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Internacional

Estado Islâmico

Países do G20 declaram combate conjunto ao terrorismo

por Deutsche Welle publicado 16/11/2015 16h34
No encerramento da Cúpula do G20, os países-membros assinaram uma declaração conjunta em que se comprometem a combater o terrorismo
Presidência da Rússia
Encontro-G20

Religião não deve servir de justificativa para o terror, escreveram os países do G20

Pela primeira vez na história, as vinte maiores economias do mundo – que representam dois terços da população mundial – condenaram veementemente o terrorismo internacional.

Religião não deve servir de justificativa para o terror, escreveram os países do G20 em um comunicado, publicado nesta segunda-feira 16 em Antalya, na Turquia, onde os líderes estão reunidos desde domingo.

Ainda sob o impacto dos ataques terroristas em Paris e dos recentes atentados no Líbano e na Turquia, os países-membro votaram por um endurecimento do combate aos terroristas, melhorias na cooperação entre serviços de inteligência e o esgotamento das fontes de financiamento dos terroristas.

O último ponto na verdade é uma das tarefas fundamentais do G20, que desde a crise financeira mundial de 2008 foi incumbido da tarefa de coordenador a política econômica e financeira.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que "o fluxo de caixa dos terroristas" deve ser suprimido. Isso se refere especialmente ao "Estado Islâmico" (EI), que construiu estruturas governamentais em parte da Síria e do Iraque e coleta impostos e dinheiro de extorsão.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que também participou da Cúpula do G20, lembrou que já existem iniciativas para identificar e bloquear as atividades de grupos terroristas no mercado financeiro internacional.

Além disso, após os ataques ocorridos em janeiro ao semanário satírico Charlie Hebdo, a França já havia feito uma série de sugestões. Os chefes de governo prometem que agora irão transformar as palavras em ações.

Após o choque causado pelos ataques em Paris, não é possível que as coisas continuem como estão, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Vladimir-Putin
Putin afirmou que as forças entre EUA e Rússia devem ser unidas / Crédito: Presidência da Rússia

Patrocínio da Arábia Saudita

O financiamento e abastecimento de terroristas do "Estado Islâmico" ocorreram tranquilamente até algumas semanas atrás, acreditam especialistas. As principais fontes continuam sendo a venda de petróleo da Síria e do Iraque, além da cobrança de resgate por reféns ocidentais e a venda de antiguidades roubadas.

Muitas agências de inteligência ocidentais têm destacado em seus dossiês que o Kuwait, o Qatar e a Arábia Saudita financiaram por anos o "Estado Islâmico". Estes países, de maioria sunita, viam no EI uma liderança contra rivais xiitas da região, como o Irã.

Foi apenas quando o EI começou a lançar mão de práticas extremamente cruéis, levando os próprios financiadores a se sentirem ameaçados, que esses países começaram a reduzir ou cortar as verbas para o grupo, afirma Daniel Wagner, chefe de uma empresa privada de análises de segurança nos Estados Unidos. "Eles criaram um monstro que agora está se voltado contra eles próprios", escreveu Wagner no Huffington Post.

O financiamento, porém, ainda é mantido por indivíduos privados desses países. Após a votação de hoje, a Arábia Saudita, também membro do G20, poderia reprimir tais práticas.

A Turquia também tem um papel essencial no envio de provisões ao "EI". Já há um ano a DW informou sobre bens e equipamentos que eram fornecidos por turcos ao EI na cidade síria de Raqqa.

O grupo terrorista também teria fornecido petróleo da da Síria para a Turquia. Portanto, o anfitrião do G20 também poderia tomar medidas para cortar o fornecimento do exército terrorista.

Segundo diversos relatos na imprensa, após a desintegração da Líbia, os Estados Unidos teriam enviado uma grande quantidade de armas da Líbia para equipar grupos rebeldes do Líbano. Essas armas também poderiam acabar, em parte, nas mãos de membros do EI.

Ações militares conjuntas

Às margens da cúpula do G20, os dois principais protagonistas no bombardeio aéreo de rebeldes e terroristas na Síria e no Iraque – Estados Unidos e Rússia –, aparentemente se aproximaram.

Durante o encontro, o presidente russo Vladimir Putin e o presidente americano Barack Obama reuniram-se separadamente por cerca de 30 minutos. Segundo um porta-voz do Kremlin, "não houve nenuhma mudança fundamental, mas as conversações foram construtivas."

EUA e Rússia concordaram, pelo menos, em uma melhor coordenação dos seus ataques aéreos – que até agora ocorrem paralelamente. Putin afirmou que "agora as forças devem ser unidas".

Os países ocidentes criticam a Rússia de bombardear posições de rebeldes pró-ocidente como forma de apoiar o governante sírio Bashar al-Assad.

A Rússia alega que lança ataques contra terroristas de diferentes grupos. Barack Obama ainda anunciou na cúpula que os esforços para eliminar o Estado Islâmico devem ser duplicados.

Reunião-G20
Angela Merkel disse que "o fluxo de caixa dos terroristas" deve ser suprimido | Georgina Coupe/ Number 10

Segurança aérea

O primeiro-ministro britânico David Cameron ainda vê grandes diferenças em relação à Rússia no que diz respeito à Síria, mas também pontos em que houve aproximação.

Ele afirmou que sete ataques terroristas foram frustrados na Grã-Bretanha nos últimos seis meses e indicou que autoridades devem determinar se novas medidas devem ser introduzidas para evitar atrocidades.

O Reino Unido deve dobrar seus gastos com segurança de aviação e está recrutando mais 1.900 pessoas para os serviços de segurança e inteligência, como parte da resposta britânica aos ataques de Paris.

Recursos também serão destinados a profissionais de segurança aérea para fornecer relatórios regulares sobre os aeroportos ao redor do mundo. Tais passos seriam parte de uma ampla revisão de gastos e não apenas uma resposta direta aos atentados em Paris.

Reforço nas fronteiras da UE

No encontro, Angela Merkel anunciou que a Alemanha e a Grã-Bretanha devem sediar uma conferência de doadores para refugiados sírios em fevereiro.

A chanceler federal reconheceu que a Europa deve defender melhor suas fronteiras externas se ainda quer ser capaz de receber refugiados sírios e prevenir, ao mesmo tempo, a possibilidade de infiltração terrorista.

Merkel disse esperar que a cúpula envie um "forte aviso" contra o terrorismo islâmico. "Nós somos mais fortes do que qualquer forma de terrorismo", afirmou a jornalistas.

Se e como as Forças Armadas Alemãs poderiam participar de um reforço nos ataques contra o EI, a chanceler não explicou. "Para isso ainda é muito cedo", disse Merkel. Até agora, a Bundeswehr treina combatentes curdos no norte do Iraque.

Debate sobre refugiados

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, rejeitou veementemente as sugestões feitas por conservadores de que a União Europeia deveria mudar sua estratégia quanto aos refugiados. "Os refugiados não são responsáveis pelos ataques em Paris", declarou.

A Europa irá continuar um continente aberto, afirmou; os refugiados estão fugindo exatamente do mesmo terrorismo vivenciado em Paris na sexta-feira.

Muitos países voltaram controlar as fronteiras. Inicialmente, a justificativa foi permitir um melhor controle e registro da entrada de refugiados. Agora, o medo do terrorismo infiltrado pode ser usado como justificativa para suspender o Acordo de Schengen de liberdade de trânsito entre os países membros da União Europeia.

Por Riegert, Bernd

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