dilma recordou que no Brasil pessoas de religiões e origens diversas conseguem viver lado a lado.

“Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia --como deve ser”, disse à Assembleia Geral da ONU.

Aham Hamda, 60 anos, levou os netos para assistir à concentração e afirmou que o Brasil se confirmou como um país amigo dos palestinos. “Muitos palestinos vivem no Brasil e a Palestina é a casa dos brasileiros também”, garantiu.

Para Basam Qatanani, 38 anos, o discurso de Dilma foi especial. Ele trabalha como coordenador de uma associação de mulheres artesãs e está casado com uma brasileira-palestina.

Pai de Mohamed, 2 anos, Basam deseja para o futuro um Estado palestino para seu filho, além do Brasil. Em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o reconhecimento do Brasil a um Estado palestino com as fronteiras anteriores a 1967.

Em 1948, outro brasileiro, o chanceler Oswaldo Aranha, também representava o Brasil na criação do Estado de Israel.

Reforçando a posição brasileira de uma solução de dois Estados vizinhos e em paz --Israel e Palestina-- Dilma ressaltou que o reconhecimento da Palestina “amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio”.

“Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional”, opinou.

Por outro lado, Dilma sublinhou que os brasileiros querem para os outros países “o que queremos para nós mesmos”.

“O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram”, disse a presidenta.

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